O lendário veleiro de corrida oceânica Voortrekker, que ajudou a estabelecer a África do Sul no mapa náutico internacional há sessenta anos, concluiu sua última viagem fora d'água, enfrentando uma corrida crítica contra o tempo.
História da Criação e Primeiras Conquistas
Este inovador navio com o número de vela icônico SA 1 foi o ponto de partida para o desenvolvimento da indústria naval do país e inspirou muitos marinheiros. Atualmente, o iate histórico de madeira está no Museu da Marinha da África do Sul em Simon's Town e necessita urgentemente de uma renovação em grande escala para que seu notável legado seja preservado para as futuras gerações.
A história começou em 1966, quando proeminentes figuras da vela fundaram o South African Ocean Racing Trust para organizar a ambiciosa participação nacional na corrida Transatlântica Observer Singlehanded (OSTAR) de 1968. O projeto foi encomendado aos renomados designers holandeses van de Stadt, e a construção do casco laminado de madeira foi contratada pela Thesen Industries de Knysna. O patrocinador principal, Dr. Anton Rupert da Rembrandt Group, associou sua organização ao projeto e deu ao iate o nome Voortrekker.
Sob o comando de Bruce Dalling, o iate atraiu a atenção do público e demonstrou um desempenho histórico, terminando em segundo lugar e conquistando a vitória geral pelo sistema de handicap.
Transição e Serviço Posterior
Após o triunfante retorno a Cape Town em julho de 1968, o Dr. Rupert fez um gesto significativo durante um jantar de celebração em Granger Bay. Ele anunciou que, como proprietário do iate, ele o estaria cedendo à Marinha da África do Sul para uso em treinamentos de vela. Após isso, o navio foi oficialmente aceito pelo Almirante Hugo Biermann em nome da frota.
Posteriormente, após ser convertido de seu equipamento original de ketch para um schooner, o Voortrekker realizou várias viagens ao redor do mundo, sete corridas no Atlântico Sul e inúmeras regatas internacionais sob a liderança de capitães lendários, como Bertie Reid e John Martin. Sua última grande corrida oceânica ocorreu em 2009 — a corrida de Cape Town para Salvador, onde Marcello Burrix a comandou com uma equipe jovem, conquistando um impressionante quarto lugar pelo handicap.
Necessidades Atuais e Arrecadação de Fundos
Após seis décadas de serviço contínuo, os organizadores do projeto enfatizam que 'a velha senhora está cansada e precisa ser preservada para admiração, orgulho e memória de todos os sul-africanos e entusiastas da vela'. A primeira fase do plano de desativação foi concluída após o transporte seguro para um suporte recentemente restaurado na Extensão dos Submarinos do museu, perto do submarino SAS Assegaai.
No entanto, a implementação das Fases 2 e 3 requer financiamento significativo e doações de materiais. Estas fases incluem a restauração do convés externo, o reparo e repintura do casco e quilha, a instalação de um telhado protetor e a atualização do interior para passeios públicos imersivos. Embora a Marinha da África do Sul e o Arsenal forneçam mão de obra gratuitamente, apenas a Fase 2 requer cerca de 100.000 rand para ser concluída. O líder do projeto, Contra-Almirante Hanno Teuteberg (aposentado), juntamente com o Comandante John Martin (aposentado) e o Naval Heritage Trust, apela a doadores locais e internacionais para apoiar a iniciativa.