A Microsoft divulgou resultados financeiros para o último trimestre que excederam as projeções do mercado, sendo o principal motor desse sucesso a plataforma de computação em nuvem Azure. Após o anúncio, as ações da empresa registraram uma alta de aproximadamente 3% no fechamento do mercado.
Desempenho financeiro geral
A receita total da Microsoft no trimestre finalizado em 30 de junho alcançou US$ 90 bilhões (equivalente a R$ 461,5 bilhões), superando a estimativa de US$ 87,6 bilhões (R$ 449,2 bilhões) fornecida pela LSEG. O lucro ajustado por ação foi de US$ 4,74 (R$ 24,30), ficando acima da previsão de US$ 4,24 (R$ 21,74).
Comparativamente ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de cerca de 18% na receita. O lucro líquido atingiu US$ 35,7 bilhões (R$ 183,4 bilhões), correspondendo a US$ 4,81 (R$ 24,66) por ação, em contraste com os US$ 27,2 bilhões (R$ 140 bilhões) ou US$ 3,65 (R$ 18,72) registrados um ano antes.
Fatores que influenciaram os resultados
A Microsoft atribuiu o bom desempenho a um ganho de US$ 3,2 bilhões (R$ 16,4 bilhões) proveniente do investimento na empresa de inteligência artificial Anthropic, somado a despesas menores do que o esperado referentes ao seu primeiro programa voluntário de aposentadoria. Por outro lado, a divisão Xbox reportou uma perda contábil (impairment).
Crescimento acelerado do Azure
O Azure foi o ponto alto do trimestre. A divisão Intelligent Cloud, responsável pelo serviço de nuvem, gerou US$ 39,3 bilhões (R$ 201,6 bilhões) em receita, representando um crescimento de 31,6% em comparação com o ano passado e superando a expectativa de US$ 38,1 bilhões (R$ 195,7 bilhões) dos analistas consultados pela StreetAccount. O Azure demonstrou uma expansão de 43%, acelerando em relação aos 40% vistos no trimestre precedente, enquanto o mercado previa cerca de 40% de crescimento.
Adicionalmente, a Microsoft comunicou que o Azure ultrapassou a marca de US$ 100 bilhões (R$ 512,8 bilhões) em receita durante o ano fiscal de 2026, atingindo este patamar pela primeira vez. Embora tenha avançado, a plataforma ainda se encontra atrás da Amazon Web Services (AWS), mas mantém uma posição superior ao Google Cloud, pertencente à Alphabet.
Destaques em outros segmentos
O Microsoft 365 Copilot, assistente de IA integrado ao pacote Office, também apresentou um avanço significativo, ultrapassando 30 milhões de licenças pagas, um número superior aos mais de 20 milhões registrados em julho.
A divisão Productivity and Business Processes, que engloba produtos como Office, Dynamics e LinkedIn, obteve uma receita de US$ 37,8 bilhões (R$ 194 bilhões), o que representa um aumento de 14,3% anualmente e superou a projeção de US$ 37,1 bilhões (R$ 190,7 bilhões).
Recuo em áreas de consumo
A área More Personal Computing, que inclui Windows, Bing, Surface e Xbox, registrou uma receita de US$ 12,8 bilhões (R$ 65,9 bilhões), marcando uma queda de 4,4% em relação ao ano anterior. Apesar dessa retração, o resultado permaneceu acima da previsão de mercado de US$ 12,1 bilhões (R$ 62,4 bilhões).
A Microsoft informou que as vendas de dispositivos Surface e de licenças do Windows destinadas a fabricantes de computadores diminuíram 7% no trimestre. A consultoria Gartner estimou que as remessas globais de PCs tiveram um recuo de 4,2% no mesmo período.
Foco contínuo em Inteligência Artificial
Apesar dos resultados positivos, investidores mantêm vigilância sobre a estratégia de IA da Microsoft. Analistas do Deutsche Bank apontaram recentemente um «certo risco de concentração» na parceria com a OpenAI, especialmente considerando o progresso dos modelos de código aberto.
Em janeiro, a Microsoft havia informado que cerca de 45% de seus US$ 625 bilhões (R$ 3,2 bilhões) em obrigações comerciais de desempenho restantes estavam vinculados à OpenAI. No trimestre analisado, esse indicador — que reflete receitas contratadas ainda não reconhecidas — elevou-se para US$ 678 bilhões (R$ 3,5 bilhões), um aumento de 8% em relação ao trimestre anterior. A companhia justificou esse crescimento principalmente por contratos firmados com clientes que não desenvolvem modelos de IA.
Próximos passos estratégicos
Durante o quarto trimestre fiscal, a Microsoft também lançou um modelo de IA focado em programação com objetivo de reduzir custos e nomeou Dan Shapero, executivo do LinkedIn, para liderar a rede social profissional. Além disso, foram implementados cortes nos preços das assinaturas do Xbox Game Pass. Os executivos da empresa planejam detalhar os resultados financeiros e apresentar perspectivas futuras em uma teleconferência com analistas.