No livro «Vírus, vulcões e água: como a Natureza muda a sociedade? Sobre as causas naturais da modernização», Andrei Shcherbak analisa os fatores geográficos, climáticos e biológicos que contribuíram para a modernização na Europa. Uma atenção especial é dada ao papel dos desastres naturais, como terremotos, inundações, secas, erupções vulcânicas, tsunamis e furacões, excluindo catástrofes tecnológicas.
O impacto dos desastres naturais no desenvolvimento
O autor investiga se a modernização ocorre espontaneamente sob a influência de eventos naturais aleatórios ou se segue um plano predeterminado. Shcherbak observa que o impacto direto de inundações ou terremotos no próprio processo de modernização é improvável. No entanto, dentro do conceito de que as características do nicho ecológico de uma sociedade são criticamente importantes para o seu desenvolvimento, os desastres naturais são considerados um componente inseparável desse nicho.
O estudo dos desastres naturais permite aprofundar a compreensão da lógica da modernização. Ao considerá-los eventos exógenos e imprevisíveis, pode-se descobrir como eles poderiam atuar como catalisadores de mudanças sociais importantes. Assim como a epidemia da «Peste Negra» no século XIV, que economistas Daron Acemoglu e James Robinson associam ao início da modernização na Europa Ocidental, qualquer desastre natural pode potencialmente desempenhar um papel semelhante.
Exemplos do impacto das erupções vulcânicas
Um exemplo é a erupção do vulcão peruano Huaynaputina em fevereiro de 1600. A emissão de cinzas vulcânicas e dióxido de enxofre levou a um efeito global de névoa, que, segundo estimativas de cientistas, tornou 1601 um dos anos mais frios dos últimos 600 anos. Isso causou anomalias climáticas, como congelamento mais forte de corpos d'água e floração tardia, o que afetou negativamente a agricultura e resultou em colheitas fracassadas, especialmente no noroeste da Europa.
Esta erupção é considerada a causa da Grande Fome na Rússia entre 1601 e 1603, o que, por sua vez, foi um fator no início do Período de Tumultos. Sergey Nefedov descreve que a colheita de 1601 foi escassa e de baixa qualidade. A fome foi agravada pela política de servidão camponesa e pela apreensão de excedentes pelos estados e proprietários, levando à fome em massa provocada pelas mudanças climáticas.
Uma situação semelhante ocorreu na Suécia, e no Império Otomano, invernos rigorosos agravaram as secas na Anatólia, causando a morte de gado e insatisfação social.
A erupção de Laki e a Revolução Francesa
Outro caso notável é a erupção do vulcão Laki na Islândia em junho de 1783, que durou cerca de oito meses. Cerca de 120 milhões de toneladas de dióxido de enxofre foram lançadas na atmosfera, levando à formação de nuvens de ácido sulfúrico, que obscureceram o sol e causaram uma «névoa seca» por toda a Europa. Na própria Islândia, as consequências climáticas, incluindo a fome (fome de névoa), levaram à morte de aproximadamente 20% da população. O resfriamento repentino causou colheitas fracassadas prolongadas na Europa, incluindo na França, onde a fome durou três anos. Segundo alguns dados, a fome causada pela erupção de Laki foi uma das razões para o início da Revolução Francesa em 1789.
Acaso versus aceleração de processos
Esses exemplos demonstram que os desastres naturais funcionam como um «gerador de acasos» na história. Incluí-los na teoria da modernização apoia a tese sobre a importância dos eventos aleatórios. No entanto, é provável que os próprios desastres não determinem o curso da história, mas apenas acelerem processos já maduros. O autor enfatiza que a ausência de erupções poderia não ter evitado o Período de Tumultos na Rússia ou a Revolução Francesa, mas poderia tê-los acelerado.
Como exemplo contrastante, cita-se a erupção do vulcão Tambora na Indonésia em 1815. Este foi o maior dos modernos, que causou um resfriamento acentuado na Europa e nas Américas, o que contemporâneos chamaram de «ano sem verão». No Sudeste Europeu, o resfriamento desencadeou tifo, e na Inglaterra, a colheita fracassada levou à migração e a revoltas devido ao aumento dos preços dos grãos. Na Índia, o clima alterado desencadeou fome e o início da epidemia de cólera em 1817, mas este evento não iniciou grandes mudanças históricas.
Modernização como redução de riscos
Por outro lado, os desastres naturais podem ser vistos não como eventos aleatórios, mas como fenômenos esperados com uma periodicidade definida. Nesse contexto, a modernização pode ser entendida como um processo de busca de soluções para prevenir ou mitigar os danos desses fenômenos. Essas soluções podem ser tanto tecnológicas quanto gerenciais. Essa visão da modernização exclui a imprevisibilidade, focando no cálculo e planejamento, ou seja, na conquista da natureza pelo homem.