Apesar da longa rivalidade entre Springboks e All Blacks, a opinião do ex-meio-campista dos Crusaders, Brian Hall, chamou a atenção. Hall afirmou no podcast Aotearoa Rugby Pod que os All Blacks possuem o ritmo e as capacidades ofensivas para 'cansar' os Springboks durante a próxima série de grandes rivais.
Contra-argumentos à previsão
No entanto, críticos apontam que a suposição de que os Springboks podem ficar exaustos baseia-se em um equívoco fundamental: que os forwards sul-africanos serão forçados a participar de uma guerra de desgaste de 80 minutos. A realidade é que, graças ao sistema de rotação desenvolvido por Rassie Erasmus, o time titular precisa apenas de 40 minutos de intensidade máxima, após o que entra um banco fresco e igualmente capaz.
A força da rotação dos Springboks
A principal tarefa do time titular é quebrar o ímpeto do adversário. E no intervalo, entra o chamado 'Esquadrão Bombardeiro' — um grupo totalmente carregado de jogadores, destinado a consolidar a vantagem. Essa possibilidade operacional depende da profundidade do elenco, algo que a Nova Zelândia não pode igualar. Os Springboks são capazes de trocar seus cinco forwards sem diminuir a qualidade ou a autoridade na jogada perto do gol, enquanto os All Blacks não têm tal excesso de posições.
Riscos do futebol de alto ritmo
A tentativa de transformar o jogo em um confronto acelerado com a bola nas mãos carrega um risco sério para os All Blacks — eles podem se cansar muito antes de conseguir romper a linha defensiva dos Bok. O futebol de alto ritmo exige um enorme gasto de energia, especialmente se a equipe estiver correndo constantemente, pois ela precisa defender sua própria bola quase impecavelmente. Os Springboks, por outro lado, controlam cada disputa pela bola, forçando a equipe ofensiva a limpar o espaço com superioridade numérica.
Ataque e contra-ataque da África do Sul
Além disso, considerar que os Springboks recuarão para uma posição defensiva ao aumentar o ritmo é uma visão ingênua. A África do Sul não se limita mais a dominar a jogada perto do gol e os ataques territoriais; eles se sentem confortáveis em um jogo aberto e não estruturado. Sua linha de trás inclui alguns dos jogadores de contra-ataque mais destrutivos do rugby mundial. Com espaço para usar jogadores como Damian Willemse, Cheslin Kolbe, Manu Libbok e Sacha Feinberg-Musengomozulu, eles podem desferir um golpe fatal. Perder a bola no meio-campo devido a um passe malsucedido ou isolamento nas alas permitirá que esses jogadores punam o adversário em um instante.
Requisitos do jogo
É crucial que qualquer estratégia ofensiva de alta intensidade exija uma base: bola limpa e rápida. Para 'cansar' os Springboks, os All Blacks devem primeiro vencer suas jogadas perto do gol e controlar a disputa pela bola. No entanto, a história e a forma recente indicam que as jogadas perto do gol da Nova Zelândia enfrentarão uma enorme pressão do elenco fresco e incansável dos Springboks, que sufoca a posse de bola do adversário na fonte.
Mesmo que os All Blacks tragam um ritmo frenético ao estádio Ellis Park, a crença de que eles simplesmente poderão 'cansar' essa equipe dos Springboks ignora as realidades do rugby internacional moderno. Graças ao 'Esquadrão Bombardeiro' fresco e rotativo e à linha de trás preparada para contra-ataques, a África do Sul está totalmente pronta para tal partida.



