Após a inclusão do «Castelo de Alamut e Fortalezas Associadas» na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, o Irã propôs à Coreia do Sul a criação de um grupo de trabalho conjunto para trabalhar na restauração, preservação e documentação digital do patrimônio cultural.
Proposta e Reunião das Partes
O ministro iraniano de Cultura, Turismo e Artesanato, Seyed Reza Salehi-Amiri, apresentou esta proposta durante reuniões realizadas na margem da 48ª Sessão do Comitê Mundial do Patrimônio da UNESCO em Busan. Ele discutiu a iniciativa com Cho Min, chefe do Serviço de Patrimônio da Coreia, que acolheu positivamente tal proposta, conforme relata a IRNA na segunda-feira.
Nova Inclusão na Lista de Patrimônio
A reunião ocorreu após o Comitê Mundial do Patrimônio da UNESCO ter incluído o complexo de sítios «Castelo de Alamut e Fortalezas Associadas» como o trigésimo bem material do patrimônio cultural do Irã na Lista do Patrimônio Mundial no domingo. Este bem recém-incluído compreende sete castelos e fortalezas localizados nos vales leste e oeste de Alamut, bem como nas encostas sul dos Montes Alborz na província de Qazvin.
A UNESCO observou que estes locais representam um sistema defensivo e administrativo integrado, que funcionou entre os séculos XI e XIII. Foi reconhecido que este bem é um exemplo de paisagem montanhosa fortificada, demonstrando habilidades de planeamento, arquitetura defensiva, gestão de recursos hídricos e organização espacial.
Prioridades do Irã na Preservação do Patrimônio
Salehi-Amiri classificou esta inclusão como uma «conquista histórica» para o Irã e afirmou que ela marca o início de uma responsabilidade mais ampla pela proteção deste local. O ministro sublinhou que os habitantes do Irã, especialmente da província de Qazvin, celebram a inclusão de Alamut na lista. Ele observou que este evento permanecerá para sempre na memória histórica da nação iraniana.
Ele acrescentou que este reconhecimento aumentou tanto a responsabilidade do Irã quanto da comunidade internacional na preservação, apresentação e transmissão deste patrimônio às gerações futuras. O ministro também mencionou os danos causados a 149 sítios históricos no Irã devido a ataques recentes, que ele ligou ao regime de Israel e Estados Unidos, declarando a necessidade de utilizar a experiência de países que restauraram o patrimônio cultural danificado.
Busca por Parceria com a Coreia do Sul
Salehi-Amiri indicou que a Coreia do Sul, possuindo vasta experiência na restauração do patrimônio cultural, pode ser um parceiro importante neste caminho. Ele convidou Cho Min a visitar o Irã e informou que o Instituto de Pesquisa de Patrimônio Cultural do país, com quase cem anos de experiência, está pronto para colaborar com colegas coreanos através de projetos científicos conjuntos e intercâmbios.
O ministro também relatou que o Irã dá prioridade à transformação digital no setor de patrimônio, incluindo o uso de tecnologias inteligentes, documentação tridimensional de locais históricos e inteligência artificial para apresentar o patrimônio cultural iraniano ao público internacional. As partes discutiram a cooperação em conservação, restauração, formação de especialistas, digitalização, inteligência artificial, exposições conjuntas e intercâmbios profissionais.
Interesses do Irã e Posição da Coreia
Além disso, o vice-ministro de Patrimônio Cultural, Ali Darabi, expressou o interesse do Irã em utilizar a experiência da Coreia do Sul em áreas como restauração, gestão de museus, tecnologias digitais e documentação do patrimônio. Darabi prevê que o número de museus no Irã atingirá em breve cerca de 1000, o que criará oportunidades para exposições conjuntas e troca de artefatos culturais entre os dois países. Ele também observou que a assinatura de um memorando de entendimento entre os órgãos de patrimônio do Irã e da Coreia do Sul fornecerá uma base para uma cooperação de longo prazo.
Cho Min expressou solidariedade em relação à recente situação no Irã e observou que a participação da delegação iraniana na reunião em Busan demonstrou o compromisso do país com o patrimônio cultural. Ele enfatizou que nenhum país pode proteger totalmente o patrimônio comum da humanidade sozinho, e a cooperação internacional é uma forma crucial de preservar este patrimônio comum.
Cho Min afirmou que, após a reunião da UNESCO, será criado um mecanismo para sustentar a cooperação com os países participantes, incluindo o Irã. Recordando a reconstrução pós-guerra do patrimônio cultural da Coreia do Sul, ele manifestou compreensão pelas circunstâncias do Irã e disposição para cooperar na restauração de monumentos danificados, formação de especialistas, aplicação de inteligência artificial, documentação digital e projetos conjuntos de patrimônio. Ele caracterizou a inclusão do Castelo de Alamut como um desenvolvimento importante tanto para o Irã quanto para a comunidade mundial, expressando esperança de que isso marque o início de uma nova fase de parceria estratégica entre os dois países na área do patrimônio cultural.