O Banco Central do Uzbequistão apresentou um panorama de estabilidade financeira para 2025, segundo o qual o nível de dolarização tanto de créditos quanto de depósitos no sistema bancário do país continuou a mostrar uma tendência de queda.
Dinâmica das Operações Cambiais
No início de 2026, a parcela de créditos concedidos em moeda estrangeira representava 39% do portfólio de crédito total dos bancos. Durante o ano de relatório, essa parcela diminuiu quase quatro pontos percentuais. De forma semelhante, a participação dos depósitos atraídos em moeda estrangeira caiu de 25% para 21% do portfólio de depósitos total.
O Banco Central enfatiza que a redução da participação da dolarização dos créditos ajuda a diminuir os riscos associados às flutuações cambiais. Com a desvalorização da moeda local, os pagamentos de empréstimos em moeda estrangeira são expressos em um maior número de som, o que potencialmente pode piorar a situação financeira dos mutuários e aumentar o número de créditos problemáticos.
Aumento dos Volumes de Obrigações em Moeda Estrangeira
Apesar da redução percentual das operações cambiais nos portfólios gerais, seu volume real em equivalente em dólar aumentou. Ao final de 2025, o saldo de créditos em moeda estrangeira cresceu 11% em termos de dólar, e os depósitos em moeda estrangeira cresceram 21%. O ritmo desse crescimento também acelerou: o aumento anual dos créditos em moeda estrangeira cresceu oito pontos percentuais em comparação com 2024, e o aumento dos depósitos cresceu 19 pontos percentuais.
Assim, a redução do nível de dolarização reflete apenas uma menor proporção de moeda estrangeira nos portfólios de crédito e depósito em rápido crescimento, mas não significa uma diminuição nos próprios volumes de exigências e obrigações em moeda estrangeira. O BC alerta que o crescimento dos créditos em moeda estrangeira expande o risco de crédito, que pode se manifestar com mudanças na taxa de câmbio. O crescimento dos depósitos em moeda estrangeira, por sua vez, pode aumentar os riscos de liquidez, pois os depositantes podem transferir seus fundos para ativos estrangeiros caso haja possibilidade de investimento internacional livre.
Diferencial Cambial e Riscos
Ao final do ano, a diferença entre as exigências e obrigações cambiais do sistema bancário aumentou para 4 trilhões de som. Segundo estimativas do Banco Central, a expansão desse diferencial sinaliza um possível aumento nas perdas bancárias caso os riscos cambiais se concretizem. No entanto, a posição cambial geral dos bancos permaneceu dentro das normas estabelecidas. Em 1º de janeiro de 2026, a relação entre a posição cambial líquida aberta e o capital regulatório era de 2,7%, o que, na opinião do Banco Central, indica uma capacidade suficiente do sistema bancário para cobrir potenciais perdas com riscos cambiais.
Anteriormente, o Presidente do Banco Central, Timur Ishmetov, observou que a desdolarização da economia — a redução da participação de depósitos e créditos em moeda estrangeira — é um dos resultados positivos do aumento da confiança na moeda nacional. Desde 2018, a participação da dolarização dos depósitos caiu de 41,2% para 20%, e a dos créditos caiu de 54,3% para 37,4%.