O Museu da Bíblia em Washington, Distrito de Columbia, apresentou sua exposição central para o 250º aniversário do país, intitulada 'Liberdade Sagrada'. Esta exposição utiliza um vasto arquivo contendo mais de 5000 Bíblias históricas e artefatos sagrados para examinar o papel complexo da Bíblia no estabelecimento da República Americana.
Temática da Exposição
A exposição analisa como os escritos cristãos foram usados tanto para apoiar quanto para resistir à Revolução Americana. Também aborda questões relativas à tolerância religiosa a minorias e às visões dos primeiros líderes sobre oração governamental. Em última análise, a exposição mostra que, embora documentos fundamentais, como a Constituição, sejam em grande parte seculares, a base cultural e moral da era revolucionária foi profundamente impregnada por ideias bíblicas.
Opinião de Curadores e Historiadores
Segundo o curador sênior Anthony Schmidt, a Bíblia serviu como pano de fundo importante para os debates dos fundadores sobre temas como a função do governo e a fonte dos direitos dos monarcas. Ele observou que os 'grandes documentos' estudados pelos americanos em 4 de julho, incluindo a Declaração de Independência e a Constituição, 'não falam de fé', mas ignorar a influência da Bíblia é perder uma parte importante da história, pois foi este mundo que gerou esses documentos.
A exposição, inaugurada em 3 de julho, reflete a missão dupla do museu: usar sua rica coleção e impressionante edifício para contar uma história complexa, ao mesmo tempo em que respeita os princípios de seus fundadores evangélicos e do conselho de administração, que são obrigados a assinar uma declaração de fé na veracidade da Bíblia.
Diferentes Pontos de Vista sobre a Influência da Bíblia
Katerina Brekus, historiadora de religião dos EUA pela Harvard, acredita que a exposição enfatiza as visões evangélicas sobre a Bíblia durante a fundação, negligenciando outros pontos de vista. Ela concorda que a Bíblia foi fundamental para o discurso revolucionário, mas ressalta que esta não é a única história.
Mark David Hall, especialista em América antiga e religião da Universidade Regent, afirma que esta exposição é uma correção necessária à tendência das últimas décadas, quando a influência da Bíblia na América foi subestimada. Na sua opinião, 'a Bíblia foi, sem dúvida, o texto mais importante na fundação da América' e a exposição destaca sua 'influência muito positiva'.
Expositores Chave da Exposição
Entre os itens selecionados para contar a fundação, destacam-se vários artefatos. Entre eles, está a Bíblia Aitken, descrita como pertencente ao 'imprimor do Primeiro Congresso Continental' e sendo a primeira Bíblia impressa na América do Norte em inglês, conhecida como 'Bíblia da Revolução'. O Congresso elogiou Aitken, mas alguns especialistas acreditam que a história desta Bíblia está mais ligada às hesitações dos fundadores sobre o lugar da religião na nova nação.
Também está apresentada a Carta de Thomas Jefferson. Após se aposentar, Jefferson escreveu uma carta à igreja em Connecticut sobre liberdade religiosa, na qual elogia a Constituição por proteger os 'direitos de consciência contra empreendimentos do poder civil'. Em outra carta de 1802, Jefferson definiu a Primeira Emenda como 'muro de separação entre igreja e estado'. A exposição é mostrada no contexto do enfraquecimento deste muro pelo Supremo Tribunal nas últimas décadas, que expandiu o uso de fundos fiscais para religião e orações públicas por funcionários.
Na exposição, há um livro didático de Judah Monish, o primeiro livro didático judeu impresso na América, ilustrando a vida judaica primitiva. Também estão incluídos um livro de orações judaico e um contrato matrimonial. Schmidt observa que estes itens mostram a participação desta comunidade, então pequena, na América antiga, lançando as bases para o futuro crescimento e integração, embora a exposição não aborde a discriminação da época, incluindo leis que proibiam judeus de ocupar cargos públicos e limitavam seu culto. No entanto, nota-se que Monish se tornou o 'primeiro judeu a obter educação universitária nas colônias' em 1720 em Harvard, embora para obter o diploma e lecionar tenha tido que adotar o cristianismo.
Outro expoente importante é o sermão de Jacob Duchesne. Duchesne foi capelão do Primeiro Congresso Continental, onde em 1774 proferiu um sermão inspirador pedindo a proteção de Deus para aqueles que 'fugiam para Ti da espada do opressor'. A exposição também exibe um sermão semelhante de 1775, proferido por ele após as batalhas de Lexington e Concord. A história de Duchesne é complexa, pois ele mais tarde retirou seu apoio à revolução.



