Ao longo das últimas 24 horas, foram descobertas quatro mulheres falecidas em diversas localidades da Espanha. Deste total de ocorrências, três estão sob investigação como possíveis crimes de violência doméstica, enquanto o caso mais recente, registrado na manhã desta terça-feira, ainda se encontra em estágio inicial de apuração.
Primeiro Caso em Almoradí
Um dos alertas foi emitido às 23h00 de segunda-feira (equivalente a 22h00 em Lisboa), quando a Guardia Civil foi notificada sobre o achado de um corpo feminino de 56 anos em Almoradí, pertencente à província de Alicante. Inicialmente, o óbito foi classificado como um acidente doméstico, mas uma subsequente vistoria no local revelou fortes indícios de crime.
Este achado resultou na prisão do marido da mulher, um homem de 61 anos, na manhã de terça-feira. Ambos residiam na mesma casa, onde supostamente ocorreram os fatos, e estavam cadastrados no Sistema VioGén, o sistema espanhol de proteção e acompanhamento de vítimas de violência de género. Contudo, o processo relacionado estava inativo desde 2009.
Contexto do Sistema VioGén
Pilar Bernabé, delegada do Governo na Comunidade Valenciana, esclareceu que o suspeito havia sido inserido no Sistema VioGén após uma denúncia e foi detido em 2008. O processo foi desativado em 2009 devido à ausência de medidas judiciais e nunca mais foi reativado.
Outros Casos Registrados
Adicionalmente, María, de 30 anos, foi encontrada morta em uma residência em Antequera, Málaga, na segunda-feira, apresentando ferimentos causados por arma branca. Acredita-se que ela tenha sido assassinada pelo seu namorado, um homem de 35 anos, que posteriormente tirou a própria vida. Este casal possuía dois filhos em comum, de 4 e 7 anos, e também constavam no sistema VioGen. Embora o homem tivesse uma ordem de afastamento contra a vítima, o processo de violência doméstica foi arquivado por meio de um acordo mútuo.
Mais tarde, por volta das 11h50, o suspeito foi localizado na muralha de Alcabaza. Poucas horas depois, às 14h00, os serviços de emergência receberam um chamado sobre uma mulher morta em uma habitação. O corpo exibia sinais de agressão, especificamente ferimentos de faca, indicando um assassinato violento.
Novos Incidentes em Toledo e Málaga
Nesta terça-feira, outra mulher, de 45 anos, foi encontrada morta com lesões de arma branca em Alameda de la Sagra, na província de Toledo. O marido da vítima foi detido pela Guardia Civil. As autoridades informaram que a vítima não estava registrada no sistema Viogen e que o homem, de 48 anos, não possuía histórico criminal por delitos similares. Após tentar tirar a própria vida, ele foi levado para a Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Geral Universitário de Toledo sob custódia policial.
Segundo a Telecinco, a mulher era de nacionalidade equatoriana, e o suspeito era espanhol, mas de origem equatoriana. Um dos filhos do casal teria alertado os serviços de emergência, informando que o pai havia matado a mãe. Na residência, no momento do homicídio, estavam presentes três filhos do casal, incluindo um menor de idade, que foi colocado sob os cuidados dos Serviços Sociais da Junta de Comunidades.
Durante a manhã de terça-feira, foi localizada mais uma mulher falecida com sinais de violência em Benahavís, em Málaga. Fontes da investigação, citadas pela agência Efe, indicaram que a vítima apresentava, à primeira vista, um corte no pescoço provocado por arma branca. O alerta foi acionado por uma testemunha que relatou ter ouvido um grito muito alto e notar grande quantidade de sangue na casa. O suspeito fugiu do local em alta velocidade.
Estatísticas de Violência Doméstica
A Efe ressaltou que, segundo seus dados, um total de 46 mulheres foram assassinadas por seus parceiros ou ex-parceiros na Espanha em 2025, representando o número mais baixo desde o início da série histórica em 2003. Como resultado desses crimes, 35 crianças ficaram órfãs, e três menores foram vítimas fatais de violência doméstica. Em dez dos 46 casos, havia registros prévios de maus-tratos no âmbito da violência doméstica, sendo sete denunciados pelas próprias vítimas e os outros três por terceiros. Além disso, em quatro situações, as mulheres possuíam medidas de proteção ativas, as quais se mostraram insuficientes para protegê-las dos agressores.