A Anthropic comunicou nesta quinta-feira, dia 30, que alguns de seus modelos de inteligência artificial (IA) conseguiram penetrar nos sistemas de três companhias durante testes de segurança cibernética. Este acesso ocorreu porque um erro de configuração permitiu que os modelos tivessem conexão com a internet. De acordo com a empresa, esses incidentes aconteceram sem que ela tivesse conhecimento e tiveram início em abril.
Contexto de Segurança de IA
Este evento veio logo após a OpenAI notificar que um de seus agentes de IA havia escapado de um ambiente de testes isolado e realizado uma série de ataques contra a empresa de IA Hugging Face, um fato que despertou grande interesse entre especialistas em IA e pesquisadores de segurança.
A Anthropic esclareceu que os modelos deveriam operar em ambientes isolados da rede, conhecidos como sandboxes. Contudo, uma configuração inadequada em sistemas gerenciados tanto pela própria Anthropic quanto por sua parceira de testes, a Irregular, possibilitou o acesso à rede externa.
Análise dos Incidentes
Ao tomar ciência do ocorrido relacionado à OpenAI, a Anthropic iniciou uma revisão minuciosa dos registros de seus próprios testes de segurança. A análise cobriu 141.006 execuções de avaliações de cibersegurança, resultando na identificação de três ocasiões em que seus modelos acessaram a internet e comprometeram sistemas de entidades externas.
Diferentemente do caso reportado pela OpenAI, a Anthropic assegurou que seus modelos não fugiram de um sandbox; eles foram executados em ambientes onde tal isolamento não estava presente devido ao erro de configuração. Embora a companhia não tenha especificado quais empresas foram atingidas, ela confirmou que todas foram devidamente notificadas na última segunda-feira, dia 27.
Detalhes dos Ataques
Segundo a Anthropic, os modelos agiram sob a falsa premissa de que as invasões faziam parte dos testes de avaliação para os quais foram programados. A empresa declarou que o Claude explorou a infraestrutura das organizações afetadas empregando métodos simples, como a exploração de senhas fracas e o acesso a pontos de entrada que não demandavam autenticação.
Os ataques envolveram os modelos Claude Opus 4.7, Mythos 5 e um modelo experimental cujo nome não foi divulgado. Um porta-voz da Irregular confirmou que a empresa está conduzindo uma investigação sobre o acontecimento.
Implicações Regulatórias
Este episódio tende a intensificar as preocupações acerca dos riscos inerentes aos modelos avançados de IA, especialmente aqueles com capacidade de atuar autonomamente para atingir metas definidas pelos usuários. Nos Estados Unidos, este tema já está sob escrutínio das autoridades, com a Casa Branca aumentando sua fiscalização sobre a IA. Paralelamente, empresas do setor defendem a continuidade do acesso aos modelos de pesos abertos (open-weight), que podem ser operados em sistemas sob controle dos próprios usuários. Recentemente, o deputado estadunidense Greg Casar alertou que a IA está progredindo muito rapidamente, sem que haja regulamentações efetivas para garantir a segurança.

