Surgiu a questão: a SCO pode se tornar a base para o estabelecimento da paz, estabilidade e cooperação? Roza Otunboeva enfatiza que, para construir confiança entre as pessoas, é necessário trabalhar no fortalecimento da confiança mútua, pois as informações sobre os povos vizinhos são frequentemente limitadas.
Missão Humanitária da SCO
Na opinião de Roza Otunboeva, a missão humanitária da SCO vai muito além da simples realização de conferências, fóruns ou festivais. A confiança não surge apenas à mesa de negociações. A SCO une não apenas estados, mas também grandes civilizações, incluindo as chinesa, indiana, islâmica, ortodoxa cristã e as civilizações da Ásia Central.
Ela afirma que uma paz sólida começa não em acordos entre estados, mas na confiança entre as próprias pessoas. Roza Otunboeva, figura pública e política do Quirguistão, ocupa o cargo de presidente da organização pública internacional 'Roza Otunboeva Tashabbuslari' e anteriormente ocupou cargos de ministra das Relações Exteriores do Quirguistão, embaixadora nos EUA e Canadá, bem como representante especial da ONU no Afeganistão, e também ocupou cargos presidenciais no país em 2010-2011.
Discussão no Fórum
Mukhamadjon Obidov, correspondente do Uzbequistão, encontrou-se com Roza Otunboeva em um fórum internacional em Bishkek, dedicado ao 'Diálogo das Civilizações' em comemoração aos 25 anos da SCO. Ele solicitou sua opinião sobre as atividades da organização e os futuros desafios.
Otunboeva observou que o tema 'Diálogo das Civilizações' é próximo a ela tanto como pessoa que dedicou muitos anos às questões de cooperação internacional quanto como participante dos estágios iniciais do Processo de Xangai, iniciado em meados da década de 1990. Naquela época, havia a tarefa histórica de ensinar os estados a confiar uns nos outros e formar uma atmosfera de confiança entre os cinco países unidos pelas fronteiras assinadas.
Evolução da Cooperação
Graças a décadas de interação ativa, foi possível criar um ambiente de confiança política, respeito pela soberania e parceria igualitária, apesar da desconfiança inicial mútua. Sobre essa base nasceu a Cooperação de Xangai. Hoje, após 25 anos de desenvolvimento da SCO, começa uma nova fase. Se a geração anterior estabeleceu uma ponte de confiança entre os estados, a geração atual tem a missão histórica de fortalecer a confiança mútua entre as pessoas e os povos.
O Paradoxo do Conhecimento e da Confiança
Ela observa que, embora falemos frequentemente sobre diálogo de civilizações, as civilizações não se comunicam sozinhas — são as pessoas que o fazem. O quão bem as pessoas se conhecem determina o caráter das relações entre os países daqui a vinte ou trinta anos. Na opinião dela, estamos diante de um paradoxo interessante: na era das fronteiras abertas, tecnologias digitais e informação rápida, sabemos muito sobre os cantos distantes do mundo, mas sabemos muito pouco sobre nossos vizinhos.
Otunboeva acrescentou que não estamos suficientemente informados sobre a história, literatura, cultura e estilo de vida dos povos do espaço euroasiático e, o mais importante, sobre o futuro comum. De fato, o desconhecimento muitas vezes se torna o solo para a desconfiança, percepções negativas e estereótipos. Portanto, em sua convicção, a principal tarefa da SCO hoje é criar condições para que as pessoas se conheçam, e não apenas organizar eventos como conferências ou festivais.
Necessidade de Intercâmbio Educacional
Existe a necessidade de criar amplas oportunidades para comunicação livre, aprendizado conjunto, pesquisa científica e criatividade entre estudantes, alunos, jovens cientistas e figuras culturais. A história nos ensina que a confiança não se forma apenas à mesa de negociações. Ela nasce quando as crianças aprendem juntas, quando os laços de amizade entre os estudantes se fortalecem, quando os jovens cientistas realizam pesquisas conjuntas, quando as famílias visitam umas às outras e quando os vizinhos aceitam uns aos outros não como estranhos, mas como pessoas próximas.
Ela expressa esperança de que chegue o dia em que, para os jovens de qualquer país membro da SCO, seja tão natural e simples estudar ou realizar pesquisas científicas em um país vizinho membro da SCO quanto aprender, assim como o desejo de estudar nos principais países do mundo é hoje um fenômeno comum.
Visão de Futuro Através da Educação
Imagine se cada escola em um país membro da SCO estabelecesse contatos permanentes com escolas parceiras em outro país membro. Se as crianças conversassem online, realizassem projetos educacionais e criativos conjuntos, estudassem a história, a cultura e os feriados nacionais um do outro, e depois os alunos mais ativos pudessem viajar para países vizinhos para trocar experiências, o país vizinho deixaria de ser apenas um nome no mapa ou um conceito abstrato; ele se tornaria um lugar familiar e próximo, onde amigos vivem.
Otunboeva imagina um futuro em que um jovem dirá daqui a vinte anos: 'Eu nasci em Bishkek. Na escola, eu escrevia regularmente com meu amigo de Xian. Durante meus estudos, passei um semestre em Delhi. Realizei pesquisas científicas em Kazan. Participei de um projeto conjunto em Tashkent. Hoje, meus amigos mais próximos moram na China, Paquistão, Irã e outros países da SCO. Por isso, eu não tenho medo dos meus vizinhos, porque eu os entendo.'
Somente então poderemos dizer que a missão humanitária da SCO foi totalmente realizada. Como exemplo, o programa Erasmus é reconhecido como uma das iniciativas humanitárias mais bem-sucedidas da União Europeia, permitindo que milhões de jovens conheçam a Europa através da experiência pessoal e conheçam profundamente a cultura e os valores de outros povos.
Apelo à Criação de um Fundo
A SCO possui potencial para implementar uma iniciativa humanitária única, que reflete suas características civilizacionais e diversidade cultural. Considerando que a SCO é um espaço único que reúne grandes civilizações como a chinesa, indiana, islâmica, ortodoxa, cristã e Centro-Asiática, surge a questão: por que não criar um 'Fundo de Bolsas de Estudo das Civilizações da SCO'?
Este projeto não deve ser apenas um programa de intercâmbio acadêmico. Ele deve proporcionar aos jovens a oportunidade de estudar profundamente a língua, a história, a filosofia, a literatura e as tradições da civilização vizinha, bem como participar ativamente da vida de suas universidades, laboratórios científicos e instituições culturais, entrando em contato direto com a vida cotidiana de seu povo. O mais importante é que eles devem retornar à sua terra natal não apenas com um diploma e experiência científica, mas como pessoas que compreendem e respeitam outra cultura, tornando-se uma ponte de confiança.
Nos últimos vinte e cinco anos, a SCO provou ser uma plataforma confiável para a paz, segurança, estabilidade e cooperação multilateral. Agora, a organização enfrenta uma tarefa ainda mais elevada: formar um espaço de confiança mútua entre os povos e as pessoas. Afinal, a paz sustentável não é garantida apenas por acordos celebrados entre estados; ela começa com a confiança mútua, o respeito e a compreensão formados nos corações das pessoas.
Se os países da SCO puderem contribuir para que seus povos se conheçam melhor, entendam mais profundamente e formem uma base sólida de confiança, este será o maior e mais duradouro contributo não apenas para o presente, mas também para o futuro de toda a Eurásia.