Não há dúvidas de que a poluição por plástico representa um problema sério. O autor afirma que as ambições internacionais desempenharam um papel importante ao levar esta questão para a agenda mundial.
Anualmente, são produzidas mais de 460 milhões de toneladas de plástico, das quais cerca de 19 milhões de toneladas acabam no meio ambiente. Isso contribui para as emissões de gases de efeito estufa, causa danos à biodiversidade e afeta os meios de subsistência e a saúde da população. Se as tendências atuais persistirem, o consumo mundial de plástico pode triplicar até 2060.
A necessidade de transição para uma economia circular
Assim, a transição para uma economia circular para o plástico torna-se uma necessidade estratégica, ecológica e económica. Observa-se uma crescente compreensão de que a construção de uma economia de plástico circular exigirá transformação, e não apenas mudanças graduais. Isso vai além do problema dos resíduos, pois a poluição por plástico é uma falha sistémica causada pela ineficiência em todas as fases do ciclo de vida do material — desde o design e produção até ao uso e recuperação.
Ao considerar o plástico apenas como resíduo, ignora-se a sua dimensão económica mais ampla: perda de valor dos materiais, aumento dos custos sistémicos e maior pressão sobre os recursos naturais. Juntos, estes desafios representam uma oportunidade económica perdida de 4,5 biliões de dólares.
Reavaliando os desafios globais
O próximo passo é transformar as ambições internacionais em ações coordenadas, investimentos e mudanças nos sistemas. Isso implica ir além da gestão de resíduos e repensar os modelos modernos de consumo, design de produtos, quadros políticos e sistemas de preservação de valor que possam contribuir para a criação de uma economia circular autossustentável.
Embora as negociações sobre o Tratado Global de Plástico não tenham terminado em 2025, a sua continuação oferece a oportunidade de estudar exemplos práticos de sucesso. Muitos países demonstram que um progresso significativo é alcançável já agora, apesar das negociações em curso. Estas experiências fornecem lições valiosas para a próxima fase do processo do tratado e mostram como os esforços nacionais podem influenciar as ações globais.
Exemplos de inovação e cooperação
Soluções existentes já estão a ser implementadas. Governos, empresas e comunidades em todo o mundo estão a fortalecer os sistemas de recolha, a melhorar a infraestrutura de reciclagem e a redesenhar produtos para garantir a circularidade.
Por exemplo, na África, a falta de padrões regionais acordados para plástico alimentar reciclado atrasou investimentos e inovações. A colaboração entre a Organização Africana de Padronização (ARSO), a Aliança Africana de Economia Circular (ACEA), a União Africana, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Circularium Africa Advisory levou ao desenvolvimento de um padrão africano para polietileno tereftalato reciclado (rPET) para contacto com alimentos. Este padrão estabelece requisitos gerais de teste e segurança, ajudando a atrair investimentos, apoiar o comércio regional e acelerar a circularidade.
Nas Filipinas, onde 163 milhões de sacos plásticos flexíveis são gerados diariamente e cerca de 890 milhões de dólares em materiais recicláveis são perdidos anualmente, um novo grupo de trabalho para reciclagem de plástico reúne governo, empresas, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento. Esta iniciativa apoia tecnologias de reciclagem inovadoras, fortalece os sistemas de recolha e promove uma abordagem que abrange toda a cadeia de valor, incluindo a reciclagem para alimentos.
No âmbito da rede de Parceria para Ação em Plásticos do Fórum Económico Mundial, 25 países estão a desenvolver Mapas de Rota Nacionais para Ação em Plásticos, adaptados às suas condições nacionais. Embora os países apresentem diferentes pontos de vista nas negociações do tratado, muitos concordam sobre prioridades práticas: melhoria dos sistemas de gestão de resíduos e design de produtos, fortalecimento dos mercados de materiais reciclados, atração de investimentos, criação de empregos e redução da poluição. Isto prova que já existe um consenso significativo sobre muitas medidas necessárias para acelerar a transição para uma economia circular de plástico.
O Mapa de Rota da Nigéria, por exemplo, mostra que um conjunto abrangente de medidas de economia circular pode aumentar a circularidade do plástico para 58%, reduzir a poluição por plástico em 67%, diminuir as emissões de gases de efeito estufa em 39% e criar quase 97 000 empregos até 2040 em comparação com o cenário 'como está'.
Coordenação como chave para o progresso
O que é comum a estes exemplos não é apenas a inovação, mas também a coordenação entre governos, empresas e instituições financeiras. Os maiores progressos são alcançados pelos países e organizações que alinham políticas, finanças e ações do setor de forma a criar valor a longo prazo. A inovação não é o gargalo — são os modelos multissetoriais coordenados que abrem caminho para o progresso, pois mesmo os líderes mais ambiciosos enfrentam barreiras sistémicas que não podem ser superadas sozinhos.
As ações coordenadas são um elo crítico que permite realizar mudanças políticas em diferentes regiões e garantir um maior acesso aos financiamentos tão necessários, o que, por sua vez, envia sinais de mercado claros e consistentes, capazes de estimular a rápida e ampla replicação de iniciativas bem-sucedidas.
O processo de conclusão do tratado atraiu atenção sem precedentes e impulso para o problema da poluição por plástico. A próxima fase oferece a oportunidade de aumentar este ímpeto, estudando as ações que já estão a ser realizadas em vários países e regiões.
Abordagens faseadas e isoladas continuam insuficientes para resolver o problema da poluição por plástico na escala necessária. O progresso futuro dependerá de estruturas que reforcem a cooperação, construam economias sustentáveis, protejam ecossistemas e libertem o potencial do crescimento sustentável.
À medida que o processo do tratado for retomado, os líderes devem basear-se no que já funciona, utilizando métodos comprovados como base para a escalabilidade global. A poluição por plástico é um problema sistémico, e deve ser tratada como tal — nenhuma outra abordagem fornecerá as mudanças necessárias para o nosso ambiente, economia, saúde e bem-estar.



