Lindiwe Nkunana-Kgopa, fundadora e CEO da Lindiwe Sanitary Pads e vencedora do prêmio Veuve Clicquot Bold Woman Award de 2026, enfatiza que a falta de produtos de higiene acessíveis e gratuitos representa uma falha sistêmica, e não apenas uma negligência, especialmente considerando que os banheiros públicos frequentemente fornecem sabão e papel higiênico.
O problema da pobreza menstrual
Esta epidemia global e silenciosa, conhecida como pobreza menstrual, impede constantemente as meninas de frequentarem a escola e os adultos de entrarem no mercado de trabalho. Nkunana-Kgopa, que cresceu em um ambiente onde a menstruação era um tópico tabu, compartilha sua opinião: «Você pode dar uma absorvente para uma menina, mas se ela ainda considera seu corpo algo vergonhoso, você não a libertou de verdade.»
Educação e produção juntas
Na visão de Nkunana-Kgopa, desmantelar este silêncio começa com a declaração aberta da palavra «menstruação» em salas de aula, igrejas ou mesas de reunião, até que ela volte a ser um fato biológico e não um segredo. Ela observa que na atividade da LSP, a educação anda lado a lado com a produção: «A fábrica produz o produto, mas a sala de aula é o que destrói a vergonha.»
Nkunana-Kgopa afirma que a pobreza menstrual e o isolamento econômico das mulheres são a mesma luta apresentada em diferentes formas. Ela alerta que simplesmente construir uma fábrica e contratar pessoal, como é comum no setor, resolverá apenas um problema, deixando as mulheres como consumidoras, e não proprietárias da indústria.
Mudança de percepção e igualdade de gênero
Seu objetivo é fazer com que a linha de produção sirva como prova, e não apenas como uma cadeia de suprimentos. Cada mulher na produção serve como testemunho de que esta indústria pode ser construída, gerenciada e liderada com sucesso pelas próprias mulheres para quem ela se destina. Nkunana-Kgopa aponta que um equívoco comum entre as jovens é acreditar que a menstruação é um sinal de que algo está errado com elas, quando na verdade é uma função natural do corpo. Ela frequentemente encontra meninas que percebem a dor ou ciclos irregulares como punição ou defeito, pois nunca lhes foi explicada a biologia simples.
Além disso, ela chama a atenção para os equívocos dos meninos, que acreditam que a menstruação não os afeta ou que é um assunto para zombar das meninas. Nkunana-Kgopa enfatiza que o silêncio entre os meninos é tão prejudicial quanto a vergonha entre as meninas, pois significa que metade da turma cresce sem empatia ou compreensão básica. Portanto, onde for permitido, eles insistem na educação conjunta de meninos e meninas, para que os meninos vejam a menstruação como biologia natural, e não como um mistério, tornando-se pais, professores e parceiros solidários.
Infraestrutura e parceria
Nkunana-Kgopa destaca que a distribuição de produtos e o desenvolvimento da infraestrutura devem ocorrer em paralelo, caso contrário, apenas metade do problema será resolvida. Através da iniciativa Buy to Donate e da colaboração com o Sanitary Dignity Programme, eles podem garantir um estoque anual de absorventes para uma menina. Ela cita um exemplo: «Se não houver porta, água e lixeira no banheiro escolar, ela ainda não conseguirá lidar dignamente com a menstruação na escola.»
Segundo ela, ambos os setores possuem pontos fortes complementares: o governo controla alavancas de infraestrutura, como orçamentos escolares, manutenção de instalações, programas de água e saneamento, enquanto o setor privado garante velocidade, conhecimento especializado do produto e capacidade de testar rapidamente novas soluções. Ela defende a responsabilidade coletiva em vez de projetos isolados, insistindo que o governo deve se comprometer a reformar e manter as instalações exatamente nas escolas onde essas empresas operam, garantindo uma correspondência perfeita entre ambas as intervenções.
Visão de futuro para a África
Nkunana-Kgopa imagina um futuro em que a educação e a dignidade de nenhuma menina africana sejam jamais comprometidas por causa da menstruação. Ela enfatiza que alcançar esse objetivo será ativamente construído pelas próprias mulheres africanas, e não apenas transmitido a elas. A empresa expandiu-se internacionalmente, distribuindo produtos em onze países africanos através de parceria com Young Women of Africa, ampliando assim as oportunidades para mulheres empreendedoras possuírem suas próprias marcas de absorventes, em vez de apenas revender produtos de terceiros. Sua meta é passar da distribuição para a criação de centros de produção locais pertencentes a mulheres em toda a África. Cada um desses centros estará enraizado em sua comunidade para criar empregos locais e orgulho, unidos pelo padrão de qualidade e pela recusa em permitir que o silêncio ou o custo limitem a educação da menina. Sua ambição é que as meninas em todo o continente nunca sintam o que ela sentiu.