Moradores dos Estados Unidos estão começando a utilizar um novo método de geração de energia solar residencial: dispositivos compactos que podem ser ligados em tomadas comuns e instalados em áreas como varandas e quintais. Essa tecnologia já obteve autorização em dez estados e tem o potencial de diminuir os custos para os consumidores.
Essa expansão acontece em um contexto de elevação das tarifas de eletricidade no país e do crescente interesse de famílias que procuram opções mais acessíveis em comparação com os sistemas solares tradicionais instalados em telhados. Diferentemente dos arranjos convencionais, os modelos plug-in possuem uma instalação simplificada e podem custar algumas centenas de dólares.
No entanto, a regulamentação ainda está em fase de desenvolvimento. Apesar de alguns estados terem liberado a comercialização, nenhum sistema desse tipo possuía certificação de segurança nos Estados Unidos até aquele momento, o que gera incertezas sobre sua adoção em grande escala.
Os painéis solares que se conectam diretamente às tomadas chamaram a atenção dos consumidores americanos por oferecerem uma porta de entrada para o mercado de energias renováveis. Utah foi o primeiro estado a aprovar essa modalidade, sendo seguido por outros nove, incluindo Nova Jersey, Virgínia e Colorado.
Este movimento também alcançou o Legislativo de estados como Califórnia, Massachusetts, Nova York e Pensilvânia, onde propostas similares estão sob análise. No Colorado, uma das iniciativas mais abrangentes sobre o assunto foi aprovada após a deputada estadual Lesley Smith conhecer a tecnologia durante uma visita à Alemanha, país que já utilizava esse tipo de sistema.
Os equipamentos se distinguem dos painéis solares tradicionais principalmente por seu porte, preço e método de instalação. Enquanto os projetos residenciais convencionais podem atingir valores de até US$ 36 mil e demandar meses para obtenção de licenças, os modelos plug-in são menores, mais baratos e, nos locais permitidos, não necessitam de autorização prévia nem da contratação de eletricistas.
A diminuição do apelo financeiro dos sistemas tradicionais também contribuiu para o surgimento dessa nova tecnologia. Nos últimos anos, estados americanos reduziram os créditos oferecidos aos proprietários que injetam energia excedente na rede elétrica, diminuindo parte dos benefícios econômicos dos painéis convencionais.
Apesar do progresso regulatório, especialistas alertam que a certificação permanece um ponto crucial. A UL Solutions, empresa responsável por padrões, testes e validações de segurança de produtos, informou que ainda estava avaliando os sistemas plug-in para uso nacional.
Kenneth Boyce, vice-presidente de engenharia da UL Solutions, advertiu que equipamentos sem certificação podem acarretar riscos de choques elétricos, danos às instalações e incêndios. A empresa manifestou a expectativa de certificar pelo menos um sistema em breve, desde que todos os requisitos de segurança sejam atendidos.
Enquanto isso, alguns consumidores já adquirem os equipamentos pela internet. Alex Ottoboni, residente de um condomínio na região da Baía de São Francisco, instalou dois painéis em sua varanda antes mesmo da Califórnia aprovar uma lei específica. Seu sistema resultou em uma redução de cerca de US$ 5 a US$ 7 mensais na conta de luz.
Ottoboni, que trabalha com software, comentou em entrevista ao jornal The New York Times: “Eu não gosto de ter que depender da minha concessionária. O serviço de eletricidade não era confiável e está ficando mais caro a cada ano”.
O interesse pela tecnologia também está ligado ao aumento das despesas domésticas com energia. Dados apresentados na matéria indicam que a tarifa média residencial de eletricidade nos Estados Unidos estava 7% superior em abril em comparação anual. Especialistas do setor previam que as contas poderiam aumentar até 10,5% durante o verão.
Organizações focadas na expansão da energia solar passaram a disponibilizar kits menores para os interessados. A Bright Saver, uma entidade sem fins lucrativos da Califórnia, comercializa um conjunto de dois painéis por US$ 414,17, valor equivalente ao custo de fabricação do equipamento.
Cora Stryker, cofundadora da Bright Saver, declarou que a organização visa ampliar o acesso à energia solar e incentivar preços mais baixos no mercado. Ela ressaltou que os consumidores demonstram interesse imediato na tecnologia devido à preocupação com os custos de eletricidade e as alterações climáticas.
Outras companhias também ingressaram neste segmento. EcoFlow e Craftstrom vendem sistemas maiores, com preços variando entre US$ 1.300 e US$ 2.600, e afirmam que planejam buscar a certificação completa junto à UL Solutions.
Stephan Scherer, fundador e presidente-executivo da Craftstrom, relatou que as vendas da empresa cresceram 50% no último ano após a aprovação de novas legislações estaduais. Ele projetou comercializar milhares de unidades anualmente.
O funcionamento desses dispositivos depende de um inversor, que converte a corrente contínua gerada pelos painéis em corrente alternada, possibilitando o fornecimento de energia aos aparelhos conectados à rede doméstica. A Alemanha autorizou sistemas parecidos em outubro de 2024, mas os modelos vendidos lá não podem ser utilizados nos Estados Unidos devido às diferenças entre os sistemas elétricos.
As concessionárias americanas expressam preocupação primariamente com a possibilidade de a energia retornar à rede durante falhas, o que representa riscos para os trabalhadores que atuam nas linhas elétricas. Pedro J. Pizarro, presidente-executivo da Edison International, controladora da Southern California Edison, manifestou apoio à tecnologia, mas criticou uma proposta da Califórnia por não oferecer proteção adequada aos funcionários do setor elétrico.
Empresas do ramo contestam a existência de riscos significativos. Stephan Scherer, da Craftstrom, assegurou que os sistemas da sua companhia interrompem automaticamente o funcionamento em caso de queda de energia, impedindo que a eletricidade continue sendo enviada à rede.
A UL Solutions comunicou que somente aprovará equipamentos que consigam garantir a proteção tanto aos usuários quanto aos trabalhadores das concessionárias. Para os defensores da tecnologia, a resolução dessas questões deve pavimentar o caminho para uma maior adoção dos painéis plug-in como alternativa frente ao aumento dos preços da energia.