Existe uma dúvida frequente sobre o que ocorre com satélites que finalizam sua vida útil no espaço: eles são removidos de suas órbitas ou permanecem, contribuindo para o acúmulo de lixo espacial?
Existe uma dúvida frequente sobre o que ocorre com satélites que finalizam sua vida útil no espaço: eles são removidos de suas órbitas ou permanecem, contribuindo para o acúmulo de lixo espacial?
Atualmente, cerca de 17,6 mil satélites estão operando ao redor do nosso planeta, desempenhando papéis cruciais em diversas áreas. Suas funções incluem a transmissão de sinais de telecomunicações, o monitoramento meteorológico, a observação da Terra para auxiliar na agricultura e fiscalizar o desmatamento, o suporte à navegação, como o GPS, além de apoiar estudos astronômicos.
Quando esses dispositivos param de funcionar, geralmente há duas possibilidades: ou o satélite é direcionado para fora da órbita para reentrar na atmosfera, ou ele permanece no espaço, tornando-se um detrito espacial.
Os satélites ativos utilizam quatro categorias distintas de órbita. A Órbita Baixa da Terra (LEO) abrange altitudes de até 2.000 km. A Órbita Terrestre Média (MEO) estende-se de 2.000 km até aproximadamente 35.786 km. A Órbita Geoestacionária (GEO) situa-se a 35.786 km sobre o equador, caracterizando-se por um período de rotação igual ao da Terra, dando a ilusão de permanência fixa no céu, o que é ideal para comunicações e meteorologia.
Outra categoria é a Órbita Altamente Elíptica (HEO), definida por grandes variações entre os pontos mais baixo e mais alto da trajetória.
A maior concentração de satélites ativos, cerca de 12,8 mil, encontra-se na LEO, região que possui uma atmosfera muito tênue. Com o tempo, essa atmosfera gera resistência, diminuindo gradualmente a velocidade e a altitude do satélite.
Ao perder altitude suficiente, o satélite entra na atmosfera em alta velocidade. O atrito provoca um aquecimento extremo, podendo ultrapassar 1.500 °C, resultando na vaporização ou fragmentação da maior parte do objeto. Por isso, muitos modelos modernos são projetados para realizar uma reentrada controlada, utilizando combustível remanescente para cair em locais seguros, frequentemente sobre oceanos pouco habitados, como a Área Desabitada do Pacífico Sul.
Em órbitas mais elevadas, como a GEO, a reentrada exige um consumo considerável de combustível. Nesses casos, os operadores movem o satélite para uma 'órbita cemitério', situada algumas centenas de quilômetros acima da órbita operacional, mantendo-o distante de satélites ativos para minimizar riscos de colisão.
Estes satélites em órbita cemitério permanecem lá indefinidamente, embora fatores como pressões de radiação solar e perturbações gravitacionais possam alterar suas trajetórias. Sem comunicação ou combustível, tornam-se objetos inertes, juntando-se a estágios de foguetes e outros detritos humanos, formando o lixo espacial.
Historicamente, muitas missões iniciais não seguiam protocolos de descarte adequados, deixando satélites em órbita após o término da missão, o que contribuiu para o acúmulo de detritos.
Atualmente, a Rede de Vigilância Espacial dos EUA monitora cerca de 28 mil pedaços de lixo espacial, mas milhões de fragmentos menores são impossíveis de rastrear. Explosões causadas por combustível residual são uma fonte significativa de novos detritos, segundo a Agência Espacial Europeia (ESA).
Com o aumento dos lançamentos, impulsionado pelo setor privado, as colisões tendem a se tornar a principal causa de geração de lixo espacial no futuro. Empresas como a SpaceX, liderada por Elon Musk, lançam semanalmente entre 20 e 60 satélites do sistema Starlink.
Um fragmento de lixo espacial viaja a aproximadamente 28.000 km/h. Se atingir outro satélite, pode desencadear a síndrome de Kessler, um efeito cascata onde colisões geram mais detritos, elevando o risco de novas colisões. A ESA alerta que, com as taxas de lançamento atuais e a projeção de fragmentações históricas, o número de detritos crescerá constantemente, aumentando a probabilidade de colisões catastróficas.
O planejamento de uma missão espacial que abrange todo o Sistema Solar representa uma enorme complexidade mesmo hoje em dia. Imaginar tal empreendimento nos anos 70, quando o poder computacional dos computadores era incomparavelmente menor do que o de um smartphone moderno, é um verdadeiro desafio.
No entanto, foi essa ousadia que levou à criação dos lendários aparelhos Voyager, lançados em 1977 com o objetivo de explorar planetas gigantes e revelar um universo muito mais dinâmico e surpreendente do que os cientistas previam.
Ao longo de quase cinco décadas, as espaçonaves Voyager 1 e 2 expandiram significativamente nosso entendimento de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Elas descobriram fenômenos sem precedentes, registraram imagens históricas e, o que é mais importante, tornaram-se os primeiros objetos criados pelo ser humano a explorar o espaço interestelar. Sua contribuição mudou para sempre a história da exploração espacial e continua a gerar resultados científicos até hoje.
Para relembrar esta aventura notável, saber os detalhes por trás das cenas e entender por que os Voyager permanecem entre as missões mais importantes na história da astronomia, o astrônomo amador e divulgador científico Alexandre Mota participa do programa Olhar Espacial. Isso promete ser uma viagem fascinante por uma das maiores epopeias das pesquisas espaciais.
O programa Olhar Espacial, conduzido por Marcelo Zurita, presidente da Associação de Astronomia Paraibana (APA) e membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), bem como pelo diretor técnico Bramon e coordenador nacional do Asteroid Day Brasil, é transmitido ao vivo toda sexta-feira às 21h, horário de Brasília, pelos canais oficiais do emissor no YouTube, Facebook, Instagram, X (anteriormente Twitter), LinkedIn e TikTok.
Alexandre Mota é divulgador científico, astrofotógrafo e astrônomo amador. Ele dedica seu tempo à divulgação da astronomia, traduzindo, escrevendo e gravando vídeos com abordagem didática para o projeto Mistérios do Espaço. Ele é natural de Conceição do Coite e estudante do curso de Comunicação Social da Universidade do Estado da Bahia.