De acordo com meios de comunicação espanhóis, como a agência EFE e o jornal El País, milhares de migrantes entram em Ceuta a pé através do promontório fronteiriço.
Reação das forças de fronteira
Os agentes da Guarda Civil Espanhola apenas observam e deixam passar a multidão que cruza a fronteira, surpreendidos com o grande número de pessoas que a atravessam. A travessia ocorre perto do chamado 'promontório' — uma ampla barreira de pedra que separa Ceuta de Marrocos e possui vedação.
Mecanismos de travessia da fronteira
Segundo dados da EFE e do El País, centenas de jovens saltaram a cerca não vigiada, enquanto outros contornaram o 'promontório' a pé, chegando ao território de Ceuta. Funcionários de segurança entrevistados pela EFE declararam desconhecer o motivo da concentração massiva de jovens para ultrapassar a cerca de Ceuta, coincidindo com a celebração do Feriado Real em Marrocos — um feriado nacional que marca a ascensão do Rei Mohammed VI ao trono em 1999.
Declaração de estado de emergência
Ceuta declarou-se em estado de 'emergência humanitária e social absoluta' depois de mais de 1500 pessoas, que foram lançadas ao mar em Marrocos, chegarem a este enclave no Norte de África nos últimos dez dias. O Presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivás, apelou ao Governo Espanhol para declarar um estado de 'emergência nacional' no território e enviar recursos do Estado central para gerir a 'crise migratória'.
Dimensões do fluxo migratório
Juan Jesús Vivás afirmou em entrevistas a vários meios de comunicação espanhóis: 'Estamos numa situação de emergência humanitária e social absoluta, que exige ações consistentes através de uma equipa unificada, garantindo uma resposta enérgica, resoluta e imediata.' De acordo com as autoridades municipais, entre 1500 e 2000 pessoas conseguiram entrar em Ceuta nos últimos dez dias após serem lançadas ao mar em Marrocos e nadarem em direção às águas espanholas.
Vivás observou que isso equivale a 2% de toda a população de Ceuta e comparou com o que seria se um milhão de pessoas entrasse ilegalmente na Espanha pelo mar nos últimos dez dias. Embora a pressão migratória em Ceuta seja constante, especialmente no verão, devido às condições do mar e do tempo, o presidente da cidade sublinhou que nos últimos dez dias houve 'picos de intensidade especial', que se transformaram numa 'emergência nacional'.
Situação atual e causas
De acordo com as autoridades locais, atualmente existem cerca de 700 pessoas nos centros temporários de acolhimento de migrantes da cidade, com mais 400 à espera de solução na rua. A maioria dos que chegam a Ceuta são jovens com menos de 30 anos, incluindo centenas de menores, segundo as mesmas fontes. O governo municipal e fontes policiais indicam que neste ano foram recuperados 30 corpos de pessoas que morreram ao tentar chegar a Ceuta nadando.
Relatos de migrantes que chegaram a Ceuta nos últimos dez dias, citados por meios de comunicação espanhóis, falam num 'efeito de chamada' causado pela decisão do Supremo Tribunal Espanhol no início deste mês. De acordo com esta decisão, os migrantes que chegam ao país pelo mar ilegalmente não podem ser devolvidos imediatamente às autoridades de outro Estado. No entanto, o tribunal decidiu que esta regra não se aplica em caso de mar, mas apenas àqueles que chegam à Espanha 'ultrapassando elementos de contenção fronteiriça estabelecidos, como cercas'.

