O transporte de materiais em fábricas é um processo rotineiro, onde peças são movidas dos armazéns para a linha de produção e os produtos acabados — da linha para o envio —, sendo que essas rotas se repetem diariamente. Os robôs são capazes de realizar tais tarefas, e muitas empresas estrangeiras já as utilizam.
Problemas dos sistemas de automação antigos
As versões vendidas na Índia são frequentemente importadas e custam caro. Sistemas mais antigos exigem adaptação do próprio edifício, como a colocação de faixas magnéticas ou marcadores no chão para direcionar a máquina por um caminho fixo. Para uma fábrica que já opera em regime de três turnos, isso representa uma interrupção dispendiosa das operações antes mesmo de obter quaisquer benefícios.
Como resultado, a automação é mais frequentemente implementada em novas instalações, deixando para trás as antigas. Fábricas construídas há muitos anos continuam a usar carrinhos manuais, mesmo onde a necessidade de automação é evidente e a mão de obra está se tornando difícil de encontrar.
Tecnologia de navegação autônoma
A Hachidori Robotics, sediada em Bengaluru e fundada em 2019, dedica-se ao desenvolvimento de robôs móveis autônomos (AMR), projetados especificamente para resolver este problema. Seus fundadores são Janakiram Annam, Ramanathan Venkataraman, Venkataraman Natarajan e Krishna Vaidyanathan. Annam ocupa o cargo de CEO, enquanto Venkataraman e Natarajan atuam como CTO e COO, respectivamente.
Um robô móvel autônomo difere dos veículos guiados automatizados mais antigos pela forma como se orienta no espaço. Um veículo guiado segue um caminho predefinido embutido no piso, enquanto um robô autônomo determina sua rota sozinho usando software e sensores, além de ser capaz de alterá-la ao detectar obstáculos.
O sistema Hachidori baseia-se em uma tecnologia patenteada de posicionamento interno, que a empresa compara a um GPS interno. Como o posicionamento por satélite não funciona dentro de edifícios, o robô necessita de outro método para determinar sua localização. A empresa possui mais de três patentes relacionadas a este desenvolvimento.
Vantagens e portfólio de produtos
A vantagem prática reside na facilidade de implementação. A Hachidori afirma que seus robôs podem ser instalados em uma fábrica ou armazém em operação sem a necessidade de interromper as operações e sem alterar a infraestrutura exigida pelos sistemas antigos. Além disso, a empresa declara que o custo de suas máquinas é de aproximadamente um terço do custo dos veículos autônomos importados.
O portfólio de produtos inclui transportadores de cargas unitárias, reboques e elevadores de paletes, oferecendo oito opções capazes de transportar cargas de menos de 50 kg a 4000 kg. Os robôs funcionam com baterias LiFePO4. Existem vários modelos para executar diferentes tarefas: um reboque puxa um conjunto de carrinhos em um corredor longo, enquanto um elevador de paletes levanta e move uma unidade de carga. Essa ampla gama permite que um único fornecedor atenda à maior parte dos movimentos internos na empresa.
Mercado Indiano e Apoio Financeiro
A empresa vende suas soluções para clientes dos setores automotivo, de consumo, eletrônico e farmacêutico, bem como para operadores de armazém. Ela se posiciona como um fabricante que compreende as especificidades das condições indianas, onde o layout dos locais muda frequentemente. A Hachidori afirma que seus robôs podem aumentar a eficiência do transporte de materiais em até três vezes.
No mercado, ela compete com grandes players indianos em robótica de armazém, como GreyOrange e Addverb, bem como com sistemas importados. Os principais argumentos a favor da Hachidori são o preço e a rapidez com que a empresa pode começar a operar os robôs. De acordo com dados da Tracxn, a empresa atraiu cerca de US$ 2,35 milhões de um grupo de investidores, incluindo o Jacob Hansen Family Trust. A própria empresa mencionou uma arrecadação de US$ 3 milhões destinada ao desenvolvimento de produtos, infraestrutura e contratação de pessoal.
O número de funcionários da empresa cresceu constantemente: de cerca de 11 pessoas no final de 2021 para mais de 120 atualmente. Para uma empresa de hardware que trabalha com compradores industriais conservadores, esse crescimento é um claro indicador de que os robôs estão sendo adquiridos e colocados em operação.



