Os Estados Unidos da América estão realizando uma reorganização em grande escala do sistema de financiamento científico, buscando superar os concorrentes mundiais. Um novo relatório da Casa Branca, com 123 páginas, abandona o modelo pós-guerra baseado em pesquisas universitárias e, em vez disso, aposta em cientistas individuais, descobertas gerenciadas por inteligência artificial e uma plataforma chamada Missão Genesis com um orçamento de 5 bilhões de dólares.
Nova Estratégia na Ciência
O documento intitulado Science: A New Golden Age foi apresentado ao Presidente Trump por Michael Kracios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca (OSTP), em 21 de julho. Este documento faz referência consciente ao trabalho de Vannevar Bush de 1945, 'Science: The Endless Frontier', que moldou a ordem de pesquisa americana após a guerra, mas ele reformula as reformas científicas no contexto da competição estratégica de longo prazo.
Crítica ao Modelo Antigo
O relatório de Bush de 1945 estabeleceu um 'modelo linear': fundos federais eram direcionados para pesquisas fundamentais em universidades, enquanto a comercialização permanecia responsabilidade da indústria. O novo relatório considera esse modelo obsoleto. Apesar do aumento dos investimentos, a produtividade científica desacelerou e as pesquisas ficaram excessivamente concentradas em um pequeno número de instituições estabelecidas. O documento apela para redirecionar o financiamento federal de P&D para pesquisadores individuais, enfatizando as pessoas em vez das propostas.
Missão Genesis e IA
O elemento central do relatório é a Missão Genesis, cujo objetivo é dobrar a produtividade científica dos EUA em dez anos. Esta missão é apoiada por compromissos federais superiores a 5 bilhões de dólares e cria uma plataforma unificada que conecta 17 laboratórios nacionais do Departamento de Energia dos EUA, incluindo supercomputadores, instrumentos e conjuntos de dados, com modelos de IA do setor privado.
Resultados e Argumentação
De mais de 5000 propostas submetidas, 278 projetos foram financiados, abrangendo pesquisas biomédicas, confiabilidade de redes de energia, computação quântica e produção de microeletrônica. O maior prêmio, de 600 milhões de dólares, foi concedido a um projeto de energia nuclear gerenciado por IA. A ambição é tornar a IA o sistema operacional da ciência mais americana. O relatório cita a 'abordagem dos concorrentes estrangeiros para toda a sociedade em relação à ciência e tecnologia' como o principal argumento de urgência, enfatizando a necessidade de restaurar a ligação entre descobertas científicas e produção avançada, bem como clusters de inovação regionais, para que as invenções americanas sejam produzidas e escaladas no território dos EUA.
Oposição ao Plano
A lógica do plano é simples: os EUA buscam eliminar os elos quebrados em sua própria cadeia de inovação. No entanto, este plano já gerou críticas. Legisladores do Partido Democrata e alguns especialistas em política científica afirmam que a redução do apoio às universidades pode enfraquecer o próprio sistema de pesquisa que inicialmente tornou a ciência americana líder mundial.

