Pesquisadores italianos conduziram um estudo observacional retrospectivo e concluíram que a tomografia por emissão de pósitrons com tomografia computadorizada (PET/CT) é uma ferramenta altamente precisa para o diagnóstico de febre de origem indeterminada, auxiliando na tomada de decisões clínicas fundamentadas. Estas conclusões foram publicadas na revista The Journal of Nuclear Medicine.
Definição de Febre de Origem Indeterminada
A febre de origem indeterminada é caracterizada pelo aumento persistente da temperatura corporal como único sintoma observado, sendo que métodos de investigação padrão, como exames de sangue e urina, radiografias ou ultrassonografias, não conseguem estabelecer um diagnóstico preciso. As causas desse estado são extremamente variadas e podem incluir doenças oncológicas, processos inflamatórios sistêmicos ou diversas infecções, tornando o diagnóstico um desafio, visto que não existe um protocolo único para esses casos.
Princípio de Funcionamento da PET/CT
O método PET/CT baseia-se na diferença do metabolismo aumentado em focos de inflamação e tumores. Para sua aplicação, é administrado um nutriente, geralmente glicose, que é marcado com um átomo radioativo. Na desintegração, este isótopo emite pósitrons, que se acumulam predominantemente em zonas patológicas. O tomógrafo registra essa radiação de pósitrons e integra a informação obtida com os dados da TC para determinar com precisão a localização da fonte. Embora este método seja frequentemente usado em oncologia, neste estudo ele foi aplicado para o diagnóstico de febre de origem indeterminada.
Condução do Estudo
Domenico Albano, da Universidade de Brescia, e sua equipe analisaram dados de 929 pacientes com idades entre 18 e 88 anos (idade média de 60,4 anos, dos quais 548 eram homens). Todos esses pacientes realizaram PET/CT utilizando 18F-fluorodesoxiglicose em 12 centros médicos italianos. O diagnóstico final para cada paciente foi estabelecido após análise complexa de dados laboratoriais, de imagem, bem como laudos histológicos ou patológicos, e após acompanhamento por pelo menos seis meses. Os diagnósticos foram classificados em quatro grupos: infecções, doenças inflamatórias não infecciosas, doenças oncológicas e casos em que a causa permaneceu desconhecida.
Distribuição de Diagnósticos e Achados
De acordo com os resultados, as infecções constituíram o diagnóstico final em 36% dos casos, doenças inflamatórias não infecciosas em 30%, doenças oncológicas em 11%, e em 23% o diagnóstico não pôde ser estabelecido. Entre as infecções identificadas, pneumonia, espondilodiscite, endocardite, abscesso e inflamação de shunt vascular, bem como infecções ósseas e articulares, foram mais comuns. No grupo de inflamações não infecciosas, predominaram vasculites de grandes vasos e espondiloartropatias, enquanto entre as doenças oncológicas foram registrados linfoma e câncer de pulmão. Foram também observados resultados falsamente negativos: para infecções, endocardite e infecções do trato urinário; para inflamações não infecciosas, vasculite, encefalite e pericardite; para doenças oncológicas, leucemia, câncer gastrointestinal e apudoma.
Indicadores Diagnósticos do Método
A análise mostrou que os resultados da PET/CT foram verdadeiramente positivos em 56% dos casos, verdadeiramente negativos em 19%, falsamente positivos em 3% e falsamente negativos em 22%. A sensibilidade do método atingiu 72%, e a especificidade foi de 85%. O valor preditivo positivo foi de 94%, e o negativo de 47%. O valor diagnóstico geral do método foi avaliado em 75%. Fatores prognósticos para resultado positivo incluíram nível elevado de proteína C-reativa, aceleração da sedimentação eritrocitária, razão neutrófilo/linfócito, presença de febre durante o procedimento e curto período de uso de antibióticos. Em conclusão, a PET/CT teve um impacto direto no manejo dos pacientes em 73% dos casos, e nos demais ajudou a selecionar testes não invasivos adicionais ou uma estratégia de espera; apenas em 16 casos verdadeiramente positivos o método não alterou a tática de tratamento.