O governo australiano, com o apoio do executivo do primeiro-ministro Anthony Albanese e do governo do estado da Austrália Ocidental, destinará quatro milhões de dólares australianos (equivalente a cerca de 2,25 milhões de euros) para iniciar a análise de um projeto de construção de refinaria de petróleo. Este empreendimento será conduzido por uma empresa privada, conforme anunciou a ministra dos Recursos, Madeleine King, em declarações à imprensa.
Necessidade de autossuficiência energética
Atualmente, a Austrália depende da importação de aproximadamente 90% dos combustíveis líquidos consumidos, resultado do fechamento gradual de diversas refinarias ao longo dos últimos 25 anos. Das instalações existentes, apenas as localizadas em Lytton, em Brisbane (no leste), e em Geelong, no estado de Victoria (ao sul), permanecem em operação.
Contexto geopolítico e estratégico
Madeleine King justificou a iniciativa como uma resposta à piora do cenário geopolítico e à urgência de fortalecer a capacidade nacional de suprimento. Em entrevista à emissora pública ABC, ela destacou que o conflito no Médio Oriente gera instabilidade no mercado energético global, tornando a segurança do fornecimento de combustível crucial para o futuro do país.
O estudo proposto visa determinar o local mais apropriado para as novas infraestruturas, avaliando também sua viabilidade técnica e econômica. A ministra apontou que o norte da Austrália Ocidental apresenta condições vantajosas, graças à sua infraestrutura industrial e ao acesso ao Oceano Índico.
Vantagens da capacidade própria
Além disso, a ministra ressaltou que possuir capacidade própria de refino permitiria à Austrália estocar petróleo bruto por longos períodos e processá-lo quando necessário, oferecendo uma vantagem significativa em comparação com a dependência exclusiva de combustíveis refinados, cuja durabilidade é mais restrita.
Este projeto se insere em uma estratégia mais ampla do Governo australiano para aumentar a segurança energética, motivada pelo aumento da volatilidade nos mercados internacionais de petróleo, o que elevou os custos dos combustíveis. Paralelamente, o Governo australiano segue analisando a possibilidade de reduzir temporariamente o imposto especial sobre combustíveis, cujo prazo finaliza no começo de agosto. Embora King não tenha confirmado uma prorrogação, garantiu que o governo está avaliando medidas para mitigar o impacto do aumento dos preços da gasolina e do diesel nas famílias.
Reações ambientais
O anúncio gerou críticas por parte de grupos ecologistas, como o Greenpeace, que defendem que a Austrália deveria priorizar a aceleração da transição para fontes de energia limpa, em vez de investir na expansão de infraestruturas relacionadas a combustíveis fósseis.



