O ator e cantor americano Terrence Gibson apoiou a cantora sul-africana Tyla nos debates contínuos sobre a identidade racial 'coloured'.
Contexto da controvérsia
Gibson reagiu à crítica que Tyla recebeu por se autodeclarar 'Coloured'. Esta discussão reacendeu-se após Tyla aparecer no programa Apple Music 'The Ebro Show', onde compartilhou sua experiência de reação negativa do público americano à sua origem racial.
Nos Estados Unidos, o termo 'Coloured' é frequentemente considerado antiquado e ofensivo devido à sua ligação histórica com a segregação racial. No entanto, na África do Sul, 'Coloured' designa uma comunidade étnica e cultural distinta, com sua própria história e identidade forjada pelo legado do apartheid no país.
Posição de Tyla
Durante a entrevista, Tyla falou abertamente sobre as dificuldades iniciais em compreender o motivo de tamanha forte reação internacional à sua autoidentificação. Ela observou que já enfrentava críticas antes de participar de 'The Breakfast Club' e achou difícil explicar sua posição, pois nunca sentiu a necessidade de fazê-lo.
A cantora explicou que passou a maior parte de sua vida, durante 22 anos, sabendo-se 'Coloured', pois lhe foi dito assim. Suas viagens pelo mundo ajudaram-na a perceber o quão diferentes são as percepções dos termos raciais em diferentes partes do globo. Ela admitiu que estudar o contexto mundial mostrou-lhe o quão complexa seria essa conversa.
Tyla também mencionou que existem termos racialmente ofensivos na própria África do Sul, o que a ajuda a entender por que certas expressões podem provocar uma forte reação em outros países. Ela declarou: 'Eu sei que ser coloured é a minha cultura. Existe no meu contexto, mas eu também sou negra.'
Comentários de Terrence Gibson
Após a entrevista, Gibson usou as redes sociais para questionar o que ele chamou de 'fúria seletiva' direcionada à estrela sul-africana. Ele expressou choque com o ataque online e lamentou que sua carreira pudesse ser prejudicada.
O ator questionou: 'Somos coloured? Ou somos n****s? Porque dizemos isso todos os dias. E depois ficamos chateados quando outra pessoa diz. Fúria seletiva?' Ele também comentou sobre o uso histórico de epítetos racistas dentro da comunidade negra, acreditando que a linguagem depreciativa se tornou comum.
Ele notou que os membros da Comunidade Islâmica Nacional nunca chamavam seus irmãos negros por tal palavra, preferindo dizer 'meu irmão' ou 'minha irmã'. Gibson assumiu sua parcela de culpa nesse fenômeno, dizendo: 'Um homem branco cometeu um verdadeiro mal contra nós, e agora nós mesmos nos chamamos por um nome depreciativo que eles criaram para nós. Eu sou culpado disso... Mas a fúria seletiva é impressionante.'
Apelo ao entendimento da história
Baseando-se em sua experiência na África do Sul, Gibson pediu aos críticos que estudassem a história do país antes de julgar a identidade de Tyla. Ele enfatizou que visitou a África do Sul pelo menos oito vezes e pediu que houvesse um estudo do apartheid e de todo o trauma que ele causou e continua a causar aos africanos.
Ele concluiu seu discurso com um comentário incisivo: 'Disseram, nunca escute a opinião de pessoas que nunca tiveram passaporte.'