Nos últimos anos, a questão da segurança nas relações internacionais transformou-se numa área inseparável da cooperação económica e política. O aumento da concorrência geopolítica, o crime transnacional, o terrorismo e as ameaças relacionadas com a cibersegurança estão a levar os estados a formar novos mecanismos de interação. Nestas condições, a iniciativa da China para aprofundar a cooperação em segurança é avaliada como a próxima fase estratégica da política externa de Pequim.
Contexto da Segurança Regional
Gavharshodbegim Kholmatova, doutoranda da Universidade Estatal de Tashkent em Estudos Orientais, sublinha que esta abordagem não é uma decisão aleatória, mas sim uma continuação lógica do panorama de segurança regional que se tem formado nos últimos dois anos. Em particular, na cimeira 'Ásia Central – China', realizada na cidade de Oston em 2025, foram definidas como tarefas prioritárias o terrorismo, o extremismo, o tráfico de estupefacientes, a cibersegurança e as questões relacionadas com o Afeganistão. A iniciativa atual visa precisamente traduzir estes acordos para o plano prático.
Segurança como Base da Economia
A China começa a ver a segurança não apenas como um domínio militar, mas também como intrinsecamente ligada ao funcionamento sustentável do desenvolvimento económico, dos corredores de transporte, da energia e da infraestrutura digital. Assim, um ambiente seguro é considerado uma condição chave para a implementação de grandes projetos económicos no país. Particularmente estratégico para Pequim é garantir a estabilidade das rotas de transporte no âmbito da iniciativa 'Uma Faixa, Uma Rota'.
Cooperação na Ásia Central
A linha ferroviária China – Quirguistão – Uzbequistão ocupa um lugar especial neste processo. O funcionamento ininterrupto deste projeto está diretamente ligado à estabilidade política e à segurança na região. Por isso, Pequim procura fortalecer a cooperação entre as forças policiais, os serviços fronteiriços e os sistemas de segurança. A China liga a ameaça do terrorismo, separatismo e extremismo à sua segurança nacional. Neste sentido, Pequim pretende expandir a troca de informações de inteligência com os estados da Ásia Central, realizar exercícios conjuntos e reforçar a parceria no combate ao crime transnacional e cibercrime. Esta abordagem corresponde ao conceito de 'Iniciativa Global de Segurança', promovida por Pequim, segundo o qual a segurança deve ser garantida com base em interesses comuns, e não em rivalidades entre estados.
Mudanças Institucionais na SCO
A iniciativa da China para aprofundar a cooperação em segurança com o Uzbequistão e a Bielorrússia está intimamente ligada às mudanças institucionais observadas na atividade da Organização de Cooperação de Xangai (SCO). A estrutura, originalmente criada para combater o terrorismo, o separatismo e o extremismo, está a transformar-se numa plataforma multifuncional que abrange as dimensões políticas, económicas e de defesa. A Cimeira da SCO em Tianjin em 2025 foi um marco importante destas mudanças. Foi aprovado um plano de desenvolvimento da organização até 2035, onde, juntamente com a segurança, foram definidos vetores prioritários, incluindo transportes, energia, economia digital, inteligência artificial, ambiente e governação global. Isto demonstra a transição da atividade da SCO de questões tradicionais para um leque mais vasto de temas.
Resultados da Cimeira e Oportunidades para o Uzbequistão
Um dos resultados mais importantes do evento foi a decisão de criar quatro novos centros de segurança: para combater ameaças, segurança da informação, crime organizado transnacional e luta contra o narcotráfico. Estas instituições contribuirão para expandir as capacidades dos estados-membros para responder a ameaças modernas de forma atempada. Esta iniciativa abre várias oportunidades práticas para o Uzbequistão: expansão da troca de informações, realização de operações conjuntas e criação de condições para a utilização eficaz de tecnologias modernas no combate ao terrorismo, extremismo religioso e crime transnacional. A cooperação ganha especial relevância face aos problemas relacionados com o Afeganistão.
Também foi dada ênfase à garantia da segurança dos fluxos de transporte e logística. Como participante do projeto ferroviário China – Quirguistão – Uzbequistão, a República do Uzbequistão procura tornar-se um grande centro de trânsito. Consequentemente, a estabilidade da infraestrutura de transporte desempenha um papel decisivo no aumento da atratividade de investimento do país e na atração de novos projetos logísticos. A cooperação em cibersegurança também exige atenção especial, uma vez que a proteção do sistema de informação governamental, da infraestrutura financeira e das redes de comunicação críticas é uma tarefa prioritária no contexto do desenvolvimento da economia digital. Neste contexto, o Centro de Segurança da Informação, estabelecido no âmbito da SCO, certamente reforçará a interação prática. Ao mesmo tempo, qualquer cooperação em matéria de segurança deve ser realizada em total conformidade com a política externa multivectorial, a soberania e os interesses nacionais do Uzbequistão, o que continua a ser o principal critério na implementação desta iniciativa.