Arqueólogos espanhóis apresentaram os resultados de novas pesquisas na caverna de Dones, anteriormente conhecida por suas pinturas paleolíticas. Durante trabalhos subsequentes na caverna, foram encontradas mais de cem inscrições do período romano, o que indica que os habitantes da Península Ibérica utilizavam este local para realizar rituais cultuais na antiguidade, sendo que, aparentemente, as mulheres desempenhavam um papel significativo nesses rituais.
História da Caverna de Dones
Em 2021, no verão, arqueólogos estudaram a caverna de Dones, localizada na Comunidade Autônoma de Valência, perto da costa mediterrânea. Naquele ano, na caverna, com cerca de 500 metros de extensão, foram descobertas quatro imagens murais anteriormente desconhecidas, incluindo uma representação de cabeça de touro. Em 2023, ficou claro que este local é um grande santuário visitado por caçadores-coletores pré-históricos do Paleolítico Superior.
No total, os pesquisadores descobriram mais de cem obras de arte mural, entre as quais havia desenhos zoomórficos — figuras de cavalos, cervos e touros. Graças às características estilísticas de algumas obras e aos vestígios de garras de urso das cavernas que cobriam uma das imagens, foi possível determinar que a idade de pelo menos parte desses desenhos ultrapassa 24 mil anos.
Uso Romano do Santuário
Expedições posteriores de especialistas espanhóis, lideradas por Virhínia Barsela da Universidade de Alicante e Aitor Ruiz-Redondo da Universidade de Saragoça, demonstraram que a caverna de Dones serviu como santuário em épocas posteriores ao Paleolítico Superior. Em 2024, a cerca de 200 metros da entrada, os cientistas descobriram pelo menos 15 inscrições romanas nas paredes e no teto. Também foi encontrada uma moeda cunhada sob o imperador Calígula I (41–54 d.C.), que supostamente foi deixada na caverna como oferenda. Estas descobertas permitem datar preliminarmente a visita à caverna no século I d.C.
Entre maio e junho de 2026, arqueólogos e especialistas em epigrafia continuaram o trabalho, registrando pelo menos 120 inscrições escritas em latim. A maioria destes registros, segundo os dados dos cientistas, remonta aos séculos I e II d.C. As conclusões preliminares indicam que a caverna foi novamente utilizada como santuário, e parece que as mulheres desempenharam um papel importante na prática do culto. É também interessante o nome Cova-de-les-Dones, que se traduz como 'Caverna das Mulheres', o que pode indicar tanto a frequência de visitas deste local por mulheres quanto a veneração de divindades femininas.
Detalhes das Descobertas Cultuais
Os pesquisadores notaram a presença de vários nomes femininos entre as inscrições registradas. Além disso, cinco inscrições parecem ser dedicadas à mesma deusa, chamada Domina, que significa 'Senhora'. A palavra MALACI aparece em três casos, podendo ser um epíteto ou um nome local desta deusa. Embora o significado exato desta palavra ainda não tenha sido estabelecido, os cientistas sugerem que possa estar relacionada à água. Além das inscrições, os arqueólogos também encontraram fíbulas, que provavelmente foram trazidas para a caverna como oferendas junto com outros objetos.
Contexto Histórico da Região
Os romanos iniciaram a conquista da Península Ibérica em 218 a.C., e este processo durou dois séculos, acompanhado de confrontos militares com a população local. Recentemente, arqueólogos descobriram na Catalunha evidências de um desses conflitos — uma expedição punitiva dos romanos contra os Cértetanos, que ocorreu em 39 a.C.
Outras Descobertas Arqueológicas
Outra parte do material menciona descobertas de cientistas austríacos em Éfeso. Eles descreveram um enterro incomum encontrado em um banheiro romano abandonado, localizado em um odeão. Em 2010, arqueólogos descobriram um túmulo com os restos de dois bebês — presumivelmente gêmeos — que eram prematuros e morreram ao nascer ou pouco depois. De acordo com o artigo publicado na revista Childhood in the Past, este enterro data do período bizantino, especificamente dos séculos VII a IX d.C.