De acordo com a SA Canegrowers, a importação de açúcar nos primeiros cinco meses de 2026 excedeu quase o dobro dos números do mesmo período do ano passado. A indústria sul-africana alertou que o aumento das importações está expulsando o açúcar local das prateleiras dos supermercados, ameaçando o sustento de mais de um milhão de pessoas, o que leva a novos apelos para que o governo revise urgentemente a estrutura tarifária do país.
Aumento das Importações e Dados
Novos dados publicados pela SA Canegrowers indicam que o volume de importação de açúcar quase dobrou nos primeiros cinco meses de 2026. Isso aumenta a pressão sobre os produtores e processadores locais, que já enfrentam queda na demanda interna e redução de preços.
Segundo dados da SARS (South African Revenue Service), a África do Sul importou 94.984 toneladas de açúcar de janeiro a maio deste ano, em comparação com 55.213 toneladas no mesmo período de 2025. Este aumento se seguiu a um crescimento acentuado das importações no ano passado e representa um salto significativo em comparação com apenas 1.491 toneladas importadas nos primeiros cinco meses de 2022.
Deficiências da Proteção Tarifária
A organização setorial observou que este pico demonstra a incapacidade da proteção tarifária atual da África do Sul de acompanhar as mudanças nos mercados globais de açúcar. A SA Canegrowers apela veementemente ao Ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, Parks Tau, para acelerar a revisão do mecanismo de tarifas de açúcar no país. O argumento é que os atrasos submetem os produtores nacionais à concorrência injusta de fornecedores internacionais fortemente subsidiados.
A Comissão Internacional de Comércio (ITAC) já está analisando se as tarifas de açúcar na África do Sul ainda são adequadas após o pedido do setor há mais de 18 meses.
Impacto no Mercado Interno
O impacto no mercado interno já se tornou evidente. De acordo com a Associação Sul-Africana de Açúcar, as vendas locais de açúcar foram de 255.015 toneladas no período de abril a junho deste ano, o que representa uma queda de mais de 45.000 toneladas em comparação com o mesmo período de 2025. Esta queda é ainda mais notável quando comparada com anos anteriores. Antes do enfraquecimento do sistema tarifário, as vendas de açúcar no mercado interno atingiam 428.422 toneladas neste trimestre, o que significa uma perda de quase 175.000 toneladas de vendas no mercado local ao longo de vários períodos.
O presidente da SA Canegrowers, Mdluli Higgins, caracterizou a situação como uma crise para um dos setores agrícolas mais importantes da África do Sul. Ele declarou: «Cada tonelada de açúcar local substituída por importações é um golpe direto na receita do produtor, na viabilidade da fábrica de processamento e na estabilidade da comunidade rural». Ele enfatizou que a escala do ocorrido é nada menos que uma crise.
Fontes de Importação e Consequências
O grupo de lobby da indústria açucareira informou que as importações que inundam o mercado sul-africano provêm principalmente de países como Brasil, Índia e Tailândia. Nesses países, os produtores se beneficiam de generosos subsídios governamentais e regimes de etanol integrados, que efetivamente permitem vender o excesso de açúcar nos mercados mundiais a preços abaixo do custo de produção para os produtores sul-africanos.
A organização ressaltou que isso não é apenas um problema do setor: cada pacote de açúcar importado que substitui o produto local coloca em risco empregos, rendimentos familiares e a sobrevivência das comunidades rurais sul-africanas, sem tornar os produtos mais baratos para os consumidores. Os agentes de importação adquirem esse açúcar barato no exterior e o vendem dentro do país a preços comparáveis à produção local, obtendo lucro, enquanto os produtores de açúcar, trabalhadores das fábricas de processamento e economias rurais de KwaZulu-Natal e Mpumalanga sofrem com a queda nas vendas do açúcar local.
De acordo com o acordo da indústria açucareira sul-africana, o açúcar que não foi vendido na África do Sul deve ser exportado. As vendas de açúcar sul-africano no mercado mundial já distorcido levam a perdas adicionais. A SA Canegrowers afirmou que isso mina ainda mais a capacidade do setor local de obter lucros do cana-de-açúcar processado e moído, levando a um preço projetado por tonelada que é mais de 10% inferior ao do ano anterior, situando-se em cerca de 6.600 rand por tonelada em julho deste ano.
Mdluli acrescentou que cada semana de atraso na correção do preço base em dólares custa à indústria centenas de milhões de rand em vendas perdidas. Ele especificou: «Não estamos pedindo tratamento especial. Estamos pedindo que o mecanismo tarifário existente seja implementado corretamente para garantir condições de igualdade de jogo». Ele concluiu que a indústria açucareira sul-africana sustenta mais de um milhão de fontes de renda, a maioria delas em áreas rurais de KwaZulu-Natal e Mpumalanga, onde o cultivo de cana-de-açúcar é frequentemente a única fonte de renda estável e atividade econômica para comunidades inteiras. Ele acrescentou: «Permitir que este setor seja minado por importações injustas devido a um ajuste administrativo de tarifas seria desleal».


