A maioria dos fabricantes indianos de drones é forçada a importar baterias, apesar do desenvolvimento da indústria local. Atualmente, a maioria dos drones indianos consegue voar apenas por 20 a 30 minutos, o que exige que os operadores troquem constantemente as baterias sob condições de campo.
Problema da Cadeia de Suprimentos
A Índia criou uma grande indústria de fabricação de drones, mas não conseguiu construir a infraestrutura necessária para a produção de componentes. O startup de Bengaluru, que fabrica essas baterias dentro do país, foi fundado em 2021 por Kajal Shah, sua diretora executiva principal, e Dr. Saurabh Markandeya. Ambos os fundadores tinham experiência anterior na criação de empresas e trabalharam nas áreas de mobilidade e energia limpa.
Na opinião da empresa, o problema não reside nos próprios drones, mas nos componentes que eles utilizam. Este problema é particularmente agudo na agricultura, onde os drones pulverizadores operam longos turnos sobre campos abertos. Cada troca de bateria consome tempo, e cada bateria reserva aumenta o peso e os custos para o operador.
Desenvolvimento de Baterias para Condições Indianas
A Dreamfly desenvolve e fabrica pacotes de baterias de alta densidade de energia para os setores aeroespacial, aeronáutico e de drones. Eles trabalham com vários compostos químicos de células, incluindo lítio, grafeno e supercapacitores. Os desenvolvimentos de engenharia se concentram em garantir a segurança e a dissipação de calor. Graças ao design da carcaça térmica, a temperatura de operação é reduzida para 20 graus Celsius, diminuindo o risco de incêndio. Pacotes de células mais leves ajudam a reduzir o peso total do drone.
O calor é um fator crítico: uma bateria quente perde potência mais rapidamente, falha mais cedo e apresenta um risco de incêndio aumentado. Em um drone, peso e calor estão em contradição: uma bateria maior garante um voo mais longo, mas também aumenta a massa e reduz a carga útil.
Soluções Especializadas e Clientes
A Dreamfly também cria baterias adaptadas às necessidades específicas da Índia. Um modelo é destinado a voos em grandes altitudes e funciona em temperaturas de até menos 30 graus Celsius. Outro é um acumulador de grafeno não explosivo, desenvolvido especificamente para drones agrícolas que devem ser seguros perto de plantações e pessoas.
A empresa vende seus produtos não aos usuários finais, mas aos fabricantes de drones e equipamentos aeroespaciais. Entre seus clientes estão a Tata Advanced Systems, a divisão aeroespacial do Tata Group, e a Larsen & Toubro. Além disso, a Dreamfly fornece componentes para a General Aeronautics, que fabrica drones pulverizadores agrícolas, e para a Neosky India, subsidiária da RattanIndia Enterprises. Grandes empresas de defesa e engenharia testam lentamente os componentes, e depois que o fornecedor atende a esses padrões, é difícil substituí-lo.
Financiamento e Perspectivas
Em fevereiro de 2025, a empresa levantou 12 bilhões de rúpias em uma rodada semente liderada pela Avaana Capital, com participação da Sunicon Ventures e investidores existentes. Anteriormente, em 2023, recebeu 4,9 bilhões de rúpias em uma rodada anjo com o apoio da Rebalance Angel Community. Esses fundos serão destinados à criação de uma instalação de produção, expansão da equipe e pesquisas futuras. Atualmente, cerca de 27 pessoas trabalham na empresa.
Representantes da Dreamfly observam que a localização da produção de baterias na Índia elimina a dependência comum no setor: as células e os pacotes são frequentemente importados pelos fabricantes indianos de drones, tornando-os vulneráveis a flutuações de preços e atrasos na entrega. A empresa também está trabalhando em baterias para aviação elétrica e outras aplicações aeroespaciais, usando princípios de engenharia semelhantes e exigindo altos padrões de certificação. Especialistas preveem um rápido crescimento do mercado de drones na Índia ao longo da próxima década, e a Dreamfly acredita que, para apoiar esse crescimento, é necessária uma indústria interna de componentes, começando pelas baterias.