A Comunidade da África Oriental (EAC) deu um passo importante na formação de um mercado digital unificado. Esta iniciativa visa simplificar as operações de empresas de tecnologia e negócios nos oito estados membros do bloco.
Objetivos da digitalização regional
O principal objetivo desta iniciativa é harmonizar as regras do comércio digital, melhorar a troca de dados transfronteiriça e criar uma economia digital regional mais integrada. No entanto, os inovadores observam que mais trabalho é necessário para resolver problemas regulatórios e de infraestrutura.
Opiniões dos participantes do mercado
Segundo Fors Prosperity, cofundador da ADB Technology, a crescente economia digital da África Oriental abre enormes perspectivas. A empresa, que desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para empresas e governos, opera na Tanzânia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. Ele observou que, ao criar um mercado digital unificado da África Oriental dentro de uma estrutura comum, não deve ser necessário construir infraestrutura de servidor em cada país se você for um provedor de serviços de pagamento na Tanzânia e quiser entrar no mercado do Quênia.
Prosperity também enfatizou que, apesar dos planos da ADB Technology para expandir-se ao Quênia, as diferenças regulatórias e as lacunas de infraestrutura permanecem sérios obstáculos para as empresas que procuram escalar através das fronteiras.
Novas regras e benefícios econômicos
De acordo com declarações da EAC, as normas regionais recentemente aprovadas permitirão que os estados membros troquem dados transfronteiriços de forma segura, garantindo ao mesmo tempo a proteção de informações pessoais. O bloco considera esta base como outro avanço no caminho para um mercado digital unificado, pois facilitará às empresas a prestação de serviços digitais, o recebimento de pagamentos e a venda de bens online sob uma base regulatória mais unificada.
Os empresários acreditam que estas reformas podem abrir novas oportunidades para as empresas que operam na região. Economistas, como Elia Lushiku, afirmam que as tecnologias necessárias para fortalecer a integração digital já existem. No entanto, o principal desafio, na opinião deles, é garantir a implementação consistente das reformas acordadas pelos governos em todos os oito países parceiros.
Contexto histórico e próximos passos
Lushiku acrescentou que renunciar a parte do poder político geralmente não é uma solução fácil, o que explica os longos debates sobre o assunto. A iniciativa baseia-se em esforços regionais anteriores, incluindo a redução das taxas de roaming móvel entre os países participantes e a adoção de uma estratégia regional de comércio eletrónico em 2022. Os oito estados membros da EAC possuem uma população combinada de mais de 300 milhões de pessoas e um valor econômico total superior a 340 mil milhões de dólares. As regras propostas relativas aos fluxos transfronteiriços de dados e à proteção de dados pessoais serão apresentadas aos órgãos diretivos da EAC antes de poderem ser adotadas pelos países parceiros.