A Greenfield Book Store anunciou que irá encerrar as suas atividades assim que o seu contrato de arrendamento expirar, embora não tenha especificado uma data concreta. A livraria expressou gratidão aos seus clientes pelo apoio contínuo durante os últimos cinquenta anos desde a sua abertura.
Contexto das Detenções Policiais
Este anúncio veio duas semanas após as autoridades de Hong Kong realizarem buscas em duas livrarias, incluindo a Greenfield, resultando na detenção de cinco indivíduos sob suspeita de comercializar publicações consideradas sediciosas, conforme reportaram os meios de comunicação locais.
Operações em Diversas Lojas
Em 15 de julho, vídeos e fotografias divulgados por várias agências de comunicação social mostraram agentes policiais a apreender caixas no edifício onde se situa a livraria Have A Nice Stay, esta última fundada por antigos jornalistas. A agência Associated Press (AP) noticiou a apreensão de caixas na Greenfield Book Store, localizada a poucos quarteirões de distância.
Posteriormente, a polícia confirmou ter efetuado buscas em duas lojas no distrito de Mong Kok, sem revelar os nomes. Dois homens e três mulheres foram detidos por violar a Lei de Segurança Nacional de 2024, de acordo com um comunicado oficial. Esta representou a terceira onda de detenções relacionadas com livrarias independentes, seguindo operações semelhantes realizadas em março e junho.
Natureza das Acusações
A polícia declarou que investigações revelaram que os cinco detidos são suspeitos de exibir e vender materiais sediciosos. O conteúdo dessas publicações, segundo o comunicado, incluía apelos ao ódio contra o Governo, o sistema judicial e as forças de segurança da cidade. Além disso, a polícia informou que o caso foi remetido à alfândega após a descoberta de livros alegadamente subversivos num carregamento vindo do exterior para Hong Kong, sem detalhar os títulos.
Fechamentos e Histórico
A Have A Nice Stay já havia comunicado o seu encerramento previsto para 30 de agosto, citando dificuldades financeiras e a dificuldade em estabelecer uma 'linha vermelha' como fatores determinantes para a decisão. Hong Kong, cidade vizinha de Macau, era historicamente conhecida pela sua liberdade de expressão e publicação, sendo que alguns residentes chineses cruzavam a fronteira para adquirir livros politicamente sensíveis no continente.
No mesmo dia 15 de julho, a 36.ª Feira do Livro de Hong Kong teve início, um evento que marcou a exclusão de duas livrarias independentes de destaque. Em março, a polícia prendeu o proprietário e funcionários da Book Punch por suspeita de vender publicações sediciosas, entre os quais se encontrava a biografia do antigo magnata de mídia pró-democracia Jimmy Lai, condenado a 20 anos por um caso de segurança nacional. Em junho, a polícia de Hong Kong deteve dois livreiros por suspeita de vender publicações subversivas e receber financiamento de organizações políticas estrangeiras.


