O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou a conclusão da primeira revisão no âmbito do Programa Monitorado (SMP) de 10 meses de Zimbábue. Esta decisão foi tomada pela liderança do FMI em 27 de julho e marca uma etapa importante nos esforços do país para restaurar a solidez econômica, pagar dívidas e retomar as relações com a comunidade financeira global.
Resultados da implementação do programa
De acordo com dados do FMI, a implementação do programa em Zimbábue até o final de março de 2026 foi bem-sucedida. Todos os objetivos quantitativos e indicadores estruturais foram alcançados, e a maioria dos objetivos indicativos também foi cumprida. O FMI observou que a economia de Zimbábue manteve a estabilidade, apesar do cenário mundial mais complexo.
O crescimento econômico em 2025 atingiu 8,3%, impulsionado pela melhoria da produção agrícola, um forte setor de mineração e preços favoráveis do ouro. A inflação permaneceu moderada graças à política monetária rigorosa e à relativa estabilidade cambial.
Previsões e riscos econômicos
Em perspectiva, o FMI prevê que a economia de Zimbábue crescerá 5% em 2026, com uma média de 4,2% no médio prazo. Espera-se que a inflação permaneça dentro de números de um dígito, e o superávit da conta corrente do país, embora esperado em declínio, permanecerá positivo.
No entanto, o Fundo alertou para a existência de riscos que podem afetar negativamente as previsões, incluindo o possível impacto de um grande evento El Niño e a retomada de conflitos no Oriente Médio.
Política fiscal e medidas de controle
Do ponto de vista financeiro, Zimbábue excedeu o alvo do balanço orçamentário primário até o final de março, o que foi resultado de uma arrecadação de receitas maior do que o esperado. O FMI elogiou o compromisso do governo em cumprir o orçamento nacional aprovado para 2026, bem como em acumular quaisquer receitas adicionais para criar reservas financeiras em caso de necessidades de segurança alimentar em 2027.
O Fundo também enfatizou as medidas destinadas a reduzir os riscos fiscais. Estas incluem o reforço do controle sobre os incentivos de fornecimento de ouro, a adoção de uma abordagem de gestão de obrigações baseada em regras e o fortalecimento das medidas de proteção na liquidação de dívidas internas.
Elogios e recomendações do FMI
O FMI avaliou positivamente o trabalho do Banco de Reserva de Zimbábue por manter uma política monetária rigorosa para conter a inflação e garantir a estabilidade cambial. O Fundo também aprovou a introdução de um instrumento de depósito a prazo denominado em ZiG, classificando-o como um passo positivo para o uso mais amplo de instrumentos de política monetária de mercado. Adicionou que a redução gradual da dependência de certificados de depósito não negociáveis fortalecerá a transmissão da política monetária e aprofundará os mercados monetários internos.
Além disso, o FMI apoiou os planos de Zimbábue para maior liberalização do mercado de câmbio e reforma do sistema de intervenção cambial do país. Reconhecendo o progresso, o FMI apontou que um objetivo indicativo relacionado a despesas sociais protegidas e prioritárias foi perdido, o que sublinha a necessidade de melhorar a execução orçamentária e o apoio oportuno aos domicílios vulneráveis.
O Fundo recomendou enfaticamente a continuação das reformas nas áreas de gestão das finanças públicas, gestão de riscos fiscais e aumento da transparência, responsabilidade e confiança dos investidores. O progresso sustentado no âmbito do SMP, juntamente com os esforços para conciliar dados de dívida e desenvolver uma estratégia sólida de resolução de dívidas, ajudará Zimbábue a promover o diálogo com credores internacionais e a fortalecer seu processo de engajamento na comunidade financeira global.

