A segunda edição da FliportoArte dedica-se a homenagear a artista Ana Lira e a escritora Paulina Chiziane, explorando as conexões entre arte, literatura, tecnologia e a imaginação política.
Conceito do evento
A curadora Mariana Leme baseia o conceito do evento no primeiro romance de Paulina Chiziane, Balada de Amor ao Vento (1990), definindo o vento como aquilo que concentra os elementos essenciais do trabalho, mesmo que não sejam visíveis. Segundo Leme, são as relações estabelecidas e as pesquisas realizadas que compõem o trabalho, ainda que não estejam explícitas.
Estrutura e programação
O termo 'Vento' serve como título e força motriz para o programa expositivo, que engloba galerias comerciais, instituições, coletivos, ateliês de artistas e editoras. O evento também inclui um programa público com palestras, apresentações artísticas, lançamentos de livros e outras atividades que conferem ao encontro um caráter de festival, realizado em Recife de 12 a 15 de novembro.
Participação de artistas e locais
A artista pernambucana Ana Lira está preparando duas obras inéditas, sendo uma delas desenvolvida em colaboração com agricultoras do Espaço Agroecológico de Setúbal. Este espaço, estabelecido há dez anos no bairro de Boa Viagem, próximo ao Parque Dona Lindú, é onde o festival ocorre. A Fliporto ocupará o pavilhão modernista de exposições Galeria Janete Costa, situado no parque. Adicionalmente, as agricultoras participarão com uma barraca de vegetais orgânicos na praça de alimentação da feira.
Diferenciais da FliportoArte
A FliportoArte se configura como feira, festival e festa. Ao contrário da maioria das feiras de arte, dominadas por galerias comerciais, neste evento as proporções de expositores são invertidas, contando com 16 espaços independentes, seis galerias (provenientes de Recife, João Pessoa e São Paulo) e seis instituições. Dois eixos transversais — arte e literatura, e arte e tecnologia — são conduzidos sob a curadoria do artista Fábio Tremonte.
Literatura e tradição cultural
A literatura possui grande relevância, visto que a FliportoArte surgiu da Fliporto, que em 2026 celebrará 21 anos. A Festa Literária Internacional de Pernambuco, já consolidada, recebeu nomes notáveis como o angolano Pepetela, os moçambicanos Luís Carlos Patraquim, Marcelino dos Santos e Paulina Chiziane, que foi agraciada com o Prêmio Camões em 2021 por sua obra completa.
Eventos internacionais e temas
Entre os poucos festivais literários brasileiros com alcance internacional, a Fliporto iniciou sua edição portuguesa em 2025. Antônio Campos, fundador e coordenador geral da Fliporto, da FliportoArte e da nova Fliporto Conecta, afirmou que o tema da 2ª Fliporto Portugal será o livro como um antídoto contra a aceleração da sociedade do cansaço. Já no Brasil, o foco será o diálogo entre o papel e o digital, dada a participação do evento no maior encontro da América Latina em tecnologia e conexões digitais, realizado no Porto Digital, um dos principais polos tecnológicos do Brasil.
Integração dos eixos temáticos
Os três eventos — arte, literatura e tecnologia — ocorrem simultaneamente de 12 a 15 de novembro, em diferentes locais de Recife, promovendo uma troca mútua de conhecimentos. Enquanto artistas visuais são convidados a participar de painéis do evento literário, o eixo arte e literatura da FliportoArte enfatiza a interação entre artistas e a escrita, exemplificado por Bruno Vilela, pintor pernambucano que dará uma palestra sobre o papel do texto em sua arte.
Objetivos e apoio artístico
Anna Guerra, coordenadora executiva da FliportoArte, ressalta que o objetivo não é meramente comercializar produtos, mas sim fomentar a pesquisa e o trabalho dos artistas, afirmando que a venda é uma consequência. Ela menciona que a união de Mariana Leme e Ana Lira no festival é mais uma coincidência positiva nesse processo. Cinthia Mendonça, da residência Silo, na Serra da Mantiqueira, também participa do eixo arte e tecnologia com sua pesquisa em técnicas de georreferenciamento.
Prêmio Farol e rede de conhecimento
Para dar suporte à produção artística, foi instituído o Prêmio Farol, que oferece prêmios em dinheiro e residência a três expositores. Leme conclui que, ao reunir artistas, escritores, agricultores e cientistas, estão construindo uma rede de saber para combater a monocultura, seja ela na agricultura, na arte ou nas representações visuais.



