O Supremo Tribunal criticou duramente as alegações de que o governo do estado de Bihar está tentando preencher partes de três lagos históricos em Darbhanga para criar comodidades públicas, como áreas de lazer e pontos comerciais. O tribunal exigiu na terça-feira que o governo do estado se abstivesse de interferir nos corpos d'água sob o pretexto de melhorias sem obter a aprovação adequada.
Suspensão dos trabalhos de melhoria
A comissão de juízes Vikram Nath e Sandeep Mehta ordenou a paralisação imediata dos trabalhos atuais no âmbito do projeto 'Melhoria e Restauração dos Lagos Gangasagar, Diggi e Harahi'. Apesar de o estado negar as acusações de apropriação de terras e pedir ao tribunal que permita a continuação dos trabalhos, descrevendo o projeto como ambicioso e com um custo superior a 100 crore de rúpias, a comissão recusou-se a ceder e decidiu que quaisquer ações futuras são proibidas.
Os juízes disseram ao advogado Manish Kumar, que representava o governo do estado: 'Vocês não podem preencher os corpos d'água sob o pretexto de melhoria. Não toquem nos lagos de água, mantenham as mãos longe e digam aos seus funcionários para não tocarem nos lagos.'
Acusações e posições das partes
A publicação TOI relatou anteriormente, em 13 de julho, com fotos, que três lagos em Darbhanga estão sendo aterrados com terra e pedregulhos para a criação de caminhos pedestres e quiosques, apesar da forte oposição de moradores locais e ecologistas.
A advogada Renu Prajapati, representando o grupo de voluntários Talab Bachao Abhiyan (TBA) de Darbhanga, informou ao tribunal que esses três lagos fazem parte da lista de zonas úmidas protegidas, e qualquer construção em suas margens violaria regras e decisões anteriores do tribunal superior. Ela também indicou que o próprio estado reconheceu em sua declaração que cerca de quatro acres dos lagos seriam preenchidos no âmbito do projeto.
Argumentos do estado e decisão do tribunal
Em sua declaração oficial, o estado afirmou que não há preenchimento arbitrário dos corpos d'água, mas sim uma atividade estritamente limitada e cuidadosamente planejada de 'aterro de terra e colocação de pedras'. A declaração dizia: 'Este processo é necessário para estabilizar e fortalecer as margens fortemente erodidas, cumprindo diretamente o mandato da decisão do NGT. Além disso, a área de aterro é limitada — por exemplo, corresponde exatamente a 1,00 acre de 37,73 acres do terreno de Harahi, 1,42 acres de 50,97 acres do Lago Diggi e 1,69 acres de 44,22 acres do Lago Gangasagar.'
Após uma breve audiência, a comissão exigiu diretivamente que o governo parasse os trabalhos e garantisse a preservação da área dos lagos sem redução por aterro.
Objetivos do projeto e exigências dos demandantes
Justificando o projeto, o estado declarou que a integração de comodidades públicas visa gerenciar o fluxo de visitantes, garantir a higiene pública e prevenir maior degradação. O tribunal analisou o pedido apresentado por acadêmicos aposentados, ecologistas e cidadãos preocupados sob a égide do TBA. Eles exigiam uma intervenção urgente para interromper o aterro dos três lagos históricos em Darbhanga, com 800-900 anos de idade e que são parte integrante da identidade da cidade.
A petição indicava: 'Como o Estado está agindo em violação dessas decisões e não possui outro recurso legal, o autor é forçado a recorrer a este tribunal solicitando uma medida urgente e imediata para parar o preenchimento adicional dos lagos, bem como para remover todas as construções ilegais dentro e ao redor dos três lagos de Darbhanga e restaurá-los ao seu estado original, conforme mostrado nos mapas de 1868 e 1960.'
Em resposta, o estado apresentou o argumento: 'É respeitosamente apresentado que, para combater o acesso desregulado, que historicamente levou os lagos a se tornarem lixões abertos, o projeto prevê interfaces públicas estruturadas e seguras, incluindo a construção de 11 ghats de banho designados, equipados com 5 salas de vestiário e 7 blocos de sanitários para eliminar a defecação a céu aberto e a poluição da água.'



