A primeira-ministra de Limpopo, Dra. Phofi Ramatuba, apelou aos moradores das comunidades para que parassem de fornecer moradias ilegais e apoiassem as autoridades policiais no combate ao crime. Ela culpou os cidadãos sul-africanos por permitirem que estrangeiros ilegais vivessem na província, alugando quartos nos quintais e fornecendo alojamento não autorizado.
Acusações de ocultação de migrantes
Estas declarações foram feitas por Ramatuba na manhã de sexta-feira durante uma conferência de imprensa realizada após uma operação contra imigrantes ilegais em Polokwane. Estiveram presentes o atual comissário policial provincial de Limpopo, General-leutal Jan Schapers, representantes do Departamento de Assuntos Internos e funcionários do Departamento de Saúde.
Os comentários da primeira-ministra surgiram em meio a protestos crescentes contra a imigração ilegal em todo o país, durante os quais alguns grupos exigiam a expulsão de cidadãos estrangeiros ilegais da África do Sul. Ramatuba afirmou que a província se concentraria em resolver seus próprios problemas e expandiria as operações rurais.
Trabalho com comunidades rurais
Ela enfatizou que as autoridades interagiram com líderes tradicionais em assentamentos rurais para resolver questões relacionadas à residência de pessoas não registadas nas aldeias. Ramatuba salientou a necessidade de realizar reuniões e diálogos com esses líderes para descobrir quem reside na aldeia sem reconhecimento oficial.
Uso indevido de benefícios habitacionais
A primeira-ministra acusou alguns cidadãos sul-africanos de fornecerem alojamento a imigrantes ilegais enquanto usavam habitação estatal através do programa RDP. Ela declarou: 'Posso dizer-vos que as pessoas que ajudam os criminosos, escondendo criminosos nos seus quintais, são os nossos próprios cidadãos de origem africana'. Ela deu o exemplo de quando uma casa RDP foi entregue a uma família, mas em vez de melhorar a vida das crianças, foram construídos quartos adicionais no quintal, com ligações ilegais de eletricidade e água para alojar imigrantes ilegais.
Resultados da operação e críticas
Ramatuba confirmou a prisão de 339 suspeitos durante a operação, incluindo um indivíduo suspeito de homicídio e várias pessoas acusadas de arrombamentos de casas. Ela informou que um dos detidos era um 'criminoso perigoso procurado por homicídio e vários assaltos a casas em toda a província', e ele vivia num quarto no quintal fornecido por um cidadão sul-africano.
A primeira-ministra criticou os cidadãos sul-africanos que participam de protestos contra a imigração ilegal, ao mesmo tempo que permitem que pessoas ilegais permaneçam no país. Ela apontou que tais cidadãos podem opor-se às ações do presidente Cyril Ramaphosa, ignorando o fato de que eles mesmos estão a esconder pessoas procuradas pelas autoridades policiais.
No âmbito da operação, foram realizadas 478 buscas, resultando em 339 prisões. Além disso, lojas de conveniência que não cumpriam os requisitos foram encerradas, e alguns proprietários foram presos. Ramatuba também expressou preocupação com o comércio ilegal de cigarros, que, segundo ela, prejudica a economia e leva à perda de empregos, pois é sustentado por cidadãos sul-africanos.
Apelos e próximas ações
A primeira-ministra apelou às comunidades para denunciarem qualquer atividade criminosa, garantindo que as operações continuariam em toda a província. Ela também sugeriu que alguns organizadores de protestos anti-imigração recebem 'pagamentos por proteção' de estrangeiros ilegais para que estes evitem ataques às suas casas ou negócios.
Ramatuba sublinhou veementemente que os estrangeiros que entram na África do Sul são obrigados a cumprir a legislação de imigração e possuir os documentos adequados. Ela acrescentou que a imigração ilegal criou uma carga sobre os serviços públicos, incluindo a saúde, uma vez que as autoridades muitas vezes desconheciam o estatuto das pessoas que procuravam ajuda.
Posição da polícia
O General-leutal Schapers informou que a operação seria expandida para outros distritos de Limpopo. Ele reconheceu o direito constitucional dos cidadãos de protestar, mas apelou veementemente para que essas manifestações ocorressem dentro da lei. Schapers afirmou que permanecer no país sem os documentos adequados é ilegal, e que seu mandato é agir, e eles 'não deixarão pedra sobre pedra'. Ele concluiu sublinhando a seriedade das intenções em relação à segurança e ao crescimento económico da província de Limpopo.