O governo dos Estados Unidos está considerando impor restrições ao uso de modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China, motivado por questões de segurança e pela necessidade de proteger empresas nacionais.
Retomada da discussão sobre proibições
Embora tentativas anteriores de banimento direto de IAs chinesas tenham falhado, a possibilidade de tal medida ressurgiu nas últimas semanas, impulsionada pelo surgimento de ferramentas mais avançadas vindas da Ásia. Fontes consultadas pelo Axios indicam que, enquanto movimentos passados visavam uma proibição explícita, a abordagem atual pode focar na alegação de que esses modelos chineses não são seguros.
Impacto do novo modelo chinês
O relançamento do modelo Kimi K3, criado pela startup chinesa Moonshot AI, foi o fator que reacendeu o debate dentro da administração de Donald Trump. Este modelo possui uma janela de contexto de um milhão de tokens, permitindo o processamento de comandos muito extensos. Em testes realizados de forma cega, onde os usuários avaliam a qualidade da resposta para um mesmo comando, o Kimi superou os modelos mais recentes oferecidos pela Anthropic e pela OpenAI.
O Kimi K3 opera sob o modelo de pesos abertos, o que implica que a desenvolvedora divulga os parâmetros numéricos, mas mantém sigiloso o código e o processo de treinamento. Isso gera receios de que a China possa oferecer soluções de IA mais acessíveis e com desempenho comparável ao das corporações americanas.
Divergências internas nos EUA
Não há consenso entre as autoridades federais americanas sobre a proibição. Enquanto uma facção advoga o combate às IAs chinesas, outra expressa preocupação de que uma restrição possa prejudicar a concorrência livre e inibir a inovação no setor. David Sacks, consultor da Casa Branca para assuntos de inteligência artificial, argumentou que os EUA já possuem um duopólio no segmento e que certas empresas buscam que o governo elimine competidores abertos, referindo-se implicitamente à OpenAI e à Anthropic.
Contudo, essa perspectiva pode estar enfraquecendo na administração Trump. O Axios aponta que conselheiros ligados aos setores de tecnologia e capital de risco perderam parte de sua influência, dando mais espaço a indivíduos focados em segurança nacional nas discussões.
Medidas alternativas previstas
Apesar de uma proibição direta não ser vista como o caminho principal pela Casa Branca, fontes do Axios sugerem que métodos mais prováveis incluem a implementação de regras de licitação, a ameaça de inclusão na notória Lista de Entidades e a realização de campanhas de pressão pública. Tais ações seriam direcionadas às empresas americanas, visando desincentivá-las a utilizar tecnologias de IA chinesas.
Posicionamento da China
Paralelamente, a China também está analisando como se posicionar neste cenário de corrida por desenvolvimento de IA. Pequim estuda a possibilidade de vetar a exportação de modelos de IA, além de planejar a criação de legislações mais rigorosas contra vazamentos de código e a limitação de investimentos estrangeiros em startups locais.