A Anthropic divulgou uma atualização significativa para o modo de voz do Claude, expandindo consideravelmente suas capacidades. Agora, os usuários têm a opção de selecionar entre os modelos Opus, Sonnet e Haiku para conduzir as interações por voz.
A Anthropic divulgou uma atualização significativa para o modo de voz do Claude, expandindo consideravelmente suas capacidades. Agora, os usuários têm a opção de selecionar entre os modelos Opus, Sonnet e Haiku para conduzir as interações por voz.
Esta novidade surge poucas semanas após a OpenAI lançar uma nova linha de modelos conversacionais e realizar atualizações no modo de voz do ChatGPT. Anteriormente, o modo de voz do Claude, lançado no ano passado, operava exclusivamente com o modelo Haiku, o que proporcionava respostas ágeis, mas não era ideal para tarefas mais complexas.
Com a implementação da atualização, o modo de voz passará a utilizar, por padrão, a versão mais rápida do modelo que o usuário estava empregando nas conversas textuais. Assim, quem utiliza Opus, Sonnet ou Haiku no chat poderá manter a conversa por voz automaticamente com a respectiva versão.
Segundo a Anthropic, a versão revisada do modo de voz foi projetada para gerenciar com maior eficácia diálogos mais longos e atividades mais detalhadas. Exemplos de aplicação incluem fornecer retorno sobre o estilo comunicativo do usuário, auxiliar na preparação de apresentações para clientes e participar de sessões de brainstorming focadas em pesquisas de mercado de produtos.
Outro avanço notável é a capacidade de integração com aplicações externas. O modo de voz do Claude agora tem acesso a serviços como Gmail, Google Calendar, Slack, Canva e Notion. Isso possibilita que os usuários solicitem por voz ações específicas, tais como agendar uma reunião, elaborar um e-mail ou criar um documento no Notion.
A Anthropic ressaltou que esta funcionalidade representa um diferencial importante quando comparada ao modo de voz da OpenAI. Apesar de o ChatGPT ter recebido recentes melhorias em seu estilo conversacional, ele ainda não possui a habilidade de utilizar diversas ferramentas para executar tarefas profissionais da mesma maneira.
A empresa também mencionou que, no começo deste ano, introduziu o suporte multilíngue em fase beta para o modo de voz do Claude. Atualmente, os usuários podem dialogar em vários idiomas, embora ainda seja preciso indicar manualmente a língua desejada. Os idiomas suportados abrangem inglês, francês, alemão, hindi, indonésio, italiano, japonês, coreano, português brasileiro e espanhol (tanto na variante latino-americana quanto na espanhola).
O novo modo de voz está acessível em versão beta para todos os usuários, independentemente da plataforma que utilizam. Contudo, a Anthropic esclareceu que os usuários da modalidade gratuita estarão restritos ao modelo Haiku e poderão vincular apenas um aplicativo ao recurso.
Apesar da expansão das funcionalidades, a Anthropic declarou que não houve modificações no modelo de voz empregado pelo Claude, tampouco divulgou detalhes sobre a infraestrutura tecnológica que sustenta este recurso. Consequentemente, diferentemente da atualização recente promovida pela OpenAI, os usuários podem não notar melhorias na conversação em aspectos como o gerenciamento de interrupções durante o diálogo.
A Anthropic realizou uma análise abrangente de mais de 300 mil conversas anônimas e chegou à conclusão de que o chatbot Claude modifica o tom de suas respostas conforme o idioma em que está sendo utilizado. Este estudo demonstra que o modelo pode assumir diferentes nuances de conversação, variando entre posturas mais cautelosas, diretas, amigáveis ou detalhadas, dependendo da língua.
No caso específico do português, o modelo exibe uma inclinação notável para fornecer respostas mais técnicas e focadas na execução da tarefa. Com base em mais de 15 mil interações, a análise da Anthropic identificou pequenas tendências positivas relacionadas a Rigor, Execução, Cautela e Profundidade. Os padrões observados incluem a capacidade de aprimorar e corrigir detalhes mesmo sem solicitação explícita, oferecer informações ou caminhos complementares, e incorporar elementos criativos ou contexto adicional às suas saídas.
Para mensurar as disparidades entre os idiomas, os pesquisadores estruturaram o comportamento do Claude em quatro eixos principais. O eixo de Deferência ou Cautela avalia se o modelo tende a validar as ideias do usuário ou se adota uma postura mais prudente, emitindo alertas sobre riscos e limites. Já o eixo Simpatia ou Rigor compara respostas mais acolhedoras com aquelas que priorizam a precisão, a correção factual e a transparência. O eixo Profundidade ou Concisão determina se o chatbot prefere elaborar explicações extensas ou manter respostas breves e objetivas. Por fim, Franqueza ou Execução observa se o Claude reconhece suas limitações ou se foca em entregar uma solução pronta e confiante.
A pesquisa ressalta que a percepção de qualidade pode mudar drasticamente; por exemplo, duas pessoas solicitando feedback sobre o mesmo plano de negócios, uma em hindi e outra em russo, podem ter impressões distintas devido aos valores expressos pelo Claude em cada avaliação. Além disso, os resultados podem variar entre diferentes versões do modelo, como o Opus 4.7, que tende a ser mais rigoroso e cauteloso em comparação com outras iterações.
Ao comparar com outras línguas, as distinções tornam-se mais evidentes. O inglês foi classificado como mais cauteloso e orientado à profundidade, demonstrando uma tendência a contestar premissas incorretas e solicitar mais provas. O hindi apresentou a maior propensão à simpatia, gerando respostas mais leves, encorajadoras e bem-humoradas. O árabe se associou mais à deferência e à concisão, utilizando uma linguagem mais polida e adaptada ao estado emocional do interlocutor. O russo destacou-se pelo seu rigor, fornecendo respostas mais analíticas e diretas. O holandês demonstrou maior tendência à franqueza, admitindo limitações com maior frequência, enquanto o indonésio mostrou-se mais focado na execução, priorizando a finalização da tarefa.
A Anthropic ainda não possui uma explicação definitiva para a origem dessas variações. Uma das possíveis causas apontadas é a existência de bases de dados menores ou mais concentradas em determinados tipos de texto para alguns idiomas. Outro fator considerado é a influência da adaptação cultural e o reflexo das características intrínsecas dessas línguas. Contudo, a empresa faz questão de notar que o estudo não distingue variações regionais dentro de um mesmo idioma, como o português falado no Brasil ou em Portugal, o que reflete costumes locais. A companhia planeja continuar monitorando essas mudanças, visando futuramente identificar correlações entre perfis de valores e comportamentos problemáticos. É relevante mencionar que, em pesquisas anteriores, o Claude já havia demonstrado menor disposição para auxiliar em esquemas criminosos ou ser complacente com condutas questionáveis dos usuários.