Shahriyar Shavkat, poeta e ensaísta, reconhecido nos círculos literários por suas declarações ousadas, autor de vários projetos criativos em poesia e biblioteconomia e detentor da medalha 'Construtor do Futuro', é descendente da independência. Sua viagem ao Afeganistão em fevereiro deste ano gerou grande interesse entre jovens, amantes da palavra e o público em geral nas redes sociais.
Motivação da Viagem ao Afeganistão
É interessante que esta expedição educacional tenha sido organizada especificamente no Afeganistão, e não na costa do mar ou em lugares pitorescos. Em uma entrevista sobre essa viagem de conhecimento, Shahriyar Shavkat compartilhou que os primeiros brotos de seu interesse pela história e pelos rastros dos ancestrais surgiram na infância. Seu pai lhe mostrava locais sagrados relacionados aos grandes antepassados, especialmente a visita à primeira tumba de Sohibqiron Amir Temur em Shahrisabz.
Ele recorda como a atmosfera lá despertou nele sentimentos difíceis de descrever, e como seu coração batia tão forte que era audível. Essas sensações mais tarde se refletiram em seus poemas.
Influência das Fontes Literárias
Esses sentimentos se fortaleceram anos depois, após a leitura da obra de Khairiddin Sultonov, 'Boburiyнома'. A expedição descrita no livro influenciou-o profundamente, e ele começou a se imaginar parte daquele caravana. Ele sonhava em percorrer os caminhos dos grandes ancestrais e conversar com seus compatriotas nessas terras.
Shavkat enfatizou que durante o período de conquista da independência da pátria, as oportunidades eram extremamente limitadas, mas pessoas dedicadas à ciência e à memória da nação realizavam milhares de viagens. Hoje, com as possibilidades ampliadas, ele considera seu dever continuar essa tradição educacional.
Busca pelo Legado Espiritual
Além disso, o que o levava ao Afeganistão não era apenas a curiosidade, mas também um 'nobre desejo'. Ao ouvir memórias fascinantes da conhecida cientista uzbeque e estudiosa de Navoi, Almaz Ulvi Binnatova, sobre Khirat, seu desejo de ver com os próprios olhos a terra onde Navoi viveu e criou intensificou-se. Ele buscava encontrar esse legado espiritual.
Após o retorno, foi-lhe encomendado escrever um livro sobre a viagem pelo professor Khairiddin Sultonov, que o intitulou 'Para Khirat, à Casa de Bobom'. Shavkat aceitou isso como um sinal de aprovação e iniciou o trabalho, vendo sua expedição não apenas como uma viagem, mas como uma continuação natural do revezamento espiritual dos mestres e um encontro com o legado dos grandes ancestrais.
Visitas aos Ancestrais e Reflexões
Durante a viagem, ele visitou os locais de sepultamento de muitos ancestrais, incluindo Al-Biruni, Lutfi, Alisher Navoi, Kamoliddin Behzod Gavharshodbegim, Zakhir ad-Din Muhammad Bobur, Boborahim Mashrab. Neste processo responsável e emocionante, ele refletiu sobre o que lhe vinha à mente em uma situação crítica.
Ele admitiu que mais temia não os caminhos ou os livros, mas sim não conseguir realizar o sonho de muitos anos, pois viajava não como turista, mas para se conectar espiritualmente com os ancestrais que conhecia pelos livros e cujos poemas o inspiravam.
Antes de visitar cada local, ele se perguntava: 'Ao chegar a este lugar, posso ser um descendente digno?'
Legado de Navoi e Biruni
No túmulo de Alisher Navoi, ele recordava cenas das histórias do historiador Khondamir: o Sultão Husain Mirza desmontou-se para encontrar seu grande vizir e amigo leal, e Navoi, por sua vez, o acomodava em aposentos reais. Seguiu-se um luto de sete dias e uma procissão. Refletindo sobre isso, ele viu o Khirat moderno, notando que as guerras destruíram muitos túmulos, mas a memória popular não conseguiu apagar Navoi. Ele concluiu que, embora as pedras possam se desintegrar através dos séculos, a memória nacional permanece inabalável.
A visita a Navoi também o tocou: os mestres restauraram seu túmulo, e cerca de dois mil árvores plantadas pelo Fundo Bobur transformaram a área desértica na zona mais verde. Ele ficou emocionado com o fato de os uzbeques serem um povo jardineiro.
A busca pelo túmulo de Mavlono Lutfi foi o estágio mais difícil, pois alguns moradores locais não tinham informações suficientes sobre o grande poeta. Ele compartilhava com um cientista local o que sabia sobre Navoi e sentia-se como um neto visitando seu avô ao visitar o túmulo de Lutfi na aldeia de Shodijon.
Em Gwazna, ele mergulhou em um estado completamente diferente diante do túmulo de Biruni. Parado junto ao túmulo do proeminente cientista, que, segundo Abdullah Oripov, era um 'farol racional' compreendido antes da descoberta da América, ele refletiu sobre a implacabilidade do tempo, notando o contraste entre o gênio que elevou o pensamento humano e o sepultamento muito modesto.
