Um grupo de pesquisadores realizou uma nova análise das múmias de três pessoas sacrificadas pelos Incas durante o ritual Capacocha. A análise permitiu refutar as suposições anteriores de que a causa da morte das meninas da montanha Cerro Esmeralda era estrangulamento, embora a causa exata de seus falecimentos não tenha sido determinada.
Trauma do 'Príncipe de Plomo'
No entanto, os cientistas confirmaram que o menino conhecido como 'Príncipe de Plomo', da montanha Cerro el Plomo, sofreu um ferimento fatal na cabeça. Este ferimento foi causado por um objeto contundente que supostamente era um maço de pedra. Todas as três múmias, de acordo com novas datações, datam do século XV d.C. Os resultados deste estudo foram publicados na revista científica Science Advances.
Rituais Incas e Capacocha
Sacrifícios humanos rituais foram praticados em várias culturas antigas, incluindo os Incas, cujo império existiu na América do Sul até o século XVI. Um dos rituais mais conhecidos foi o Capacocha, realizado durante eventos governamentais significativos, como a morte de um governante, uma vitória militar ou um desastre natural. O ritual previa a seleção de crianças, adolescentes ou jovens moças de diferentes partes do império, o transporte delas para Cusco, onde os sacerdotes se preparavam para o sacrifício. Após isso, as vítimas eram enviadas em uma longa jornada a pé para locais sagrados no topo de montanhas e vulcões, onde eram mortas ou deixadas para morrer.
Detalhes do Estudo das Múmias
Veronica Silva-Pinto, da Universidade de Valência, e seus colegas, trabalhando na Áustria, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Chile e África do Sul, apresentaram dados sobre as três vítimas do Capacocha, cujas múmias foram encontradas no Chile. Duas múmias foram descobertas na montanha Cerro Esmeralda, no norte do Chile, em 1976; pertenciam a uma menina de cerca de 9 a 10 anos e a uma jovem de aproximadamente 18 a 19 anos. A terceira múmia, os restos do menino apelidado de Príncipe de Plomo, foi encontrada na parte central do Chile, na montanha Cerro el Plomo, em 1954, a uma altitude de cerca de 5400 metros acima do nível do mar. Este menino tinha cerca de 8 a 9 anos.
Métodos de Datação e Deslocamento
Para estudar essas vítimas, os cientistas realizaram uma análise abrangente: examinaram a composição isotópica do cabelo, realizaram exames dermatoscópicos da pele, utilizaram tomografia computadorizada e aplicaram o método de carbono-14 para datação. A datação por carbono-14 mostrou que todas as três pessoas poderiam ter vivido aproximadamente ao mesmo tempo — no século XV. As datas médias de morte das meninas da montanha Cerro Esmeralda foram de 1440 e 1450 d.C., e do menino da montanha Cerro el Plomo, de 1480. Foi observado que as datas anteriormente estabelecidas com base nas roupas eram mais antigas em 100 a 160 anos de carbono-14, o que pode estar relacionado ao uso de tecidos nos rituais significativamente mais antigos do que as próprias vítimas.
Jornada e Condição das Vítimas
A análise multielementar do cabelo confirmou que todas as crianças e jovens fizeram longas caminhadas antes de morrer. A pequena menina da montanha Cerro Esmeralda, presumivelmente, percorreu entre 900 e 1200 quilômetros em cerca de cinco meses. A jovem percorreu uma distância semelhante, mas um pouco mais rápido — em cerca de dois meses. O caminho mais longo foi percorrido pelo Príncipe de Plomo, que viajou entre 2600 e 2800 quilômetros em nove meses. Presume-se que, durante esta peregrinação, comunidades locais encontravam o grupo e forneciam-lhes provisões.
Causas de Morte e Drogas
Anteriormente, acreditava-se que a menina e a jovem da montanha Cerro Esmeralda haviam sido estranguladas usando um laço, com base na presença de sulcos de estrangulamento no pescoço. No entanto, a nova pesquisa mostrou que esses sinais provavelmente têm outra origem, e não há sinais de asfixia mecânica nas múmias, embora a verdadeira causa da morte permaneça desconhecida. Ao mesmo tempo, os cientistas confirmaram que o menino da montanha Cerro el Plomo sofreu um forte golpe contundente na testa. Além disso, o exame de TC revelou restos de comida nas roupas da criança, o que provavelmente é resultado de vômito provocado por traumatismo cranioencefálico agudo. No âmbito do ritual Capacocha, os Incas davam substâncias entorpecentes às vítimas; a análise do cabelo e das unhas do menino e da menina sacrificados no vulcão Ampato (Peru) mostrou o consumo de cocaína e ayahuasca nas últimas semanas de suas vidas.
Pesquisas na Europa
Separadamente, pesquisadores britânicos analisaram restos humanos encontrados na ilha de Wight, na Inglaterra, durante escavações de uma vila romana. Eles concluíram que ossos dispersos de várias pessoas podem estar relacionados a um ou mais incidentes violentos ocorridos entre 250 e 400 d.C. Uma das hipóteses é que os moradores da vila possam ter sido vítimas de repressões severas do imperador Constâncio II contra antigos apoiadores do usurpador Magnêncio. Esta informação é apresentada em um artigo publicado na revista Britannia.