O Tribunal Superior do Cabo Ocidental ordenou que 161 pessoas desocupem terras ocupadas ilegalmente pertencentes à Transnet, nas áreas de Woodstock e Salt River, até 30 de setembro de 2026.
Fundamentos para o despejo
O tribunal determinou que esta terra foi usada como base para atividades criminosas espontâneas. Em sua decisão, proferida na terça-feira, 21 de julho, o juiz Derek Wille acatou o pedido de despejo da Transnet e obrigou os ocupantes a deixar as instalações até a data especificada.
Em caso de descumprimento desta ordem, o Xerife do Tribunal Superior tem o direito de realizar o despejo, apreender bens e demolir estruturas construídas ilegalmente. Se necessário, o Xerife pode obter apoio da Polícia da África do Sul.
Histórico do caso e estatísticas de criminalidade
Inicialmente, o caso envolvia 282 pessoas que ocupavam pelo menos 10 lotes da Transnet há mais de dez anos. No entanto, a declaração final referia-se a 161 pessoas, muitas das quais foram descritas na decisão como cidadãos estrangeiros sem documentos.
As instalações estão localizadas em Woodstock e Salt River, perto da rodovia N1 e de três distritos comerciais. A Transnet informou ao tribunal que necessita dessas áreas para suas atividades comerciais e desenvolvimento futuro.
A cidade do Cabo se opôs ao pedido de alojamento de emergência, alegando que a ocupação ilegal criou um terreno fértil para a atividade criminosa. De acordo com dados estatísticos apresentados ao tribunal, 74 casos de assalto comum, 20 roubos com armas não letais, sete roubos com armas de fogo e um roubo de veículo foram registrados nas proximidades dessas instalações durante um período de oito meses.
O sistema de gestão de autoestradas da cidade também registrou vídeos de furtos de cabos, assaltos e roubos de carros em um trecho movimentado da N1, onde os engarrafamentos retardam o tráfego perto das áreas ocupadas. Em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, as autoridades policiais responderam a sete incidentes em que veículos foram atacados com tijolos e danificados.
Detalhes da atividade criminosa
Em um dos casos, um casal de deficientes foi atacado e roubado; os vidros de seu carro foram danificados e um telefone celular foi roubado. Estatísticas policiais mostraram que, entre janeiro e junho de 2025, 44 prisões foram feitas nas proximidades, relacionadas a acusações incluindo tráfico de drogas, posse de drogas, posse ilegal de armas de fogo e munições, posse de armas perigosas, intimidação, furto de fio de cobre, agressão, assalto, posse ilegal de veículos, resistência à prisão e agressão a policial.
Mais de 100 ataques a ciclistas também foram registrados perto das instalações no período de setembro de 2024 a maio de 2025. Entre eles, havia 74 assaltos comuns, 20 roubos com armas não letais e sete roubos com armas de fogo. Em um incidente, um ciclista idoso foi atacado com uma garrafa e roubado, sofrendo fraturas e múltiplas lesões, e posteriormente faleceu.
Em outro caso, uma testemunha que era conselheira presenciou uma tentativa de assalto quando uma pessoa supostamente pulou à frente de uma van para parar o motorista. Em seguida, um grupo de 20 a 30 pessoas armadas com facas cercou o veículo, jogou tijolos sob as rodas e pegou as chaves do carro. Outro motorista foi roubado por quatro pessoas após perder o controle do veículo e colidir com uma barreira de ponte.
Posição do tribunal e argumentos das partes
O Juiz Wille concluiu que os ocupantes não conseguiram refutar de forma convincente as detalhadas acusações de atividade criminosa, limitando-se principalmente a negações genéricas. O juiz considerou a hipótese mais provável de que as instalações eram usadas como base para crimes, especialmente porque apenas ocupantes ilegais ali residiam.
Durante a inspeção das instalações, o tribunal encontrou cabos cortados, postes de luz danificados, tampas de bueiro abertas, construções informais perto da N1 e acesso livre à rodovia. Canais foram cavados perto da faixa de ônibus MyCiTi, e as construções informais também estavam próximas à propriedade comercial e em uma área designada como ponto quente de criminalidade. Um dos lotes ocupados não pôde ser inspecionado porque as autoridades policiais não podiam garantir a segurança dos participantes.
Também foi identificado um edifício deteriorado perto da ponte, onde cabos removidos eram armazenados, e ele foi reconhecido como uma das áreas associadas a ataques a ciclistas. Foi notado um extenso dano na cerca de proteção.
Os ocupantes argumentaram que o despejo não poderia ser justo e equitativo sem a oferta de alojamento de emergência, caso isso resultasse em seu estado de rua. Wille observou que a habitação alternativa é um fator importante nos processos de despejo, mas não é um requisito automático ou absoluto em todos os casos.
A cidade informou ao tribunal que suas zonas de alojamento de emergência estavam totalmente ocupadas e que o financiamento nacional para alojamento de emergência estava seriamente limitado. A proposta de usar terras não ocupadas da Transnet para alojamento de emergência foi rejeitada. Wille considerou que realocar os ocupantes para outra propriedade da Transnet lhes permitiria contornar a fila de moradia em detrimento de pessoas que seguiram procedimentos legais.
Além disso, a decisão indicou que os ocupantes não forneceram dados detalhados sobre suas circunstâncias pessoais, apesar de terem sido dados a oportunidade de divulgar informações sobre suas famílias, empregos, filhos, estado de saúde e status legal. Wille considerou que a cidade forneceu uma explicação razoável de sua incapacidade de fornecer alojamento alternativo e decidiu que o despejo é justo e equitativo dadas as circunstâncias.