Uma análise de prontuários médicos eletrônicos revelou uma ligação entre o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) durante a gravidez e o agravamento dos indicadores dos recém-nascidos. Foi estabelecido que tais medicamentos levam a pontuações mais baixas na Escala de Apgar tanto no primeiro quanto no quinto minuto de vida, além de aumentarem a probabilidade de presença de mecônio no líquido amniótico.
Contexto de Uso dos ISRS
Segundo estimativas de especialistas, cerca de um quarto das mulheres enfrenta um quadro depressivo ao longo da vida. Os ISRS são frequentemente prescritos como terapia de primeira linha, e muitas mulheres continuam a tomá-los durante a gestação. Embora seja sabido que esses medicamentos conseguem atravessar a placenta, as informações sobre o impacto dos ISRS no feto e nos desfechos perinatais subsequentes são limitadas devido às dificuldades em realizar estudos em mulheres grávidas.
Metodologia do Estudo
Um grupo de cientistas, liderado por Lisa Bastarash da Universidade Vanderbilt, conduziu o estudo utilizando dados de prontuários médicos eletrônicos. Foram incluídas na análise 1014 gestações, com idade média das mães de 30,3 anos.
Principais Resultados da Investigação
Os resultados mostraram que a continuação do uso de ISRS durante a gravidez correlacionou-se com pontuações mais baixas na Escala de Apgar no primeiro e quinto minutos, bem como com um aumento nas chances de presença de mecônio no líquido amniótico (razão de chances de 1,73). Os pesquisadores não encontraram ligações significativas com anomalias congênitas, embora essa conclusão exija interpretação cautelosa devido ao tamanho limitado da amostra. Também não foram identificadas diferenças na avaliação do risco de internação neonatal em unidade de terapia intensiva.
Conclusões e Recomendações
Apesar de o desenho e a amostra do estudo não permitirem extrapolar os dados obtidos para toda a população, as conclusões apontam para uma potencial diminuição da função adaptativa em recém-nascidos sob uso de ISRS durante a gravidez. Portanto, recomenda-se que o parto dessas mulheres ocorra em instituições médicas equipadas com recursos de reanimação neonatal. No entanto, estudos longitudinais de longo prazo são necessários para confirmar definitivamente esses resultados.