O diretor do Departamento Africano do Ministério das Relações Exteriores sublinhou a necessidade de desenvolver a diplomacia no setor comercial entre Irã e África. Ele observou que as prioridades de cooperação são determinadas por indicadores como potencial econômico, necessidades mútuas, nível de relações políticas, oportunidades para o desenvolvimento da interação comercial e de investimento, bem como a disposição da outra parte para expandir os laços.
Potencial do Mercado Africano
Nos últimos anos, o continente africano transformou-se de um mercado pouco conhecido em um dos destinos emergentes mais importantes do comércio mundial. Este mercado conta com mais de 1,5 bilhão de pessoas, demonstra rápido crescimento da urbanização, desenvolvimento de infraestrutura e crescente demanda por bens e serviços, o que abre amplas oportunidades para exportadores.
Para a economia do Irã, onde a diversificação dos mercados de exportação se tornou uma necessidade vital, o estabelecimento de laços econômicos com os estados africanos permite reduzir a dependência de mercados tradicionais e abrir um novo caminho para o aumento das exportações não-comoditizadas e a expansão da cooperação comercial. É por isso que, nos últimos anos, a diplomacia econômica do país tem dado especial atenção a este continente, realizando conferências Irã-África e encontros regionais especializados.
Nova Abordagem à Interação Econômica
A nova abordagem do aparato diplomático baseia-se na utilização do potencial de várias províncias para presença direcionada nos mercados africanos. Este modelo foca não em reuniões formais, mas na identificação das vantagens reais de cada província, no estabelecimento de contato direto entre empresários iranianos e países africanos, e na definição de projetos comerciais conjuntos.
Neste modelo, a província de Yazd foi escolhida como primeira. Com base em sua experiência na exportação de produtos como azulejos e cerâmicas, materiais de construção, indústria têxtil, indústria alimentícia, bem como serviços técnicos e de engenharia e competências em energia solar, Yazd busca aumentar sua participação no crescente mercado africano. Os oficiais acreditam que o principal obstáculo para o desenvolvimento do comércio com este continente não é apenas a pressão sancionatória, mas também a falta de conhecimento sobre os mercados locais, a legislação e os parceiros comerciais; fortalecer os laços e criar redes cooperativas pode contribuir para o aumento das trocas econômicas do Irã com os países africanos.
Importância do Conhecimento de Mercado
Akbar Hosravinejad, assistente do ministro e diretor do Departamento Africano do Ministério das Relações Exteriores, discutiu em entrevista exclusiva ao IRNA a importância de realizar cúpulas e analisar diversas questões, incluindo o fornecimento de infraestrutura e condições necessárias nas áreas de transporte, comunicações bancárias, seguros, logística e, o mais importante, a compreensão dos mercados africanos.
Ao ser questionado sobre o principal obstáculo no comércio com a África, Hosravinejad respondeu que o desenvolvimento do comércio exige um conjunto de condições infraestruturais e organizacionais, e não se pode destacar um único fator. O conhecimento de mercado, transporte, conexões bancárias, seguro, logística e a presença constante de ativistas econômicos estão interligados e são importantes por si mesmos. No entanto, se for preciso destacar um, é o conhecimento dos mercados africanos. Ele enfatizou que a África não é um mercado único, mas sim um conjunto de 54 países com diferentes condições econômicas, leis, culturas de negócios e necessidades. Quanto mais os empresários souberem sobre essas possibilidades, maiores serão as chances de uma presença bem-sucedida e sustentável.
Apoio ao Setor Privado
O Ministério das Relações Exteriores, no âmbito de sua missão, utiliza as oportunidades das representações da República Islâmica, realiza inúmeros encontros com representantes do setor privado e organiza reuniões especializadas para melhor compreensão do mercado, o que contribui para facilitar a comunicação e a cooperação, ao mesmo tempo que supervisiona as questões de infraestrutura comercial em conjunto com os órgãos competentes.
Quanto aos planos para remover obstáculos e apoiar o setor privado, Hosravinejad informou que uma das tarefas da diplomacia econômica do país é apoiar a participação eficaz do setor privado nos mercados-alvo. Nesse sentido, o Ministério das Relações Exteriores, em colaboração com agências econômicas, mobiliza embaixadas, comissões conjuntas, delegações comerciais, reuniões especializadas e comunicação com câmaras de comércio para identificar oportunidades e estabelecer contatos entre empresários. Neste contexto, é realizada uma reunião consultiva sobre cooperação econômica entre a província de Yazd e a África, cujo objetivo é garantir o contato direto entre ativistas econômicos, apresentar oportunidades mútuas e definir direções práticas de cooperação, para que o setor privado possa entrar nos mercados africanos com maior conhecimento e confiança.
Razões para a Escolha de Yazd
A província de Yazd foi escolhida como piloto para a diplomacia econômica com a África devido às significativas oportunidades em áreas como mineração, aço, azulejos e cerâmicas, têxteis, serviços técnicos e de engenharia, novas fontes de energia, bem como a existência de empresas baseadas em conhecimento. O setor privado da província também possui experiência valiosa em atividades de exportação. O Ministério das Relações Exteriores pretende utilizar intencionalmente o potencial das províncias para desenvolver a diplomacia econômica do país, considerando Yazd como uma das províncias com alto potencial de cooperação com os países africanos, e esperando que a experiência dessa cooperação sirva de exemplo para outras regiões.
Prioridades de Cooperação na África
Considerando a alta diversidade econômica e geográfica do continente africano, a política da República Islâmica do Irã é construída sobre uma abordagem equilibrada a todas as regiões. As prioridades de cooperação são determinadas com base em indicadores como potencial econômico, necessidades mútuas, nível de relações políticas, potencial para o desenvolvimento do comércio e investimentos, bem como a disposição do parceiro para expandir os laços. Neste contexto, a agenda de cooperação econômica inclui países importantes da África Oriental, Ocidental, Norte e Sul, e esforços estão sendo feitos para desenvolver a interação conjunta de acordo com as possibilidades de cada país.
Busca por Parceiros de Longo Prazo
Reconhecendo a concorrência de países como China e Turquia, Hosravinejad observou que uma presença bem-sucedida no mercado africano exige planejamento de longo prazo, conhecimento preciso do mercado e construção de relacionamentos sólidos com parceiros locais. As missões diplomáticas da República Islâmica do Irã nos países africanos, além de identificar oportunidades econômicas, procuram criar condições para conectar empresas iranianas com parceiros confiáveis. Além disso, a realização de encontros de negócios, a troca de delegações econômicas e o desenvolvimento da comunicação entre câmaras de comércio são medidas que contribuem para a formação de uma parceria sustentável entre os setores privados de ambos os lados. Ele mencionou especialmente a conferência anual Irã-África, que oferece um bom local para networking e estabelecimento de contatos comerciais para os empresários do país com a África.