A presidente interina expressou gratidão ao Governo de Portugal, ao seu primeiro-ministro e ao seu Presidente pelo apoio e solidariedade demonstrados desde 24 de junho, data em que ocorreram os terremotos no país. Este agradecimento foi feito durante um encontro, conforme noticiado pela televisão estatal venezuelana (VTV).
Acordos de Recuperação Conjunta
Ambas as partes concordaram em prosseguir com o trabalho colaborativo nas atividades de recuperação das áreas atingidas, dando especial atenção às comunidades de origem luso-venezuelana que sofreram com esta emergência.
Mobilização Portuguesa
Portugal destacou que mobilizou um grupo composto por 64 especialistas em busca, salvamento e assistência médica de emergência. Estes profissionais foram integrados tanto nas autoridades nacionais de emergência e proteção civil quanto nas forças armadas portuguesas.
Participantes do Encontro
O encontro contou com a presença de Yván Gil, ministro das Relações Exteriores para a Europa, e Oliver Blanco, vice-ministro das relações para a Europa e América do Norte, representando a Venezuela. Pelo lado português, além de Emídio Sousa, estavam o embaixador na Venezuela, Frederico Silva, e mais dois diplomatas.
Visita e Impacto dos Terremotos
Emídio Sousa iniciou uma visita de quatro dias à Venezuela na quarta-feira, onde encontrou muitos portugueses solidários com as vítimas dos sismos. Ele comentou sobre a capacidade de luta e a solidariedade da população, mas descreveu o cenário em La Guaira, local onde o tremor foi mais forte, como devastador.
Sousa relatou ter visto «prédios, e prédios, e prédios completamente arrasados» e pessoas abrigadas em tendas. Ele enfatizou que havia uma «tragédia debaixo daqueles escombros, absolutamente descomunal», e achou impressionante o nível de destruição na região, enquanto os esforços para remover detritos e encontrar corpos continuavam.
Fases da Ajuda Humanitária
O SEC reforçou que existe uma grande mobilização internacional para auxiliar a Venezuela, e que Portugal está na vanguarda deste esforço. Inicialmente, foi enviada uma equipe experiente de resgate e salvamento. Atualmente, entrou-se na segunda fase, dedicada à ajuda humanitária.
Emídio Sousa detalhou que viajou com dois aviões da força aérea carregados com 12 toneladas de suprimentos, incluindo kits de alimentos, higiene e saneamento. Além disso, foram fornecidas duas ambulâncias totalmente equipadas pela Cruz Vermelha, capazes de operar como postos médicos móveis, e uma tonelada e meia de materiais cedidos pela Marinha, como ferramentas necessárias para intervenções no terreno.
Apoio Financeiro e Balanço Oficial
Adicionalmente, Portugal destinou 400 mil euros para apoiar dois projetos que serão desenvolvidos pela Cáritas e pela Oikos, visando amparar 1.500 famílias. Segundo o balanço oficial mais recente divulgado pelo Governo venezuelano, o número de mortos devido aos sismos, ocorridos há duas semanas, elevou-se para 3.899, mantendo-se o número de feridos em 16.740.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) informou que o número de cidadãos portugueses e lusodescendentes falecidos no duplo sismo de 24 de junho aumentou para 104, com 57 pessoas ainda desaparecidas. Os sismos, de magnitudes 7,2 e 7,5, aconteceram a 200 quilômetros de Caracas, com menos de um minuto de diferença, e foram seguidos por mais de 1.100 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.