O presidente Cyril Ramaphosa declarou que o governo intervirá no funcionamento dos municípios que não garantem um fornecimento de água confiável. Essas reformas são introduzidas no âmbito do Plano Nacional de Ação para Recursos Hídricos, que visa aumentar a responsabilização e melhorar a qualidade dos serviços prestados.
Prioridades e intervenção estatal
Em um boletim semanal para a nação, Ramaphosa enfatizou que o plano visa garantir o acesso à água potável de qualidade para todos os residentes, independentemente de onde vivam. Para resolver problemas constantes de abastecimento de água, serão aplicadas tanto medidas imediatas quanto reformas de longo prazo.
O presidente observou que a principal prioridade é a implementação, a clara distribuição de responsabilidades e a responsabilização. O Comitê Nacional de Crise Hídrica (WATERCOM) se reunirá regularmente para monitorar o cumprimento das tarefas, acompanhar o progresso e responsabilizar departamentos e estruturas governamentais pela prestação de serviços.
Ramaphosa confirmou que o governo não hesitará em intervir nas atividades dos municípios que não cumprem suas obrigações. Ele afirmou: 'Onde o município não consegue, não quer ou não pode fornecer um serviço aceitável, o governo intervirá de acordo com a Constituição e a lei para garantir os serviços necessários ao nosso povo.' Se necessário, outro fornecedor de água competente será designado no lugar do município.
Reforma dos serviços municipais de abastecimento de água
O presidente apontou que, para muitos cidadãos sul-africanos, abrir a torneira tornou-se uma fonte de incerteza, e as interrupções no fornecimento de água tornaram-se rotina em cidades, assentamentos rurais e áreas rurais, impedindo as famílias de cozinhar e limpar, e lojas e empresas de operar.
Ramaphosa comparou a situação atual com a reação do governo à crise energética, afirmando que a mesma abordagem orientada para reformas que ajudou a eliminar os cortes de energia será agora aplicada aos problemas de água. Ele lembrou que, agindo decisivamente anteriormente, o governo melhorou o funcionamento da Eskom e atraiu investimentos em nova geração, pondo fim aos apagões.
Apesar de reconhecer que a África do Sul é um país com escassez de água, Ramaphosa esclareceu que a principal causa da crise aguda não é a falta de precipitação ou reservatórios, mas sim a má gestão, manutenção e financiamento dos sistemas de abastecimento de água municipais.
Ele informou que muitos municípios usaram as receitas da venda de água para cobrir outras despesas municipais, deixando fundos insuficientes para reparos de infraestrutura, substituição de equipamentos obsoletos e contratação de engenheiros e técnicos qualificados. Segundo o Presidente, em média no país, quase metade de toda a água bombeada nunca chega aos consumidores pagantes devido a vazamentos em tubulações danificadas, furtos ou falta de faturamento.
Proteção das receitas de abastecimento de água
Ramaphosa enfatizou que a água perdida significa perda de fundos que deveriam ser usados para manutenção. Ele afirmou que não é possível resolver a crise sem apoiar e gerenciar adequadamente a infraestrutura existente.
O Plano Nacional de Ação para Recursos Hídricos será apoiado pela Lei de Emendas aos Serviços de Água, que está em análise no Parlamento. Esta lei estabelecerá uma divisão mais clara entre os municípios como órgãos prestadores de serviços de água e as estruturas responsáveis por sua operação. Os prestadores de serviços serão obrigados a obter licenças de operação baseadas em suas capacidades técnicas, gerenciais e financeiras, e os municípios poderão nomear apenas aquelas estruturas que atendam aos padrões estabelecidos e possam demonstrar capacidade de fornecer serviços de abastecimento de água e saneamento confiáveis.
Financiamento e investimento em infraestrutura
Além disso, o Presidente pretende reformar o financiamento dos serviços municipais de abastecimento de água através do Programa de Reforma de Serviços Comerciais Metropolitanos. No âmbito deste programa, oito municípios metropolitanos sul-africanos receberão apoio e incentivos para reservar as receitas obtidas com os serviços de abastecimento de água e saneamento, para que esses fundos permaneçam nas empresas de recursos hídricos municipais e sejam reinvestidos em infraestrutura, manutenção e melhoria das operações.
Ramaphosa acrescentou que os municípios receberão assistência técnica adicional enquanto o governo busca mais financiamento através de parcerias com investidores privados e credores, bem como por meio de contratos baseados em resultados. Ele destacou especialmente que isso não levará à privatização dos serviços de água. 'Trazer financiamento e experiência privada não significa renunciar à responsabilidade pública pela água', declarou ele.
Ele também prometeu combater duramente a corrupção no setor. O presidente informou que a implementação do Plano Nacional de Ação para Recursos Hídricos já começou: medidas imediatas estão sendo tomadas nos municípios com dificuldades, fundos de subsídio estão sendo redirecionados para os municípios menos eficientes, e processos judiciais foram movidos contra dezenas de municípios que violaram a Lei de Recursos Hídricos.
O governo criou a Agência Nacional de Infraestrutura Hídrica para desenvolver, operar, manter e financiar a infraestrutura hídrica nacional, e seis Agências de Gestão de Bacias Hidrográficas foram criadas para fortalecer a gestão dos principais sistemas de água do país. O governo nacional investe anualmente 24 bilhões de randes em infraestrutura municipal de abastecimento de água e saneamento através de cerca de 800 projetos em todo o país.
Foram concluídos 71 projetos de perfuração de poços nas províncias de Mpumalanga, Gauteng, KwaZulu-Natal e Eastern Cape, fornecendo água a cerca de 30.000 domicílios. Este ano, planeja-se perfurar mais de 80 a 100 poços, e nos próximos dois anos, mais 500, o que permitirá expandir o acesso à água para aproximadamente 250.000 domicílios. Ramaphosa concluiu que todos estão empenhados na implementação bem-sucedida do plano e no fim definitivo da crise hídrica no país.
