Pesquisadores chineses analisaram restos mineralizados de tecidos antigos encontrados em três artefatos metálicos em Xinjiang. Os métodos de pesquisa estabeleceram que esses achados preservaram vestígios tanto de seda quanto de tecido de cânhamo.
Detalhes da análise e dos achados
Em um dos casos, foi possível identificar os corantes utilizados: tinta vermelha obtida da rubia tintorial e amarela, feita de sophora japonesa. Esses resultados foram apresentados em um pré-print no site SSRN.org.
A Região Autônoma Uigur de Xinjiang, localizada no noroeste da China, é objeto de grande atenção arqueológica. Esta região serviu historicamente como uma zona de cruzamento de diversas culturas, facilitada pela Rota da Seda. Além disso, o clima seco e quente favorece a excelente preservação de materiais orgânicos em monumentos antigos.
Monumentos Arqueológicos da Região
O Deserto de Tarim é conhecido por descobertas de corpos mumificados. Outra área importante é a Bacia de Turpan, um dos vales mais profundos do mundo. Lá está o cemitério de Yanhai, localizado a cerca de 43 quilômetros da cidade de Turpan. Deste monumento, nos últimos anos, foram descobertas as selas de montaria mais antigas do mundo, bolas de couro antigas e as primeiras armaduras de couro da Eurásia.
Zhen Hailin (Hailing Zheng) do Museu Nacional Chinês de Seda e seus colegas da China compartilharam os resultados do estudo de achados de outro monumento na Bacia de Turpan, o cemitério de Yemushi. Os arqueólogos encontraram lá três artefatos metálicos: dois fechos de ferro para cintos e uma placa de cobre para os olhos. Estes itens datam do período entre o século III a.C. e o século V d.C.
Métodos de Identificação dos Tecidos
Para determinar a composição dos tecidos, os cientistas aplicaram vários métodos complexos, incluindo microscopia eletrônica de varredura, análise imunoenzimática, espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier e cromatografia líquida de alta eficiência com detecção de espectrometria de massas. A microscopia mostrou a presença de fibras semelhantes à seda, sendo que um dos fechos continha dois tipos de fibras, mas sua origem exata não pôde ser determinada pelo método.
Em seguida, com a análise imunoenzimática, foi confirmado a presença de fibroínas — proteínas características dos casulos do bicho-da-seda (Bombyx mori) — em um dos fechos, confirmando o uso de seda pelo menos em um caso. Nos outros dois objetos, este biomarcador estava ausente, o que poderia indicar má preservação ou origem vegetal das fibras.
A espectroscopia de infravermelho permitiu identificar que as fibras de seda em um dos fechos estavam próximas a fibras obtidas do cânhamo cultivado (Cannabis sativa). Espectros semelhantes foram obtidos também para restos de tecidos onde a análise imunoenzimática não detectou proteínas específicas de seda, tornando provável a hipótese de composição de cânhamo nesses casos.
Identificação dos Corantes
Químicos utilizaram cromatografia gasosa de alta eficiência e espectrometria de massas para determinar os corantes na seda de um dos fechos. Foi estabelecida a presença de alizarina — um corante vegetal natural vermelho vivo, obtido da rubia tintorial (Rubia tinctorum). Em outra amostra do mesmo fecho, foram identificados rutina e isorhamnetina rutinosina, que são marcadores do uso de corante amarelo da sophora japonesa (Styphnolobium japonicum).
No geral, em sepulturas antigas e medievais de Xinjiang, foram preservados não apenas vestuários, mas também restos de alimentos. No necrópole de Astana, cientistas chineses descobriram os sementes de gergelim (Sesamum indicum) mais antigas conhecidas, datadas dos séculos VII a IX d.C.
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