O Centro de Aprendizagem Infantil Redhill, também conhecido como Hubo Studio, propõe uma reimaginação da escola, concebendo-a como uma cidade em escala infantil. Este ambiente foi projetado para ser acolhedor e seguro, refletindo a vitalidade de Joanesburgo, mas adaptado especificamente às necessidades de desenvolvimento e sensoriais das crianças pequenas.
Inspiração e Conceito Central
A concepção deste projeto teve suas raízes em Reggio Emilia, na Itália, onde o Hubo Studio investigou profundamente os fundamentos da filosofia educacional Reggio Emilia. Os princípios construtivistas e focados na criança serviram de base para uma interpretação autêntica sul-africana, na qual a própria arquitetura assume um papel ativo no processo de aprendizagem.
O projeto é guiado pelo conceito de osmose, promovendo uma transição fluida entre o espaço interno e externo, entre o ato de aprender e o brincar, e entre o indivíduo e a comunidade. No cerne deste design encontra-se a Piazza, uma adaptação africana do tradicional ponto de encontro italiano. Esta área, coberta por vidro, serve como um núcleo comunitário, reunindo as salas de referência (home bases) e os ateliês verticais. Adicionalmente, uma cozinha aberta introduz elementos de culinária, e um mosaico criado pelas próprias crianças integra sua participação diretamente na estrutura arquitetônica.
Estrutura e Funcionalidade do Edifício
O edifício comporta um total de 370 crianças, com idades variando de três a sete anos. A organização interna consiste em dezesseis salas de referência dispostas ao redor de quatro ateliês verticais, que se apresentam externamente como torres em tom de argila rosa. Os corredores tradicionais foram substituídos por uma complexa rede de estúdios, espaços dedicados à narração de histórias, cantos sensoriais, salas de luz e terraços ajardinados, além de diversas rotas de circulação.
Essa nova configuração faz com que o movimento se torne parte integrante do currículo educacional, proporcionando oportunidades para a observação, interação, autonomia e descoberta. Um desafio significativo enfrentado foi a criação de ambientes verticais compartilhados que acomodassem crianças com diferentes faixas etárias, ritmos e níveis de independência. A acústica, a supervisão e o fluxo de pessoas foram meticulosamente planejados em colaboração com a escola.
Materiais e Sustentabilidade
As múltiplas vias de circulação ajudam a diminuir o congestionamento, permitindo que tanto crianças quanto educadores escolham seus caminhos pelo prédio. Os espaços compartilhados mantêm seu caráter aberto e comunitário, ao mesmo tempo que asseguram visibilidade, serenidade e refúgios apropriados para cada grupo etário. A seleção de materiais é robusta, tátil e alinhada à infância; pisos e paredes de ardósia funcionam como superfícies para as expressões diárias das crianças, complementados por bambu, aço, vidro, azulejos e linóleo, equilibrando calor, transparência e resistência.
Externamente, uma desempenadeira personalizada, criada em parceria com a construtora através de corte a laser, confere uma textura de reboco que remete ao papelão ondulado utilizado em brincadeiras infantis. Para garantir conforto acústico e controle solar, foram instalados toldos retráteis da Serge Ferrari. A estratégia primária de sustentabilidade envolveu a redução do projeto inicial de 4.500 m² para 2.641 m², alcançada por meio da otimização com ateliês compartilhados e circulações sobrepostas. A iluminação e ventilação passivas são suportadas pela luz natural, massa térmica, chaminés de calor nas salas de aula e aberturas sob a cobertura da Piazza. Além disso, terraços ajardinados, sumidouros e áreas verdes auxiliam no gerenciamento das águas pluviais, amenizando o microclima e expandindo o aprendizado para o ambiente externo.