Visita a Bobur e Mashrab
Em 'Bogi Bobur' em Kabul, ele lia gazelas. Diferentemente do túmulo simbólico em Andijan, aqui ele visitou o local real de sepultamento de Zakhir ad-Din Muhammad Bobur. Ao ver que ele repousava ao ar livre conforme o testamento, ele sentiu a verdadeira grandeza do rei em sua humildade.
Após a visita, os uzbeques locais ajudaram-no a plantar uma árvore, continuando boas ações iniciadas por seus ancestrais. A visita ao Shah Mashrab ocorreu à noite. Após verificar a inscrição no peshtak, ele orou pela alma do poeta.
Interação com os Moradores Locais
Foi profundamente tocado pelo encontro com os uzbeques afegãos, com quem conversou até de madrugada. Eles falavam sobre o Uzbequistão com tanto amor que isso causava emoção. Eles contavam com orgulho sobre a paz, o conhecimento e as oportunidades para as mulheres em seu país, frequentemente dizendo: 'Não nos tratem como 'afegãos', mas como uzbeques. Somos um povo que viveu nesta terra ainda antes da era de Amir Temur e Navoi!'
No final, ele concluiu que todos os locais sagrados visitados, apesar de estarem em cidades diferentes, o unem em uma única verdade. Ele viu a grande civilização turca como um todo unificado, onde Abu Rayhon Biruni, Mavlono Lutfi, Alisher Navoi, Kamoliddin Behzod, Malik Gavharshodbegim, Zakhir ad-Din Muhammad Bobur e Boborahim Mashrab são elos interligados.
Ele enfatizou que eles são continuadores dessa grande cadeia espiritual e que, se não entendermos e transmitirmos o legado dos ancestrais às gerações futuras, a história pode nos julgar.
Encontro com o Presidente
Como resultado da viagem, foi publicado o livro 'Para Khirat, à Casa de Bobom!', que ele apresentou ao Presidente. Durante o encontro com os jovens em 30 de junho, o chefe de Estado informou estar ciente de sua jornada criativa ao Afeganistão em fevereiro e o parabenizou calorosamente pela visita aos locais sagrados relacionados a Navoi, Bobur, Lutfi, Biruni e outros ancestrais. Isso causou uma grande impressão nele.
Ele entregou ao Presidente a primeira cópia do livro, e o chefe de Estado parou para destacar seu significado simbólico e peso espiritual. Isso foi uma grande avaliação para ele, pois ele tentou incorporar em cada página o caminho árduo, as situações complexas, os sentimentos e a responsabilidade espiritual perante os ancestrais.
Ele também observou que durante a viagem conseguiu transmitir sinceros agradecimentos e saudações de seus compatriotas no Afeganistão em relação à política externa pacífica e às iniciativas humanitárias promovidas pelo Presidente.
Conclusão e Tarefa
No encontro, ele também falou sobre as noites teatrais de poesia no âmbito do projeto 'Slovo' do Centro de Espiritualidade e Educação da República e do projeto 'Mutolaa' da Biblioteca Nacional e Agência de Assuntos Juvenis. O Presidente avaliou positivamente tais iniciativas de disseminação da poesia através de meios cênicos modernos.
O momento mais memorável foi o discurso do Presidente Abdullah Qodiri, que relembrou a frase: 'Ninguém deve sair deste lugar insatisfeito!' e incumbiu a criação de um Teatro Juvenil no país, confiando-lhe a liderança dessa atividade. Para Shavkat, isso representou uma enorme confiança e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade.
Em resposta à pergunta sobre as impressões dos moradores locais, ele disse que a maior descoberta é o amor infinito dos uzbeques afegãos pelo Uzbequistão e seus ancestrais. Conversando com seus conterrâneos em Mayman, Andkhwa, Forob, Kabul e Khirat, eles repetiam constantemente: 'Para nós, o Uzbequistão é a terra natal dos ancestrais'. Eles se orgulhavam de grandes ancestrais como Amir Temur, Alisher Navoi, Zakhir ad-Din Muhammad Bobur, Imam al-Bukhari, Imam at-Tirmizi, Khoja Bahauddin Naqshbandi, Zokirjon Holmukhamad oghli Furqat e Mavlono Huwaydo. As cidades de Samarcanda, Bukhara, Tashkent, Andijan, Namangan e Fergana são centros sagrados de ciência e civilização para eles.
Muitos sonham em visitar o Uzbequistão pelo menos uma vez na vida, para fazer uma peregrinação a Imam al-Bukhari e Imam at-Tirmizi, bem como a Amir Temur. No final da viagem, os moradores locais pediram-lhe para vestir um chapan e visitar Amir Temur, para que pudessem fazê-lo através dele. Um morador de Andkhwa disse que preferiria uma única peregrinação a Amir Temur do que duas.