De acordo com dados do World Gold Council, a demanda por joias de ouro provavelmente permanecerá sob pressão durante a segunda metade deste ano. No entanto, a incerteza geopolítica, as preocupações com a inflação e as opções de investimento alternativas limitadas continuarão a sustentar a demanda por barras e moedas.
Queda na demanda por joias
O relatório sobre tendências de demanda por ouro no segundo trimestre de 2026 observou que o volume de demanda por joias atingiu o nível trimestral mais baixo desde a pandemia — 278 toneladas. Isso ocorreu devido aos altos preços do ouro e à pressão inflacionária geral, que restringiu o poder de compra. No entanto, os gastos com joias de ouro aumentaram 14% em termos anuais, atingindo US$ 40 bilhões.
Nos países do Oriente Médio, a demanda por joias permaneceu fraca no segundo trimestre devido aos altos preços, que afetaram a acessibilidade. Apesar das turbulências geopolíticas regionais, algum crescimento foi garantido pelos preços, que ficaram abaixo dos picos anteriores. A Arábia Saudita mostrou-se um dos participantes mais fortes da região, demonstrando uma queda de 8% em termos anuais. Nos EAU, o mercado registrou a décima quarta queda trimestral consecutiva em termos anuais, tornando-se um dos poucos mercados onde houve queda na demanda em dólares americanos.
A atividade do mercado nos EAU foi pressionada pela redução do fluxo turístico, visto que a economia do país depende fortemente de turistas no setor de joias, e o conflito entre EUA e Irã afetou negativamente a atividade. O mercado recebeu algum suporte devido aos preços mais baixos e à demanda de expatriados indianos, que provavelmente aumentará na segunda metade do ano devido ao aumento das tarifas de importação da Índia, o que confere uma vantagem de preço à região.
Forte demanda de investimento
Enquanto a demanda por joias permaneceu fraca, a demanda por investimentos na região se mostrou mais resiliente. O World Gold Council observou que a instabilidade geopolítica continua a estimular a compra de ativos de refúgio, e a correção dos preços do ouro na segunda metade do trimestre contribuiu para a busca por ofertas vantajosas. Nos EAU, os investimentos em barras e moedas aumentaram 30% em termos anuais no segundo trimestre. Esse crescimento foi impulsionado tanto pela demanda por ativos seguros quanto pela tarifa de importação mais alta da Índia, tornando a compra de ouro nos EAU relativamente mais atraente.
Em todo o Oriente Médio, a demanda por investimentos permaneceu estável, apesar de alguma desaceleração em comparação com os níveis excepcionalmente altos do início do ano. Em escala mundial, a demanda total por ouro, incluindo investimentos OTC, permaneceu inalterada em termos anuais em 1269 toneladas no segundo trimestre. Assim, a demanda para o primeiro semestre totalizou 2522 toneladas, 2% a mais do que no ano anterior. No entanto, o valor dessa demanda atingiu um recorde de US$ 380 bilhões devido ao aumento dos preços.


