Durante o Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026, realizado em Barcelona, o tema central foi 'Becoming. Arquiteturas para um Planeta em Transição'. Este tema posicionou a arquitetura como uma área de atuação diretamente ligada às mudanças ambientais, sociais e políticas, e não como algo periférico a elas.
Visão de Andrés Jaque sobre a Arquitetura
Entre os participantes deste congresso esteve o arquiteto Andrés Jaque, que é fundador do Office for Political Innovation e decano da Graduate School of Architecture, Planning and Preservation (GSAPP) da Universidade de Columbia. O ArchDaily entrevistou Jaque para discutir a capacidade da arquitetura de propor soluções, a importância da experimentação na formação acadêmica e a necessidade de encarar a transição como um estado contínuo, e não como um ponto final.
Para Jaque, a atual relevância da arquitetura advém do fato de que muitas das estruturas que definem a sociedade contemporânea estão sendo questionadas. Em vez de ver o cenário atual como um momento de colapso, ele o interpreta como uma oportunidade onde arquitetos podem ajudar a planejar novas maneiras de organizar a vida comunitária. Assim, questões como ecologia, equidade social e modelos alternativos de convivência não são temas secundários, mas sim parte integrante das bases operacionais da disciplina.
Design como Processo de Ação
Essa perspectiva influencia diretamente a definição de design apresentada por Jaque. Ele argumenta que o design transcende a mera criação de formas; trata-se de um processo que demanda investigação, raciocínio e profundo envolvimento com questões mais amplas. A arquitetura, nesse sentido, funciona como um modo de ação através do design, onde as escolhas feitas sobre edifícios e espaços são, simultaneamente, decisões sobre como a vida coletiva será estruturada.
Estudos de Caso e Colaboração
Ao abordar o papel dos projetos arquitetônicos, Jaque exemplificou como edificações podem evidenciar possibilidades distintas. Referindo-se ao projeto da Reggio School, ele esclareceu que essa iniciativa contestou a noção de que as escolas deveriam proteger as crianças da complexidade do mundo. Pelo contrário, o projeto focou na educação como um processo que ocorre pela exposição à variedade, a dinâmicas constantes e a condições ainda em desenvolvimento.
O desenvolvimento desse projeto também ilustrou a visão de Jaque sobre a arquitetura como um esforço colaborativo. Ele detalhou a participação de professores, famílias, tutores e estudantes, ao mesmo tempo em que levou em conta o histórico ambiental da área, incluindo problemas como poluição e perda de biodiversidade no entorno. Neste contexto, ele entende que o papel do arquiteto não é apenas gerar ideias isoladamente, mas sim criar as circunstâncias necessárias para que diversas visões possam contribuir para a concepção do projeto.
Questões Relevantes para o Futuro
Quando questionado sobre quais tópicos o Congresso deveria priorizar, Jaque indicou preocupações que já estão presentes na vida moderna. Em vez de sugerir uma única questão faltante, ele mencionou temas como acessibilidade econômica, justiça, alternativas à violência e ao militarismo, e modos de vida fundamentados na diversidade. Para ele, esses debates já permeiam as conversas diárias, o ativismo e o debate público, conferindo-lhes grande pertinência para arquitetos e arquitetas.