Cientistas dos EUA realizaram um estudo que demonstrou semelhanças na percepção geométrica entre humanos, macacos-rezzus e babuínos anubis. O experimento envolveu pré-escolares, bem como adultos das tribos Himba e Cimane. Foi estabelecido que os macacos-rezzus e os babuínos anubis percebem formas geométricas de maneira aproximadamente igual aos humanos.
Metodologia do experimento
Os participantes foram solicitados a escolher a figura geométrica que mais se assemelhava ao modelo. A rede neural CORnet foi usada para analisar os dados, simulando o processamento de informações visuais pelo cérebro dos primatas. Com este modelo, os pesquisadores puderam calcular a significância das representações simples, complexas e simbólicas na percepção de figuras.
Comparação com trabalhos anteriores
Anteriormente, foi observado que humanos e primatas não humanos são capazes de percepção geométrica. No entanto, um experimento com babuínos da Guiné revelou uma diferença: os humanos eram melhores em encontrar a única figura diferente entre quadrados idênticos se a figura extra possuísse maior regularidade, como simetria, ângulos retos ou linhas paralelas. Essa tendência foi observada em pré-escolares e adultos não instruídos da tribo Himba, mas estava ausente nos babuínos, que resolviam a tarefa independentemente da regularidade das figuras.
Conclusões sobre os mecanismos de percepção
A equipe de pesquisadores, liderada por Jessica Cantlon da Universidade Carnegie Mellon, realizou um experimento repetido com crianças de três a seis anos, adultos das tribos Himba e Cimane, além de quatro macacos-rezzus e quatro babuínos anubis. Os participantes eram mostrados uma figura e, em seguida, eram solicitados a escolher uma opção semelhante entre duas. A análise usando a rede neural CORnet e regressão logística permitiu determinar em quais características os participantes se baseavam.
Análise das características das figuras
Dois níveis foram usados para avaliar a semelhança das figuras: a rede neural CORnet, que modela o córtex visual (córtex visual primário V1 para características simples como linhas e manchas, e córtex temporal inferior IT para percepção de objetos inteiros), e um modelo simbólico, que considera características específicas, como igualdade de lados, ângulos, simetria e presença de lados paralelos.
Os resultados mostraram que crianças, macacos e adultos da tribo Cimane dependem principalmente de características complexas e simbólicas. Em macacos, o peso da camada IT foi de 0,76; em pré-escolares, 2,95; e em adultos, 3,77. O peso do modelo simbólico foi de 0,62 em macacos, 0,89 em crianças e 0,51 em adultos. Além disso, os adultos da tribo Cimane demonstraram menor dependência de representações simbólicas do que macacos e babuínos, preferindo perceber as formas como um todo.
Influência da rotação das figuras
Ao girar as figuras em 20 graus, houve uma mudança no comportamento dos primatas: o peso do modelo simbólico em macacos aumentou de 0,62 para 1,4, e em crianças de 0,89 para 2,32. Também houve um aumento significativo na orientação para a forma geral nos macacos, pois o peso da camada IT aumentou de 0,76 para 3,85. Isso indica a capacidade dos primatas não humanos de formar representações semelhantes às simbólicas.
Hipótese da percepção holística
Os autores também descobriram uma correspondência nos indicadores de grau de diferença, calculados através da camada IT, independente da rotação, e do modelo simbólico (r = 0,71). Isso levou à hipótese de que o pensamento geométrico humano não é necessariamente puramente simbólico, mas sim baseado em uma imagem holística que não depende do ângulo de rotação. As diferenças entre as espécies, segundo os cientistas, residem no melhor desenvolvimento desse mecanismo comum nos humanos.
Estudo separado de recife de coral
No final do artigo, é mencionada uma pesquisa biológica separada realizada com o uso de um drone subaquático, sonar e câmeras de vídeo no recife de coral mesofótico na costa do Benin, que antes era considerado morto. Uma comunidade de corais vivos foi descoberta, composta predominantemente por corais moles de oito raios, associada a áreas sólidas isoladas do fundo, o que se alinha mais com o conceito de jardim de coral do que com o de recife.