A Samsung Electronics divulgou seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 nesta quinta-feira, dia 30/07, revelando um resultado inédito: a divisão de dispositivos móveis operou no prejuízo pela primeira vez em sua história.
Causas do Prejuízo Móvel
O relatório oficial indica que houve um prejuízo de 800 bilhões de wons, o que equivale a aproximadamente R$ 2,8 bilhões. Este resultado negativo foi majoritariamente atribuído ao aumento acentuado nos custos dos componentes, um reflexo direto do crescimento global impulsionado pela inteligência artificial.
Os números demonstram o impacto dessa nova dinâmica, especialmente na categoria MX, que abrange o desenvolvimento e a comercialização de celulares, tablets e dispositivos vestíveis. Embora o mercado consumidor tenha demonstrado boa aceitação aos lançamentos recentes, como os modelos topo de linha da família Galaxy S26 e a nova geração de dobráveis, como o Galaxy Z Fold 8, o lucro operacional do setor mobile caiu drasticamente.
A dificuldade financeira surgiu porque a montagem dos aparelhos tornou-se significativamente mais cara em comparação com o ano anterior. O rápido avanço no desenvolvimento de servidores e data centers focados em IA forçou a indústria de tecnologia a esgotar os estoques de chips de memória em um ritmo acelerado. Essa combinação de alta demanda e oferta limitada elevou os preços desses componentes.
A Samsung esclareceu que os produtos de segmento premium, como o Galaxy S26 Ultra, conseguiram manter um bom desempenho em termos de lucratividade. Contudo, o problema financeiro concentrou-se na base e no meio do portfólio, onde o aumento no custo das peças internas corroeu a rentabilidade, categoria que já opera com margens reduzidas.
Estratégia e Impacto no Consumidor
Este cenário de pressão na cadeia de suprimentos levou o mercado mundial de celulares ao seu pior momento em 13 anos. Para tentar mitigar este prejuízo sem precedentes, a Samsung planeja alterar sua estratégia de vendas, focando na comercialização de «produtos de alto valor agregado» visando impulsionar o crescimento e restaurar a rentabilidade nos próximos trimestres.
Na prática, devido ao encarecimento da linha de produção, os consumidores devem esperar preços mais elevados para smartphones nos meses vindouros, um movimento que tende a afetar outras marcas do setor. Especialistas apontam que essa inflação impactará mais os compradores de menor poder aquisitivo, sendo os aparelhos vendidos na faixa de US$ 200 a US$ 500 (aproximadamente R$ 1.000 a R$ 2.500) os mais propensos a sofrer reajustes.
Lucro Recorde com Venda de Chips
Em contraste com as dificuldades da linha de celulares, a Divisão de Soluções para Dispositivos (DS) apresentou um panorama totalmente oposto. O setor responsável pela fabricação de chips de memória registrou um crescimento notável de 56% nas vendas em relação ao trimestre anterior.
O segmento de memória alcançou um feito histórico, batendo recordes tanto em receita trimestral quanto em lucro operacional — gerando lucro justamente com a venda dos componentes que elevaram os custos do mercado mobile. O forte desempenho do setor de hardware impulsionou um trimestre inédito para a empresa.
No geral, a Samsung alcançou uma receita consolidada recorde de 171,5 trilhões de wons (superando R$ 605 bilhões), o que representa um aumento expressivo de 28% em comparação com o ano anterior, estabelecendo o maior valor trimestral de sua história. Além disso, o lucro operacional da companhia atingiu a marca histórica de 89,5 trilhões de wons (equivalente a R$ 316 bilhões).



