Um recente estudo propõe uma visão diferente sobre o comportamento atípico de animais durante eclipses solares, sugerindo que a causa pode não estar no fenômeno celeste, mas sim na presença e nas ações dos seres humanos.
Um recente estudo propõe uma visão diferente sobre o comportamento atípico de animais durante eclipses solares, sugerindo que a causa pode não estar no fenômeno celeste, mas sim na presença e nas ações dos seres humanos.
O próximo eclipse solar total ocorrerá em menos de três semanas, alinhando Sol e Lua por alguns minutos no dia 12 de agosto. Este evento celestial deverá cobrir partes da Europa, incluindo Groenlândia e Islândia, além de passar pela Espanha e atingir parcialmente o Atlântico Norte e o Norte da África. Tais ocorrências impressionantes frequentemente provocam reações incomuns em animais, como pássaros que param de cantar, primatas agitados e insetos que alteram seus padrões de atividade.
Em ambientes controlados, como zoológicos, as manifestações são notáveis: elefantes, gorilas e flamingos procuram seus abrigos, antecipando o repouso noturno. Babuínos se aglomeram, e algumas girafas demonstram galope incomum.
Inicialmente, os pesquisadores atribuíam essas mudanças ao relógio biológico dos animais, ou ritmo circadiano, que regula funções diárias como alimentação e sono, sendo majoritariamente baseado na luz solar. Quando a escuridão do eclipse chega, os animais agem como se fosse noite.
Contudo, um artigo publicado na revista Zoo Biology aponta que este não é o único fator explicativo. A nova teoria sugere que o comportamento estranho pode ser induzido pelos próprios humanos, cuja reação pode, por sua vez, afetar os animais.
Um grupo de cientistas monitorou um zoológico canadense durante o eclipse total de 2024, quando o local estava fechado ao público. Observou-se que a maioria dos animais teve pouca reação ao evento celeste, o que os pesquisadores creditam à ausência humana. As únicas exceções foram os macacos-japoneses, que subiram para galhos mais altos, e as zebras, que apresentaram picos de estresse antes retornarem ao normal.
Com base nisso, os pesquisadores desenvolveram uma nova premissa: as demonstrações humanas durante o eclipse — como aplaudir, vibrar, usar óculos especiais e se reunir para observar o céu — podem impactar o comportamento animal.
Outro grupo, da North Carolina State University, chegou a conclusões semelhantes. Em 2017, o biólogo Adam Hartstone-Rose foi convidado a observar a reação da fauna local no zoológico de Columbia, Carolina do Sul, que estava cheio de visitantes ansiosos. Ao contrário do esperado, ele registrou diversos comportamentos animais inesperados, detalhados em um artigo de 2020, levantando a suspeita de que os animais poderiam ter ficado assustados com as pessoas.
Hartstone-Rose afirmou à Scientific American que «os animais que fazem as coisas mais estranhas durante um eclipse, de longe, são as pessoas». Ele ressaltou que os animais do zoológico percebem o que ocorre com os humanos, assim como os humanos percebem os animais.
Em 2024, o mesmo pesquisador realizou um teste no Zoológico de Fort Worth, Texas. Com um público menor, as reações animais foram mais contidas. Em contraste, o zoológico de Dallas, que recebeu grandes multidões, viu os animais reagirem «com muito mais intensidade» durante o eclipse.
Estudar o comportamento animal em eclipses é complexo. Embora o fenômeno total ocorra em média a cada 18 meses em algum lugar do globo, é raro que passe pelo mesmo ponto. Além disso, sua duração é mínima; o maior eclipse deste século deve durar até 6 minutos e 23 segundos. Um futuro evento ocorrerá em 2 de agosto de 2027, visível em uma faixa estreita que atravessa o Norte da África, o extremo sul da Espanha e partes da Península Arábica.
Especialistas defendem que o próximo passo deve ser padronizar a metodologia de avaliação do comportamento animal nestes eventos, definindo critérios claros para o que constitui um comportamento anormal e estabelecendo um plano de observação global.
A associação de burros, jumentos e mulas a traços negativos, como teimosia e baixa inteligência, possui raízes históricas profundas, ultrapassando dois milênios e não se limitando ao idioma português. Expressões como "stubborn as a mule" em inglês e "más terco que una mula" em espanhol refletem essa tradição.
Contudo, essa alcunha é considerada injusta, visto que os equídeos — que incluem cavalos, jumentos, burros e mulas — demonstram ser animais inteligentes. Pesquisas científicas comprovaram que eles possuem capacidade de armazenamento de memória de longo prazo, estabelecem relações sociais complexas e podem ser treinados para realizar tarefas específicas.
É importante distinguir as espécies: cavalos (Equus caballus) e jumentos (Equus asinus) são distintos. Os jumentos também são conhecidos por nomes como asnos, jegues ou jericos, sendo que esses termos podem ser usados pejorativamente. Já burros e mulas são classificados como híbridos resultantes do cruzamento entre uma égua e um jumento macho. Um híbrido formado pelo cruzamento de um cavalo macho com uma jumenta é chamado de bardoto, que é menos comum devido à dificuldade de gestação e menor aptidão para o trabalho, embora seu nome não tenha se tornado ofensa.
Alguns especialistas sugerem que o estigma pode estar ligado às diferenças no manejo desses animais. Chiara Albano, professora da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), explica que "domar jumentos e burros é mais desafiador do que domar cavalos, pois seus comportamentos naturais são diferentes". Ela exemplifica que, diante de um predador ou risco, enquanto cavalos tendem a fugir e observar à distância, o jumento tende a parar e analisar a situação, travando se perceber perigo ou desconfiança para garantir sua segurança.
Este preconceito é extremamente antigo. Nas Fábulas de Esopo, datadas dos séculos 5 e 6 a.C., os burros já eram utilizados para personificar indivíduos ingênuos, teimosos e vaidosos. Uma referência ainda mais antiga vem de um livro do século II, onde o autor romano Lucius Apuleius, em "O asno de ouro", narra a história de um homem que se transforma em um asno. Nesse contexto, a expressão latina *asinina cogitatio*, que significa literalmente "pensamento de burro", era empregada para designar uma insensatez.