O pesquisador e historiador iraniano Mohsen Derakeh declarou na segunda-feira que Kermanshah está entre os locais mais antigos conhecidos de assentamento humano no Planalto Iraniano e na Ásia Ocidental. Dados arqueológicos indicam a presença humana datada em até um milhão de anos.
A importância de Kermanshah para a ciência
Em comemoração ao Dia Nacional de Kermanshah, Derakeh informou à agência IRNA que as descobertas feitas em cavernas, abrigos rochosos e locais pré-históricos em toda a província confirmaram Kermanshah como um dos centros chave para o estudo da evolução humana primitiva e das sociedades pré-históricas na região.
Graças aos abundantes recursos hídricos, clima favorável, vegetação rica e montanhas Zagros, Kermanshah tornou-se um dos primeiros locais de habitação humana no Planalto Iraniano e na Mesopotâmia, de acordo com evidências arqueológicas apresentadas por Derakeh.
Achados e pesquisas históricas
Locais como Sheikh Abadi Tepe em Dinawar, Godin Tepe, Chaya Hazineh, Chaya Gavaneh, Sarab e dezenas de outros sítios arqueológicos documentaram o assentamento contínuo humano do Paleolítico até o surgimento das civilizações históricas.
As investigações científicas sobre o passado pré-histórico de Kermanshah entraram em uma nova fase na década de 1940, quando o antropólogo americano Carlton Kuhn realizou escavações na caverna de Bisutun. Segundo Derakeh, Kuhn descobriu restos paleolíticos, incluindo um osso de antebraço humano e outro material biológico, o que contribuiu para a compreensão do assentamento inicial da Ásia Ocidental.
Embora estudos posteriores tenham mostrado que um dos dentes encontrados durante as escavações não pertencia a um ser humano, o osso do antebraço permanece como uma das provas mais importantes da presença de humanos primitivos no Irã, observou ele.
Trabalhos arqueológicos futuros
Em 1959, o arqueólogo americano Robert Braithwaite e sua equipe realizaram trabalhos adicionais em sítios como Asiyab Tepe, Gand Jepe, Sarab e Ghakieh, expandindo o conhecimento sobre o assentamento pré-histórico na área. As ferramentas de pedra encontradas nessas escavações demonstraram que os primeiros humanos viviam nesta região milhares de anos atrás.
Derakeh também mencionou escavações no abrigo rochoso de Varvasi, perto de Kermanshah, onde os pesquisadores encontraram ferramentas de pedra associadas tanto aos neandertais quanto aos humanos modernos. Ele observou que alguns cientistas sugerem a possibilidade de coexistência de neandertais e humanos modernos nesta área.
As investigações arqueológicas continuaram após a Revolução Islâmica no Irã em 1979, incluindo escavações na caverna de Vezmeh, no distrito de Islamabad-e Gharb, realizadas por arqueólogos iranianos. Vários dentes encontrados na caverna foram enviados para centros de pesquisa na França para datação, e um foi identificado como pertencente a uma criança neandertal que viveu entre 40.000 e 70.000 anos atrás, acrescentou Derakeh.
Ele caracterizou essa descoberta como uma das provas científicas mais diretas da presença de neandertais no Irã e na região da Mesopotâmia. Além disso, Derakeh apontou para escavações em outra caverna ao norte de Kermanshah, onde restos de animais paleolíticos forneceram aos pesquisadores informações sobre o ambiente e o modo de vida dos primeiros humanos.
Conclusão sobre a importância da região
Trabalhos arqueológicos recentes revelaram evidências de um assentamento ainda mais antigo, e as condições naturais da região, incluindo acesso à água, vegetação e pedra adequada para fabricação de ferramentas, provavelmente favoreceram o assentamento humano repetido desde os estágios mais iniciais da história. Derakeh enfatizou que Kermanshah continua sendo uma das regiões mais importantes para pesquisas arqueológicas no Irã e na Ásia Ocidental. Ele concluiu que o estudo dos monumentos pré-históricos desta região é crucial para a compreensão da história da dispersão humana no Planalto Iraniano e na Mesopotâmia. O pesquisador também observou que o Dia Nacional de Kermanshah oferece uma oportunidade para destacar o patrimônio histórico e cultural da província e incentivar o fortalecimento das medidas de proteção de seus sítios arqueológicos.



