A Unidade Especial de Investigação (SIU) alcançou um sucesso significativo em seus esforços anticorrupção dentro da Comissão Nacional de Loterias (NLC). Um Tribunal Especial decidiu que um subsídio de R$ 4 milhões concedido à Fundação Mshandukani era ilegal, ordenando subsequentemente o reembolso dos fundos juntamente com os juros acumulados.
Decisão Judicial e Fundamentos
Na terça-feira, o Tribunal Especial revisou e invalidou a decisão da NLC de conceder o financiamento à fundação, declarando inválido tanto o acordo de subsídio quanto a aprovação do financiamento. O Tribunal determinou que a Fundação Mshandukani, sua presidente Pretty Shandukani, Takalani Israel Mulandana, Thambatshira Maria Khameli e Preldon Construction devem devolver conjuntamente e solidariamente os R$ 4 milhões. Este valor acumulará juros a uma taxa de 10,75% anualmente até que o reembolso total seja efetuado.
Conclusões da Investigação da SIU
Esta decisão decorre de uma investigação da SIU que descobriu irregularidades substanciais relativas à concessão e utilização dos fundos. A SIU relatou que o pedido de financiamento foi baseado em um projeto que já havia sido concluído vários anos antes, e, além disso, o dinheiro do subsídio foi redirecionado para entidades ligadas à liderança da fundação.
A Fundação Mshandukani apresentou um pedido em fevereiro de 2019 solicitando R$ 4,7 milhões para uma iniciativa de desenvolvimento comunitário focada no fornecimento de água potável a comunidades no Cabo Oriental. A proposta alegava beneficiar mais de 8.000 indivíduos vulneráveis e gerar 15 oportunidades de emprego em tempo parcial. O antigo Diretor de Operações da NLC, Phillemon Letwaba, sancionou este pedido em 12 de março de 2019, e a NLC transferiu R$ 4 milhões para a conta bancária da fundação apenas oito dias depois, em 20 de março.
Irregularidades Financeiras e Qualidade do Trabalho
No entanto, os investigadores determinaram que o projeto mencionado no pedido havia sido concluído anos antes da data do pedido. A SIU confirmou que as instalações de poços artesianos referenciadas na solicitação de financiamento foram, na verdade, realizadas em 2016 pela Mshandukani Holdings, uma empresa de propriedade de Mashudu Mshandukani, e não como parte do projeto financiado pela NLC. Uma revisão financeira detalhada rastreou o fluxo dos fundos da loteria, revelando que quantidades consideráveis foram canalizadas para empresas e indivíduos afiliados à gestão da fundação e associados da NLC.
Especificamente, R$ 3,6 milhões foram desembolsados para a Preldon Construction, uma empresa pertencente à Sra. Mshandukani. Desse montante, R$ 500.000 foram para a Ironbridge Travelling Agency and Events, uma empresa de propriedade da esposa de Letwaba, Rebotile Malomane. Um adicional de R$ 550.000 foi pago à Mshandukani Holdings. Os investigadores também descobriram outros pagamentos da Preldon Construction, incluindo R$ 2,1 milhões para a Mshandukani Holdings, R$ 700.000 para a fundação, R$ 150.000 para um associado e R$ 120.000 depositados na conta bancária particular de Mshandukani.
Além disso, a SIU observou que o próprio projeto de poço artesiano sofreu com execução abaixo do padrão. A unidade afirmou que um engenheiro de custos nomeado durante a investigação concluiu que a qualidade da construção do poço artesiano era precária.
Problemas de Gestão e Conformidade
A investigação também destacou deficiências na governança e conformidade relacionadas ao projeto. A SIU descobriu que o Município Local de Engcobo carecia da autoridade legal sobre as escolas e clínicas onde os poços artesianos estavam localizados. Além disso, a fundação falhou em obter as permissões necessárias estipuladas pelo Ato Sul-Africano de Escolas e negligenciou consultar o Departamento de Educação Básica. Outra descoberta foi que dois funcionários da Mshandukani Holdings foram listados como membros da fundação sem seu conhecimento ou consentimento.
A SIU observou que nem a fundação, Letwaba, Ironbridge Travelling Agency and Events, nem a Sra. Malomane ofereceram qualquer justificativa sobre como os fundos do subsídio foram utilizados. O Tribunal também indicou que a SIU encaminhou o assunto para outros três casos envolvendo partes implicadas nestes procedimentos.
Competências e Objetivos da SIU
O Presidente Cyril Ramaphosa autorizou a SIU através da Proclamação R32 de 2020 para investigar alegações de má gestão e corrupção na Comissão Nacional de Loterias e para recuperar perdas incorridas pelo estado. A SIU expressou satisfação com o julgamento, afirmando que esta decisão contribui para seus objetivos mais amplos de recuperação de finanças públicas e melhoria da responsabilização dentro dos órgãos governamentais.