A comunidade mundial corre o risco de não cumprir o objetivo estabelecido pela Organização das Nações Unidas de erradicar o HIV/SIDA como problema de saúde pública até 2030. Os principais obstáculos para atingir este objetivo são a redução do apoio financeiro internacional aos programas de combate ao HIV, a falta de fundos e a discriminação contínua entre os grupos populacionais vulneráveis.
Relatório da UNAIDS sobre o problema do HIV/SIDA
Estas conclusões estão contidas em um documento especial da Programa Conjunto das Nações Unidas sobre AIDS (UNAIDS) intitulado 'Juntos para Erradicar o HIV/SIDA', apresentado na 26ª Conferência Internacional sobre SIDA. De acordo com dados da UNAIDS, a ajuda externa aos países em desenvolvimento diminuiu em 18% em 2025, e o déficit anual de financiamento para o combate ao HIV atingiu a impressionante quantia de 4,3 bilhões de dólares.
Consequências dos problemas financeiros e sociais
A redução do financiamento levou a interrupções na prevenção, testes e prestação de cuidados médicos em muitos países, especialmente nos programas geridos por organizações comunitárias locais. Os especialistas também enfatizam que o estigma e as restrições legais existentes impedem milhões de pessoas de aceder a tratamentos e medidas preventivas, contribuindo assim para a propagação contínua do HIV.
Em vários países, existem leis que preveem responsabilidade criminal por ações como trabalho sexual, posse de drogas ou relações homossexuais. Por causa disso, membros desses grupos frequentemente temem procurar assistência médica ou participar de atividades de prevenção.
Geografia e estatísticas da epidemia
A organização avalia que 49% de todos os novos casos mundiais de infeção por HIV afetam membros de grupos populacionais chave e seus parceiros. Neste contexto, observa-se um agravamento da situação epidemiológica nas regiões da Europa Oriental, Ásia Central, América Latina e Médio Oriente. Em países da África Subsaariana, onde se regista metade de todas as novas infeções, mulheres e adolescentes constituem 60% dos afetados, mas apenas 55% das crianças vivendo com HIV recebem tratamento.
Atualmente, cerca de 41 milhões de pessoas vivem com HIV, das quais 32,1 milhões fazem terapia antirretroviral. Somente em 2025 foram registados 1,2 milhões de novos casos de infeção, e 570 mil pessoas morreram por causas relacionadas com o SIDA. Os autores do relatório indicam que estes números demonstram um atraso significativo em relação às metas planeadas. Comparado com o ano anterior, o número de novas infeções ultrapassou o objetivo em cerca de um milhão, e a mortalidade excedeu em 400 mil casos o esperado.
Caminhos para resolver a crise
Para superar a crise atual, os autores do relatório sugerem basear-se na Estratégia Global atualizada para o período de 2026-2031 e na Declaração Política da ONU. Estes documentos visam garantir a integração total dos serviços médicos especializados nos sistemas nacionais de saúde, aumentar o número de pessoas que recebem tratamento para 40 milhões e implementar medicamentos injetáveis modernos de longa duração, como o lenacapavir, que é administrado apenas duas vezes por ano e oferece proteção quase total contra o HIV.



