De acordo com a pesquisa African Youth Survey 2026, os jovens africanos demonstram um nível de otimismo mais alto sobre o futuro do que em qualquer período após a pandemia de Covid-19. No entanto, problemas sérios persistem, como o aumento do custo de vida, o desemprego e a corrupção. Além disso, a juventude da África do Sul se mostrou um dos grupos mais pessimistas no continente.
Tendências Gerais e Previsão Econômica
A pesquisa publicada na terça-feira indica uma crescente confiança nas economias nacionais e no futuro da África após um período de incerteza. Esses resultados surgem em meio a uma pressão crescente sobre muitos governos africanos, que são forçados a lidar com questões de desemprego juvenil, aumento de preços e exigências públicas por maior responsabilidade e oportunidades econômicas.
Contraste Regional
A previsão continental positiva não se refletiu na África do Sul, onde a juventude ocupou um lugar entre os menos otimistas tanto quanto ao futuro de seu país quanto à direção do desenvolvimento africano. A pesquisa revelou que 69% dos entrevistados na África do Sul acreditam que a África está indo na direção errada, colocando-os no mesmo patamar que a juventude do Quênia entre os mais pessimistas do continente. Além disso, a África do Sul figurou entre os países onde a juventude foi mais pessimista em relação à sua direção, economia, segurança ou previsão global geral.
Sucessos e Prioridades
Em contraste, Ruanda demonstrou o nível mais alto de confiança na direção nacional, enquanto Gana, Etiópia e Zâmbia registraram uma melhoria significativa no otimismo em comparação com a pesquisa anterior. Entre os oito países monitorados em cada edição desde 2020, 47% dos entrevistados afirmaram que seu país está indo na direção certa, o que é superior aos 30% registrados em 2024. A confiança nas economias nacionais também aumentou: 45% notaram o movimento da economia na direção certa, em comparação com 26% dois anos atrás, e 43% disseram que a própria África está indo na direção correta.
Principais Desafios para o Continente
Apesar do otimismo crescente, os jovens africanos identificaram o aumento do custo de vida como o problema mais significativo afetando o continente nos últimos cinco anos. Quando questionados sobre o que a África mais precisa para acelerar o progresso, os entrevistados colocaram a criação de empregos bem remunerados em primeiro lugar, seguido pela redução da corrupção governamental. Uma geração mais jovem do que nunca declarou que os governos deveriam simplificar o processo de abertura de negócios.
Segurança e Democracia
A pesquisa também estabeleceu uma forte ligação entre emprego e segurança pública. Mais da metade dos entrevistados acredita que a criação de empregos para os jovens terá um impacto positivo maior na segurança do que o aumento dos gastos militares. Isso confirma a opinião de que o desemprego e a pobreza são não apenas ameaças econômicas, mas também ameaças à estabilidade e coesão social. Ivo Ichkovitz, fundador e comissário do African Youth Survey, observou: «Não se deve confundir este otimismo com satisfação. Não é uma expressão de confiança no status quo». Ele acrescentou que «os jovens africanos ainda acreditam neste continente, mas não estão mais dispostos a confundir esperança com paciência enquanto lutam contra o custo de vida, desemprego, corrupção e governos que falam muito sobre o futuro, excluindo a geração que deve vivê-lo».
Participação Política e Relações Internacionais
A pesquisa também revelou um forte apoio à governança democrática: 73% dos entrevistados consideram que a democracia é preferível a qualquer outro sistema de governo. No entanto, 56% afirmaram que o modelo ocidental de democracia não é adequado para a África, pedindo um modelo que reflita melhor as realidades do continente, mantendo ao mesmo tempo eleições livres e justas, liberdade de expressão e igualdade perante a lei. Em vez de rejeitar a democracia, os entrevistados desejam um sistema capaz de garantir tanto liberdades políticas quanto oportunidades econômicas. Apesar das frustrações, 84% dos entrevistados confiam que a juventude poderá influenciar significativamente a tomada de decisões políticas nos próximos cinco anos, embora 76% acreditem que os líderes políticos permanecem desconectados das necessidades e aspirações de sua geração.
Metodologia e Política Externa
A pesquisa foi encomendada pelo Ichkovitz Family Foundation e conduzida pela PSB Insights. Em março de 2026, ela abrangeu 4901 jovens de 18 a 24 anos em 16 países: Burkina Faso, Chade, Congo-Brazzaville, República Democrática do Congo, Etiópia, Gana, Quênia, Libéria, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Somália, África do Sul, Togo, Zâmbia e Zimbábue. Este é o maior volume de publicação da pesquisa desde seu lançamento em 2020. Os resultados também mostraram que os jovens africanos adotam uma abordagem pragmática às relações internacionais, preferindo que os governos priorizem parcerias que garantam comércio, investimento e infraestrutura, em vez de conformidade ideológica. Investimentos em infraestrutura e crescimento econômico foram avaliados acima da conformidade política ao escolher parceiros internacionais, sendo a China e os Estados Unidos nomeados como as duas potências externas mais influentes do continente. Ichkovitz enfatizou que os resultados demonstram a compreensão por parte desta geração da forte ligação entre prosperidade e segurança, afirmando que «a prosperidade é uma das formas mais poderosas de segurança».